domingo, 30 de outubro de 2011

OPINIÃO DE RAUL CÓRDULA - artista plástico paraibano da Geração 50

Caros amigos,
chamo a atenção para este lamento do artista plástico, escritor e professor Archidy Picado Filho, que ví nascer, filho de um grande artista que merece muito mais do que um nome de galeria, se bem que, cada vez que vou à Galeria Archidy Picado me emociono com a lembrança do grande amigo para quem escrevi uma crônica intitulada "O despertar da modernidade".

A Galeria Archidy Picado, é bom lembrar, tem feito um trabalho de mostragem das artes visuais simplesmente exemplar em todas as sua gestões, desde que foi criada pelo primeiro grupo de artistas que integrou o Espaço Cultural, e pelo que eu sei, todos têm e tiveram a maior reverência pelo nome de seu patrono.
Aprendi muito com sua generosidade.

O que é preciso para se homenagear Archidy é difundir sua obra. Não apenas a obra pictórica, já por si maravilhosa, mas também a obra escrita, tanto em poesia e prosa quanto em pensamento estético.

Archidy, o filho, precisa saber que seu pai tem amigos de verdade, e são muitos, e sendo assim ele tem por herança, mas também por seu talento, muitos amigos.

Não tendo o email dele, peço para que este texto lhe chegue às mãos com o meu sincero abraço.

Raul Córdula



“Abaixo Archidy Picado”

Archidy Picado Filho

Conversando com um amigo outro dia, assíduo ouvinte das programações das rádios de João Pessoa (PB) – já que o rádio é seu único companheiro de trabalho no escritório de engenharia que mantém em casa – soube que, às vezes, há comentários no ar questionando o valor do nome de meu pai a referendar a galeria de arte que a Fundação Espaço Cultural mantém em suas dependências.

A crítica ao nome de Archidy Picado para tanto surgiu anos depois que o idealizador da galeria, o arquiteto e artista plástico Arthur Cantalice, resolveu homenagear seu falecido amigo acreditando que, por tudo o que fizera em nome do desenvolvimento das artes na Paraíba, Archidy Picado merecia tal homenagem.

Podem ter havido outras razões particulares para que Arthur tenha sugerido tal homenagem ao meu pai, apoiada pela então presidente da Fundação, a professora Giselda Navarro. Mas o fato é que, senão muitas, meu pai deu substanciais colaborações para a cultura paraibana, não sendo estranho, portanto, que seu nome tenha sido lembrado para dar nome à referida galeria.

Entre os opositores de seu nome para tanto – bem antes que desinformados jornalistas radialistas tenham usado sua liberdade de expressão para denegrir a imagem de pessoas consideradas ilustres, hábito entre perversos invejosos que a democracia não pode evitar – ainda anda por aí o “artista plástico” Josildo Dias, um desses “abstracionistas” que, malgrado o valor inicial justamente conferido ao Abstracionismo (que surgiu no Brasil no século 19, sendo o valor da originalidade de tal arte evidentemente ultrapassado), com o aval de certos críticos, em pleno século 21 ele ainda insiste em se expressar como os antigos opositores do academicismo.

Hoje, esses dois estilos das artes visuais, entre outras artes, estão onde deveriam estar: a serviço da mais completa manifestação artística já desenvolvida: o Cinema.

Mas aqui não caberá discorrer sobre a importância ou a não de certos estilos artísticos na atualidade, ou de “artistas” paraibanos como Josildo Dias. Voltando ao assunto principal deste comentário, digo que, para mim, seria vantajoso que retirassem o nome de meu pai da galeria da FUNESC. Por mim, seria indiferente se a galeria tivesse o nome do próprio Josildo Dias ou de quaisquer outros borra-tintas como ele. Infelizmente, como ocorreu com meu pai, não se prestam grandes homenagens aos que estão vivos, tanto para que não se envaideçam demasiadamente como porque, mortos, tais personalidades não mais representarão nenhuma ameaça aos seus companheiros e companheiras concorrentes.

Aos mortos, portanto, todas as honras.

Agora, fora desta vida cheia de perversos, morto (como ele queria), meu pai não se orgulha de ter seu nome lembrado numa galeria; nem se sentirá injustiçado se o retirarem de lá. Sou eu quem, por estar ainda vivo e ter também seu nome, tem sofrido as conseqüências do despeito e da inveja. Não apenas por ter herdado o nome dele, mas também essa “patologia”, essa tara por culturas e pelas artes que me fazem ser muitas vezes confundido com ele. E não apenas em seus aspectos positivos, por sua inteligência, amabilidade, elegância e beleza física, mas principal e perversamente com seu lado “negativo”; ou seja, com sua “irresponsabilidade” como pai de família, como funcionário público federal e seu alcoolismo, com os quais é referendado por um contingente de pessoas sem nenhum senso de justiça e que, absolutamente ignorantes, nada entendem nem querem entender das angústias e frustrações daqueles que, como meu pai, malgrado suas invejadas posições sociais, enxergam da vida mais do que deveriam.

AS ANJINHAS 2011

PIMEIRO ESTANDARTE BY lLÚCIA FRANÇA Em fevereiro de 2012 bloco carnavalesco AS ANJINHAS que trabalha o universo feminino e suas inquietações, fará uma homenagem ao bloco pai ANJO AZUL do Projeto Cultural de Prévia Carnavalesca FOLIA DE RUA, o primeiro bloco do centro histórico estará entrando na maioridade,são 18 anos de alegria no BECO DA FACULDADE de Direito . O momento das festividades terão início com a LAVAGEM DA ESCADARIA ás 11hs .
Serão 18 Rainhas e 18 Reis pessoas que tenham identidade com os Movimentos Sociais e Culturais, jornalistas, artistas, arquitetos, intelectuais,advogados, assistentes sociais, médicos, e todos que tenham comprovado sua identidade na causa dos Direitos Humanos de nossa cidade João Pessoa.

Reis homem x homem Rainhas mulher x mulher

VIVA A DIVERSIDADE CULTURAL
Ednamay , Ines, Diná no lançamento de AS ANJINHAS

sábado, 29 de outubro de 2011

MULHER E MÍDIA 8 - RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro, 29 e 30 de novembro e 1º de dezembro de 2011
Mídia, Sexismo e Racismo: Uma Pauta Ainda em Questão?

Realização: Instituto Patrícia Galvão, Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Fundação Ford e ONU Mulheres.

Apoio: BNDES.

Mídia, Sexismo e Racismo: Uma Pauta Ainda em Questão? será o tema central das mesas e debates do Seminário Nacional A Mulher e a Mídia 8.

Público: O Seminário Nacional A Mulher e a Mídia é voltado especialmente para quem atua nas áreas de comunicação, gênero e raça/etnia.
Em breve será divulgada programação detalhada do evento. Acesse no final deste texto o link para fazer sua pré-inscrição

Sobre as pré-inscrições: o preenchimento completo e envio do formulário até as 18h de 9 de novembro somente garante sua pré-inscrição. Por limitação de vagas, do total de pré-inscrições recebidas até 09/11/2011, serão confirmadas 140 inscrições.

No processo de seleção das pré-inscrições serão considerados os seguintes critérios:
- atuação na gestão de políticas públicas para mulheres
- atuação nos movimentos de mulheres, de mulheres negras, de direitos humanos e LGBT, com foco no campo do direito à comunicação
- atuação no Legislativo e em pesquisas acadêmicas, com foco em gênero, raça/etnia e comunicação
- estudantes e profissionais de comunicação que atuam nas áreas de gênero e raça/etnia
- diversidade regional

Outras informações:

Transmissão online: o Seminário Mulher e Mídia de 2011 será transmitido ao vivo por Internet e as/os internautas poderão participar dos debates via e-mail.

Alimentação: A organização do Mulher e Mídia oferecerá almoço e coffee break para as/os participantes.

Hospedagem: Para as/os participantes que não residem na cidade do Rio de Janeiro, será oferecida hospedagem a partir das 15h do dia 29 de novembro, em local ainda a ser definido.

Transporte: Não haverá apoio para transporte aéreo ou terrestre das/os participantes.

Mais informações: mulheremidia8@patriciagalvao.org.br / tel.: (11) 2594.7399

Clique aqui para fazer sua pré-inscrição

EDITAL DE ELEIÇÃO DOS CONSELHEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL

EDITAL DE ELEIÇÃO DOS CONSELHEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL QUE IRÃO COMPOR O CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA DA PARAÍBA.

Olá Pessoal do Movimento Cultural da sigla C U L T U R A ,observou-ser quebra na sequência da numeração do Edital, contudo, abaixo estará o link direto de acesso a pagina da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba, onde inclusive teremos acesso as inscrições para o processo eletivo. Um forte abraço a tod@s e uma boa eleição, com participação, pluralidade, diversidade e transparência para a composição do Conselho.

LINK: http://www.paraiba.pb.gov.br/cultura/conselho-estadual-de-cultura

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SECULT ESTADO DA PARAÍBA

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

EDITAL DE ELEIÇÃO DOS CONSELHEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL QUE IRÃO COMPOR O CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA DA PARAÍBA

Olá Pessoal, pude observar que há quebra na sequência da numeração do Edital, contudo, abaixo estará o link direto de acesso a pagina da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba, onde inclusive teremos acesso as inscrições para o processo eletivo. Um forte abraço a tod@s e uma boa eleição, com participação, pluralidade, diversidade e transparência para a composição do Conselho.

LINK: http://www.paraiba.pb.gov.br/cultura/conselho-estadual-de-cultura

DECRETO Nº 32.408, DE 14 DE SETEMBRO DE 2011
EDITAL
ANEXO 1 – FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO – CADASTRAMENTO DE FÓRUM DE CULTURA
ANEXO 2 – FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO – CADASTRAMENTO DE CANDIDATO
ANEXO 3 – FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO – CADASTRAMENTO DE ENTIDADES
ANEXO 4 – FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO – CADASTRAMENTO DE ORGANIZAÇÕES

EDITAL

PROCESSO DE ELEIÇÃO DOS CONSELHEIROS REPRESENTANTES DA
SOCIEDADE CIVIL QUE IRÃO COMPOR O CONSELHO ESTADUAL DE
CULTURA DA PARAÍBA

A SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – SECULT, secretaria integrante
da Administração Direta do Estado da Paraíba, em conformidade com o
Decreto nº 32.408, de 14 de setembro de 2011, torna público o presente Edital,
que estabelece os procedimentos para o processo de escolha dos conselheiros
representantes da sociedade civil que irão compor o Conselho Estadual de
Cultura da Paraíba.

1. DO CONSELHO

1.1. O Conselho Estadual de Cultura da Paraíba é um órgão colegiado,
vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, com atribuições normativas,
deliberativas, consultivas e fiscalizadoras, cuja finalidade é promover a gestão
democrática da política de cultura do Estado.

1.2. Compete ao Conselho Estadual de Cultura:

a) estabelecer diretrizes e prioridades para o desenvolvimento cultural do
Estado;

b) elaborar, discutir, aperfeiçoar e votar o Plano Estadual de Cultura;

c) cooperar para a defesa e conservação do Patrimônio Histórico, Artístico e
Cultural do Estado;

d) estimular a democratização, a descentralização e a gestão compartilhada
das políticas culturais do Estado;

e) firmar acordos de cooperação com os movimentos sociais, entidades
representativas de linguagens artísticas, sindicatos, organizações não
governamentais, empresários e demais entidades do terceiro setor, visando ao
desenvolvimento cultural e artístico;

f) emitir parecer sobre assuntos e questões de natureza cultural do Estado;

g) implantar e acompanhar a execução do plano estadual de cultura;

h) fiscalizar a execução dos projetos culturais da administração estadual,
inclusive aqueles financiados por ela, observando as diretrizes e as prioridades
estabelecidas para o desenvolvimento do Estado;

i) incentivar a criação dos Conselhos Municipais de Cultura;


j) articular-se com os Conselhos Estaduais de Cultura;

k) elaborar o seu Regimento Interno e submetê-lo à homologação do
Governador.

2. DOS CONSELHEIROS

2.1. O Conselho Estadual de Cultura da Paraíba é composto por 24 (vinte e
quatro) membros titulares e seus respectivos suplentes, sendo 06 (seis)
representantes de organismos ligados ao setor artístico e cultural, 06 (seis)
representantes da sociedade civil ligados ao setor artístico e cultural e 12
(doze) representantes indicados pelo Governador do Estado.

2.2. 06 (seis) representantes da sociedade civil, ligados ao setor artístico e
cultural, eleitos em Assembléias Eleitorais.

a) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Sertão;

b) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Cariri;

c) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Agreste e Borborema;

d) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Curimataú e Seridó;

e) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Litoral;

f) 01 (um) representante do Fórum de Cultura do Brejo.

2.3. 06 (seis) representantes da sociedade civil organizada em organismos
ligados ao setor artístico e cultural, indicados por solicitação do Governador do
Estado.

2.4. 12 (doze) membros titulares e seus respectivos suplentes, representantes
do Poder Público, indicados pelo Governador do Estado.

2.5. Os Conselheiros representantes da sociedade civil serão eleitos em
plenárias promovidas e organizadas pelos mais variados âmbitos do setor
artístico e cultural.

2.6. Os membros do Conselho Estadual de Cultura terão mandato de 02 (dois)
anos, renovável uma vez por igual período.

3. DA COMISSÃO ELEITORAL

3.1. Compete à Comissão Eleitoral:

a) coordenar e fiscalizar todas as atividades relativas ao processo eleitoral
disciplinado por este edital;

b) decidir os recursos e impugnações sobre o processo eleitoral;

c) enviar o resultado da eleição para homologação;

d) analisar e decidir sobre o deferimento ou indeferimento dos pedidos de
inscrição no processo eleitoral, na forma deste edital;

e) coordenar a assembléia eleitoral, na forma deste edital;

f) apoiar os Fóruns na convocação e divulgação da eleição;

g) decidir os casos omissos neste edital.

3.2. O processo de escolha dos Conselheiros representantes da sociedade civil
será coordenado por Comissões Eleitorais formadas por representantes dos
Fóruns de Cultura, organizações e entidades previamente cadastrados.

3.3. Os Fóruns de Cultura, organizações ou entidades ligadas do setor artístico
e cultural, interessadas em participar do presente procedimento, na condição
de Comissão Eleitoral, deverão cadastrar-se, no período de 28 de outubro a 04
de novembro de 2011, na Secretaria de Estado da Cultura – SECULT, ou
através do endereço eletrônico http://www.paraiba.pb.gov.br/cultura,
observando os procedimentos descritos a seguir:

3.4. Dos Documentos para habilitação dos Fóruns de Cultura:

a) formulário “Cadastramento de Fórum de Cultura”, preenchido e assinado;

b) cópia da Ata da última reunião;

c) comprovantes de atividades desenvolvidas nos últimos seis meses.

3.5. Dos Documentos para habilitação das entidades:

a) formulário “Cadastramento de Entidade”, preenchido e assinado;

b) cópia do Estatuto;

c) comprovantes de atividades desenvolvidas nos últimos seis meses.

3.6. Dos Documentos para habilitação das organizações:

a) formulário “Cadastramento de Organização”, preenchido e assinado;

b) comprovantes de atividades desenvolvidas nos últimos seis meses.

3.7. Não havendo Fóruns, entidades ou organizações cadastradas no período
definido no artigo 3.3, a Comissão Eleitoral será formada por representantes da
Secretaria de Estado da Cultura.

5. DO CADASTRAMENTO DOS CANDIDATOS

5.1. As pessoas que atuam na área cultural e que tenham seu trabalho
reconhecido pela comunidade local, interessadas em participar do presente
procedimento, na condição de candidato, deverão cadastrar-se, no período de
28 de outubro a 04 de novembro de 2011, na Secretaria de Estado da Cultura –
SECULT, ou através do endereço eletrônico
http://www.paraiba.pb.gov.br/cultura, observando os procedimentos descritos a
seguir:

5.2. Dos documentos para habilitação dos candidatos:

a) formulário “Cadastramento de Candidato”, preenchido e assinado;

b) cópia da Carteira de Identidade;

c) comprovante de endereço.

d) currículo comprovando a atuação do candidato em atividades culturais e o
reconhecimento do seu trabalho pela comunidade local, considerando-se
documentos hábeis à comprovação, matérias de jornais, declarações emitidas
por instituições públicas ou privadas, certificados e outros que atestem
efetivamente a realização de atividades culturais pelo candidato.

5.3 A conferência e a análise dos documentos acima especificados serão
realizadas pela Secretaria de Estado da Cultura. Verificada a regularidade da
documentação apresentada, o cadastro será confirmado e o candidato estará
habilitado.

5.4. Da inabilitação caberá recurso à Comissão Eleitoral, no prazo de 03 (três)
dias úteis.

5.5. A Secretaria de Estado da Cultura – SECULT, no período de 05 a 08 de
novembro de 2011 fixará, na sede da SECULT e em seus Centros Culturais
vinculados, em cada Regional, a relação dos candidatos habilitados às vagas
de Conselheiro Estadual de Cultura.

6. DA ASSEMBLÉIA ELEITORAL

6.1. Serão eleitos 02 (dois) candidatos por região, sendo um titular e seu
respectivo suplente.

6.2. As Assembléias Eleitorais ocorrerão observando o seguinte cronograma:

a) Região: Sertão – Sousa – 08 de novembro

b) Região: Curimataú e Seridó – Cuité – 08 de novembro

c) Região: Cariri – Taperoá – 09 de novembro

d) Região: Brejo – Guarabira – 09 de novembro

e) Região: Agreste e Borbroema – Campina Grande – 10 de novembro
...

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

V CINEPORT - FESTIVAL DE CINEMA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2011 EM JOÃO PESSOA NA PARAÍBA PELA TERCEIRA VEZ.



Produtora Cultural Ednamay Cirilo Leite divide a cena com as atrizes do teatro e do cinema paraibano Soia Lira e Marcela Cartaxo e nossa cantora autoral Eleonora Falcone
Festival Cineport começa nesta segunda e movimenta cenário cultural

Nesta segunda-feira (19) João Pessoa se transforma na capital do cinema da língua portuguesa. A 5º edição do Cineport, que neste ano homenageia a Cidade do Cabo, promete movimentar o cenário cultural e promover o intercâmbio entre mais de sete países. O público estimado para o evento, que será realizado na Usina Cultural da Energisa até o dia 25 deste mês, é de cerca de 50 mil participantes. A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) apoia o projeto.

Com o objetivo de integrar e promover o mercado cinematográfico dos países de língua portuguesa, o Cineport irá reunir personalidades ligadas ao audiovisual de diversos países, estimulando o intercâmbio cultural, promovendo encontros, seminários, painéis, debates, conferências, mostras, lançamentos de publicações, DVDs, filmes e vídeos.

Esta será a terceira edição do evento realizado em João Pessoa e faz com que o Cineport entre nos roteiros turísticos culturais da Capital, que agregam conhecimento e bagagem cultural para os turistas, promovendo e valorizando os atrativos regionais.

Para este ano, estão sendo esperados participantes da Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e de diversas partes do Brasil.

Segundo o secretário de Turismo João Pessoa, Francisco Linhares, o evento fortalece o calendário cultural da cidade. "O Cineport proporciona aos pessoenses e visitantes a oportunidade e a opção de participar de um evento que agrega experiências importantes dos países de língua portuguesa na promoção de um dos mais relevantes segmentos da economia criativa no mundo”, enfatiza Linhares.

O Cineport é realizado pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, patrocinado pela Energisa por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem o apoio pelo Governo do Estado da Paraíba e da Prefeitura de João Pessoa.

Turismo – Durante o evento, a Setur e a PBTur disponibilizarão Posto de Informações Turísticas (PITs), com objetivo de auxiliar as pessoas que visitam a cidade, tirando as dúvidas mais frequentes e dando informações sobre a história, localização de meios de hospedagem, agenciamento, alimentação, transportes e os principais atrativos de João Pessoa.

Filmes concorrentes – Neste ano, a escolha prévia dos vencedores do Troféu Andorinha Longa aconteceu por meio de um júri composto por renomados críticos de cinema e jornalistas da área: Carlos Alberto Mattos, que presidiu os trabalhos, José Geraldo Couto, Marcelo Miranda e Renato Félix, representantes do Brasil; e Luisa Sequeira, Carla Fernandes, Rui Tendinha e António Loja Neves, representantes de Portugal e África.

Já os filmes da Competição Troféu Andorinha Curta foram selecionados por um júri formado pelo cineasta e documentarista Marcos Pimentel, que presidiu os trabalhos; pelo cineasta Rafael Conde; pelo jornalista Fernando Trevas e pelo cinéfilo Alexandre Moreira.

Nas categorias animação, documentário e ficção foram selecionados 33 filmes, que serão apreciados durante o Festival por um júri composto por Antônio Loja Neves, da África, Kátia Machado, do Brasil, e Kátia Salgueiros, de Portugal.

Os filmes inscritos para o Prêmio Energisa Estímulo ao Audiovisual Paraibano serão exibidos e analisados também durante o Festival. O vencedor será julgado por uma comissão formada por Rodrigo Areia, de Portugal, e Luís Carlos Lacerda e Carlos Alberto Matos, ambos do Brasil.



Homenageada - Com 17 anos de carreira, Sara Tavares possui uma identidade musical capaz de integrar diversos elementos, sejam eles africanos, portugueses ou universais. Partindo da música soul americana que cantava na adolescência, ela passou pela intensidade espiritual do gospel até chegar a uma sonoridade muito própria ou mesmo única. Hoje, é uma das maiores representantes de uma musicalidade que nasce em Lisboa, mas que se inspira no passado africano.


PROGRAMAÇÃO DE ABERTURA DO CINEPORT

DIA 19 – SEGUNDA FEIRA

19h30

Inauguração da Sala Vladimir Carvalho

A sala é uma homenagem ao cineasta e documentarista paraibano, que integrou o movimento Cinema Novo, tornando-se um dos mais importantes cineastas brasileiros pela sua cinematografia documentária inovadora.

19h45

Livraria da Usina

Lançamento do Livro

Um Olhar na Música Popular - Cristina Granato

O livro comemora as três décadas de vida profissional da jornalista e fotógrafa Cristina Granato, detentora de uma obra documental de alta relevância sobre a vida musical e cultural carioca. As imagens registradas por Cristina contam a história da música popular brasileira nos palcos do Rio de Janeiro desde 1978.
20h

Sala Vladimir Carvalho

Sessão Prêmio Energisa – FIC

Negócio de menino com menina, de Marcus Vilar – 8'

As folhas, de Deleon Souto –14'

Borra de café, de Aluizio Guimarães – 18'

Antoninho, de Laércio Ferreira – 24'

Um céu de boca beijada, de Pablo Maia – 7'

Cinemameu, de Rodrigo A. Quirino – 13'

Escravos de Jô, de Daniel Araújo Rodrigues – 20'

Tenda Andorinha

Abertura do Festival Cineport

Paraiwa - Pontão de Cultura da Caatinga

O Pontão de Cultura Digital - Multivisualnet Caatinga é um projeto do Paraiwa – Coletivo de Assessoria e Documentação com o patrocínio do Ministério da Cultura/Secretaria de Cidadania Cultura/Programa Cultura Viva, que tem o objetivo de capacitar 105 jovens e 35 professores em Tecnologia da Informação e Comunicação, capacitando-os no uso de recursos da linguagem audiovisual, de seis municípios da Paraíba e um de Pernambuco, produzindo conteúdos multimídia sobre o Bioma Caatinga.

Filme - Catolé do Rocha - Casa do Beradêro – 5'

Cabo Verde - País Homenageado

Fragmentos de Mindelo

Mindelo é a capital cultural de Cabo Verde. Gerações de escritores, pintores, cantores, intelectuais constituíram ao longo do tempo a expressão máxima da arte e do pensamento cabo-verdiano. Fragmentos da vida de seus habitantes revelam a força de sua história, a beleza de sua criatividade e sobretudo a resistência contra os flagelos da vida mindelense, porto de encontro de diversas nacionalidades. 75'

22h

Sala Vladimir Carvalho

Sessão Prêmio Energisa – FIC

Paraiwa - Pontão de Cultura da Caatinga

Filme – Movimento estudantil de 69 – 5'



Metafísica, de Eduardo Gomes – 12'

Direita, de Marcelo Quixaba Gonçalves – 5' 13”

Viventes, de Jacinto Moreno – 18'

Na companhia dos faisões, de Silvio Sá – 17'

P.S. Dama, de Everaldo Vasconcelos – 27'

Mais denso que sangue, de Ian Abe – 15'

O hóspede, de Anacã Agra e Ramon Porto Mota – 17'


Tenda Andorinha

Sessão Andorinha Filme Vencedor

Melhor Atriz Coadjuvante – Catarina Wallenstein (Portugal)

Filme - Um amor de perdição

Esta poderia ser a história de um encontro entre Simão (Tomás Alves) e Teresa (Ana Moreira), sob fundo de conflito entre duas famílias da burguesia portuguesa. Simão é um adolescente quase criança, solitário, intransigente, narcisista, destrutivo e suicida que atrai como uma aura fatal, uma luz negra, a maior parte das pessoas com quem se cruza. Mas Teresa existe, ou é apenas uma ideia, uma imagem, um reflexo? Teresa é uma aparição. Um pretexto para uma revolta amoral e violenta, para um amor de perdição.

23h

Tenda Música

Show

Udigrudi Paraibano Livre

O músico FábbioQ e a jornalista Olga Costa apresentam show com um time de músicos do Udigrudi paraibano no palco do Cineport.

CULTURA DO PT NACIONAL

Comissão da Verdade mobiliza artistas e intelectuais e pode ser votada esta semana

Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, deverá acompanhar a entrega do manifesto ao presidente da Câmara

Personalidades da academia e do mundo artístico lançaram manifesto em apoio à criação da Comissão da Verdade. Nomes como Leonardo Boff, Emir Sader, Marilena Chauí e Fernando Morais estão à frente da iniciativa, que já conta com as adesões dos cantores e compositores Chico Buarque e Caetano Veloso e da cantora Alcione.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, deverá acompanhar a entrega do manifesto ao presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), em visita que ocorrerá nesta quarta-feira (21).

“A democracia não nos foi dada, ela foi conquistada por uma geração que não se calou diante da opressão. A experiência vivenciada naquele período de repressão marcou vidas e foi capaz de mudar a história, mas ainda não podemos celebrar a democracia se não tivermos pleno conhecimento das violações cometidas nesse passado tão recente”, diz o manifesto (confira a íntegra abaixo).

O PL 7376/10 - que cria o órgão - depende da costura de um acordo de lideranças para ser votado ainda esta semana.

Na opinião do deputado Emiliano José (PT-BA), o manifesto expressa um amplo clamor da sociedade. “Corresponde a um anseio nacional. Estes artistas e intelectuais estão em consonância com o anseio da sociedade brasileira pela verdade e pelo respeito à memória histórica, pela reconciliação nacional. A Comissão da Verdade será um passo adiante na consolidação da democracia no Brasil e os criadores do manifesto estão sintonizados com esta perspectiva”, comemorou Emiliano José, ex-preso político da ditadura encerrada em 1985.

Para o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), “é fundamental o maior apoio social possível para a criação da Comissão da Verdade”.

Em artigo para o site da revista Carta Capital, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) sintetizou as razões que justificam a criação da comissão. “Apesar dos avanços democráticos, algumas cicatrizes deixaram estampadas as marcas de uma ação desumana e cruel: a tortura, a morte e o desaparecimento de centenas de brasileiros. Ainda hoje não se sabe o número exato dessas vítimas, mas certamente somam-se as centenas. A Comissão da Verdade busca apenas reparar esses erros. Não há qualquer sentido de vingança, de arbítrio ou de caça às bruxas.”, afirma Zeca Dirceu no texto.

Rogério Tomaz Jr.

Manifesto de apoio à criação da Comissão da Verdade

As oportunidades da vida nos levaram ao caminho da arte, da música e do espetáculo e, ao seguirmos esses passos, nos transformamos não apenas em artistas e intelectuais, mas em militantes da liberdade, já que temos a possibilidade de expressar nossas ideias e nossos sonhos na linguagem da arte e do conhecimento.

A democracia não nos foi dada, ela foi conquistada por uma geração que não se calou diante da opressão. A experiência vivenciada naquele período de repressão marcou vidas e foi capaz de mudar a história, mas ainda não podemos celebrar a democracia se não tivermos pleno conhecimento das violações cometidas nesse passado tão recente.

O que nos move nesse momento é a esperança de que os parlamentares possibilitem a atual e as futuras gerações o conhecimento desses fatos, para sabermos a verdadeira verdade. Como defensores da livre expressão do pensamento e da democracia, manifestamos ao Congresso Nacional nosso desejo de aprovação do Projeto de Lei 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade para que essas violações sejam lembradas e conhecidas pelo povo brasileiro, pois essa é a única forma de garantirmos que isso nunca mais aconteça.

Chegou a hora da verdade que o Brasil tanto espera.

Site Liderança do PT na Câmara

sábado, 10 de setembro de 2011

EBC - EMPRESA BRASIL COMUNICAÇÃO PREPARA MANUAL PARA JORNALISTAS

http://www.ebc.com.br/artigo/2011-08-16/ebc-prepara-manual-de-jornalismo-para-seus-canais-públicos

A Empresa Brasil de Comunicação - EBC está elaborando o seu Manual de Jornalismo, documento que orientará a produção de conteúdos informativos e jornalísticos dos canais públicos geridos pela empresa. Vale dizer, TV Brasil, Agência Brasil, Rádios EBC e Radioagência Nacional.

Um grupo de trabalho composto por profissionais de diferentes canais começou a trabalhar em abril na elaboração da proposta preliminar, em sintonia com as recomendações expressas pelo Conselho Curador em sua Resoluções 05/2010 e 06/2010. Uma destas recomendações é a de que sejam tornados públicos, pela EBC, os “princípios e conceitos orientadores” da produção do documento, permitindo que a sociedade brasileira participe das discussões sobre a elaboração das regras editoriais para estes canais que, em ultima instância, a ela pertencem.

Estes princípios, que aqui divulgamos para conhecimento geral e participação de todos os interessados no debate, emanam da Constituição da República Federativa do Brasil, da Lei 11.652/2008, que autorizou a criação da EBC, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração da Unesco sobre os Meios de Comunicação e dos fundamentos acadêmicos e práticos do jornalismo como serviço público, pautado pela ética, o interesse público, a isenção, a independência, o compromisso com a verdade e com a pluralidade de fontes e opiniões. A prática quotidiana do jornalismo da EBC acolhe e valoriza a participação do cidadão, veiculando produções e abrindo-se às suas colaborações na criação e elaboração de pautas. Estas práticas se aprimoram à medida em que a empresa agrega tecnologias que favorecem esses processos. Estes são princípios que a EBC já pratica em seu jornalismo, mesmo não estando ainda em vigor o Manual de Jornalismo.

A portaria 102, de 11/04/2011, que deflagrou o processo interno de elaboração do Manual, definiu os seguintes princípios e conceitos orientadores do trabalho:

A valorização da liberdade de imprensa e de expressão como fundamentos da democracia;
o direito do cidadãos à informação e à comunicação e à livre manifestação de opinião e pensamento; a busca do pluralismo regional e da expressão da diversidade social, regional, étnica e cultural do Brasil devem pautar o jornalismo praticado pelos canais da EBC;
a busca da verdade e da precisão, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e à diversidade de opiniões são fundamentos da credibilidade, patrimônio maior da imprensa livre e da comunicação democrática;
a responsabilidade social é condição essencial ao exercício do jornalismo e à liberdade de imprensa;
o respeito aos direitos do cidadão, sem distinção de qualquer natureza e a rejeição de toda e qualquer forma de preconceito são compromissos do jornalismo praticado pela EBC;
a observância da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dos princípios fundamentais da Constituição brasileira e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros são essenciais ao exercício do jornalismo nos canais da EBC;
A preservação da Língua Portuguesa e da Cultura Brasileira, com respeito à diversidade e às identidades culturais são indispensáveis ao exercício do jornalismo nos canais da EBC.
A direção da EBC agrega ainda a estes enunciados os princípios fundamentais da atividade jornalística constantes da Declaração da Unesco sobre o tema, aprovados em 1983 como subsídios para as formulações deontológicas:


Princípio I: O direito dos povos a uma informação verídica - 
O povo e os indivíduos têm o direito de receber uma imagem objetiva da realidade, pelo canal de uma informação precisa e completa, e de se exprimirem livremente por intermédio de diversos meios de difusão da cultura e da comunicação.
Princípio II: O respeito do jornalista pela realidade objetiva 

A tarefa primordial do jornalista é servir o direito do povo a uma informação verídica e autêntica, respeitando com honestidade a realidade objetiva, colocando conscientemente os fatos no seu contexto adequado, salientando os seus elos essenciais, sem provocar distorções, desenvolvendo toda a capacidade criativa do jornalista, para que o público receba um material apropriado que lhe permita formar uma imagem precisa e coerente do mundo, na qual a origem, a natureza e a essência dos acontecimentos, processos e situações sejam compreendidas de uma forma tão objetiva quanto possível.
Princípio III: A responsabilidade social do jornalista

No jornalismo, a informação é compreendida como um bem social e não como um simples produto. Isto significa que o jornalista partilha a responsabilidade da informação transmitida. Por isso é responsável, não só perante os que dominam os media mas, em última análise, perante o grande público, tendo em conta a diversidade dos interesses sociais. A responsabilidade social do jornalista exige que ele aja, em todas as circunstâncias, em conformidade com a sua própria consciência ética.
Princípio IV: A integridade profissional do jornalista

O papel social do jornalista exige que a profissão mantenha um alto nível de integridade. Isso inclui o direito que o jornalista tem de não trabalhar ao arrepio das suas convicções ou de não revelar as suas fontes de informação bem como o direito de participar na tomada de decisões no media que o emprega. A integridade da profissão proíbe o jornalista de aceitar qualquer forma de remuneração ilícita e de promover interesses privados contrários ao bem-estar geral. O respeito pela propriedade intelectual, nomeadamente pela abstenção do plágio, faz igualmente parte do comportamento ético do jornalista.
Princípio V: Acesso e participação do público

O caráter da profissão exige além disso que o jornalista favoreça o acesso do público à informação e à participação do público nos media, incluindo a obrigação de correção ou de retificação e o direito de resposta. 

Princípio VI: Respeito pela vida privada e pela dignidade do homem

O respeito pelo direito do indivíduo à vida privada e à dignidade humana, em conformidade com as disposições do direito internacional e nacional sobre a proteção dos direitos e da reputação de outrem, proibindo a difamação, a calúnia, a injúria e a insinuação malévola, faz parte integrante das normas profissionais do jornalista. 
PRINCÍPIO VII: RESPEITO PELO INTERESSE PÚBLICO 
As normas profissionais do jornalista prescrevem o pleno respeito pela comunidade nacional, pelas suas instituições democráticas e pela moral pública.
Princípio VIII: Respeito pelos valores universais e pela diversidade das culturas
O verdadeiro jornalista defende os valores universais do humanismo, em particular a paz, a democracia, os direitos do homem, o progresso social e a libertação nacional, respeitando ao mesmo tempo o caráter distintivo, o valor e a dignidade de cada cultura assim como o direito de cada povo a escolher livremente e a desenvolver os seus sistemas político, social, econômico e cultural. Assim, o jornalista participa ativamente nas transformações sociais orientadas para uma melhoria democrática da sociedade e contribui, pelo diálogo, para estabelecer um clima de confiança nas relações internacionais, de modo a favorecer em toda a parte a paz e a justiça, o desanuviamento, o desarmamento e o desenvolvimento nacional. Compete ao jornalista, por razões de ética profissional, conhecer as disposições que, a este respeito, estão contidas nas convenções internacionais, declarações e resoluções.
Princípio IX: A eliminação da guerra e outros flagelos que afligem a humanidade

O compromisso ético para com os valores universais do humanismo obriga o jornalista a abster-se de toda a forma de apologia ou de incitamento favorável às guerras de agressão e à corrida aos armamentos, especialmente às armas nucleares, e a todas as outras formas de violência, de ódio ou de discriminação, especialmente o racismo e o apartheid, e incita-o a resistir à opressão dos regimes tirânicos, a extirpar o colonialismo e neocolonialismo, bem como outros grandes flagelos que afligem a humanidade, tais como a miséria, a desnutrição e a doença. Com isso, o jornalista pode contribuir para eliminar a ignorância e a incompreensão entre os povos, para sensibilizar os cidadãos de um país para as necessidades e desejos dos outros, para garantir o respeito pelos direitos e pela dignidade de todas as nações, de todos os povos e de todos os indivíduos, sem distinção de raça, de sexo, de língua, de nacionalidade, de religião ou de convicções filosóficas.
Princípio X: Promoção de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação
O jornalista trabalha no mundo contemporâneo na perspectiva do estabelecimento de relações internacionais novas em geral e de uma nova ordem da informação em particular. Esta nova ordem, concebida como parte integrante da nova ordem econômica internacional, visa a descolonização e a democratização, tanto no plano nacional como internacional, tendo por base a coexistência pacífica entre os povos no pleno respeito pela sua identidade cultural. O jornalista tem o dever especial de promover a democratização das relações internacionais no domínio da informação, salvaguardando e encorajando nomeadamente as relações pacíficas e amigáveis entre os Estados e os povos.”.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MIMO - OLINDA, RECIFE, JOÃO PESSOA

MIMO 2011 - J. Pessoa/PB
www.mimo.art.br

A Mostra Internacional de Música em Olinda - MIMO é um festival de concertos, com grandes apresentações de músicas nas igrejas históricas, nas cidades de Olinda, Recife e João Pessoa, reunindo dois grandes ingredientes: a acústica do ambiente onde é realizado e a alta qualidade da música instrumental. A programação apresenta artistas nacionais e internacionais, concertos de música instrumental do erudito ao popular, agradando a diversos estilos. Apresenta também filmes com a música como tema central. O acesso é gratuito.
Na edição de 2011 conta com grande variedade de atrações dando ênfase à música instrumental. Como parte do evento, a Etapa Educativa proporciona a jovens alunos oportunidades de vivenciar novas experiências.

Dia 8/09/2011 (quinta-feira) - Basílica de Nossa Senhora das Neves, às 20h
Atrações: ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA
Regência Vantoil de Souza.
Solista: Felipe Braz, flauta.

Dia 9/09/2011 (sexta-feira) - Igreja de São Francisco, às 20h
Atrações: BALLAKÉ SISSOKO E VINCENT SEGAL (Mali/ França)

Dia 10/09/2011 (sábado) - Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, às 20h
Atração: ALEX TASSEL (França)

sábado, 2 de julho de 2011

BAIXARIA NA MÍDIA - FÓRUM DE ÉTICA E MÍDIA

BAIXARIA NA MIDIA - FORUM DE ETICA E MIDIA SE PREPARA PARA LANÇAR CAMPANHA NA PB


Baixaria em programas de rádio e TV será combatida na Paraíba

Por: Juliana Lichacovski

http://jornaldaparaiba.globo.com/noticia.php?id=36723

Preocupados com a falta de respeito aos direitos humanos e à dignidade do cidadão em programas de rádio e TV veiculados no Estado, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba (OAB-PB), a Associação Paraibana de Imprensa (API) e o Sindicato dos Jornalistas darão início este semestre à campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”. Na segunda-feira, dia 4, as entidades devem se reunir na sede da OAB-PB para dar início à estruturação da campanha, que será lançada no dia 30 de julho, durante uma audiência na sede da OAB-PB. A ação tem o objetivo de conscientizar as empresas jornalísticas de seu papel social e as empresas patrocinadoras desses programas para a vinculação de sua marca ao incitamento ao crime, atentados aos direitos humanos de minorias, preconceito racial, homofobia, dentre outras violações aos direitos humanos e cidadania propagadas através dos programas.
De acordo com o advogado, membro da Comissão do Fórum de Ética e Mídia da Paraíba e representante da OAB-PB, Alexandre Guedes, a partir do lançamento da campanha, será realizado um acompanhamento permanente da programação de rádios e TVs de todo o Estado. “Vamos publicar uma lista dos programas que incitam o preconceito, a apologia ao crime e não respeita a ética jornalista”, disse. O advogado informou que durante a campanha no Estado, a população também terá meios para denunciar todo e qualquer conteúdo de incitamento ao crime, o preconceito racial e a homofobia, bem como qualquer conteúdo que ataque as minorias, crianças e adolescentes.
Além disso, as entidades que estão à frente do movimento pretendem debater o tema com os anunciantes, que segundo Alexandre Guedes, são os maiores financiadores dos programas que desrespeitam a Constituição, a cidadania e os direitos humanos. Eles serão chamados pela Comissão do Fórum de Ética e Mídia da Paraíba para conscientização quanto ao exercício de sua responsabilidade social e cidadania junto à comunidade. “O trabalho da campanha é estratégico. É muito difícil retirar esses programas do ar por força da autorregulamentação, já que esses programas possuem alta audiência das classes C e D. Nosso objetivo, então, é trabalhar junto às empresas que financiam esses programas para que eles tomem a decisão de colocar um fim nisso, deixando de patrocinar esses programas, que não se sustentam sem seus anunciantes”, explicou o advogado.
Para o coordenador do curso de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Dinarte Bezerra, as empresas de comunicação também devem ser cobradas. “A notícia é uma mercadoria, então, também se deve enquadrar a empresa de Comunicação no Direito do Consumidor”, destacou. A presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), Marcela Sitônio, destacou, porém, que a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” não tem a intenção de ser contra o profissional de Comunicação à frente desse tipo de programação.
“Queremos melhorar a programação no Estado e fazer com que certos temas deixem de ser banalizados”, lembrou a presidente, destacando que após o lançamento da campanha, programada para o dia 30 de julho, uma Comissão, formada por representantes da OAB-PB, Associação Paraibana de Imprensa (API) e Sindicato dos Jornalistas, terá a incumbência de fiscalizar o conteúdo veiculado em rádios e TVs do Estado.
DENÚNCIAS
A campanha ‘Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania’ nasceu em 2002, fruto de deliberação da VII Conferência Nacional de Direitos Humanos e é uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O espírito da decisão foi criar um instrumento que promovesse o respeito aos princípios éticos e os direitos humanos na televisão brasileira. A nível nacional, qualquer conteúdo pode ser denunciado através do número 0800-691-619. A ligação é gratuita.
Segundo o site www.eticanatv.com.br - em 2010 foram fundamentadas 217 denúncias em todo o país. No ranking dos mais denunciados estiveram o programa ‘Pânico na TV’ (Rede TV), ‘Brasil Urgente’ (Band TV), ‘Se liga Bocão’ (Rede TV), ‘A Fazenda’ (Rede Record) e o programa ‘Chumbo Grosso’ (Rede TV).

Peço que visitem meu blog - Esquina do Mundo & Transversal do Tempo: http://jafeguedes.wordpress.com/ - Twitter: @alexandredhpb
(083) 8734-5597 /9607-1952/ 3042-5656 (Convencional)
skype: jafeguedes
msn: jafeguedes@hotmail.com /Facebook: alexandreguedes11@gmail.com /Orkut: alexandreguedes11@gmail.com

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MONOCULTURA DA BAIANIDAD ISOLOU A BAHIA DIZ ALBINO RUBIM


Secretário de Cultura do Estado da Bahia ( foto divulgação )

por Claudio Leal

Vanguardeira dos anos 1950 até a geração da contracultura, a Bahia começou a emitir, na última década, sinais de marasmo. Do teatro à literatura, o Estado se ressente de não revelar novos criadores essenciais para a cultura brasileira e de conviver com a evasão de talentos.

O discurso da "baianidade autossuficiente", aprofundado nos governos sob a liderança política de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), é apontado pelo novo secretário estadual da Cultura, Albino Rubim, como um dos fatores do declínio da força cultural da terra de Gregório de Mattos e Jorge Amado.

- Avalio que o carlismo (corrente política de ACM) foi muito ruim para a Bahia em vários sentidos. Um dos sentidos é que toda a política construída no tempo do carlismo era de uma baianidade autossuficiente, como se a Bahia fosse uma espécie de ilha isolada do arquipélago da cultura (...) Isso empobreceu muito a Bahia, porque cortou muitos laços, trocas e diálogos - analisa o secretário, em entrevista a Terra Magazine.

Rubim avalia que os outros Estados também não produzem movimentos significativos. "Há uma espécie de letargia da cultura brasileira como um todo. Não vejo nenhum movimento muito significativo de renovação. Se você pegar as temáticas que são predominantes, nos filmes que têm mais impacto no Brasil, é a questão da violência", acrescenta o especialista em Política Cultural e ex-diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), escolhido pelo governador reeleito Jaques Wagner (PT) para comandar a secretaria no segundo mandato.

Nesta entrevista, Albino Rubim debate os dilemas culturais da Bahia - da preservação do patrimônio histórico ao Carnaval - e conta quais são os seus projetos para tirar Salvador dessa letargia. No início da gestão, ele encontrou uma dívida de R$16 milhões deixada por seu antecessor, o diretor teatral Márcio Meirelles, cuja passagem pelo cargo foi marcada por críticas de artistas e produtores. Os novos editais foram suspensos até ser finalizado o pagamento dos antigos.

- Nem no plano federal, nem no plano estadual, foi desenvolvida uma política para os artistas, uma política para essa cultura que é mais profissionalizada - pondera o secretário petista, autor do livro "As Políticas Culturais e o Governo Lula" (Ed. Perseu Abramo).

Há seis meses no cargo, ele detalha o programa do governo baiano para revitalizar o Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, um dos principais pontos turísticos da capital, restaurado nos anos 90 pelo então governador ACM. O modelo de ocupação do casario colonial, com a troca de moradores por estabelecimentos comerciais, sempre foi criticado pelos partidos de esquerda.

No governo Wagner, os antigos adversários do carlismo passaram a lidar com o crescimento da violência e do consumo de crack nas vielas da primeira capital brasileira. Agora, um plano de revitalização econômica e arquitetônica começa a ser aplicado, para impedir a degradação do patrimônio.

- A grande questão do Pelourinho, e o plano diz isso, é você reinserir aquele tecido urbano dentro do tecido geral da cidade e criar uma dinâmica para aquilo ali.

A mudança do modelo do Carnaval de Salvador, saturado pelo reinado de grandes blocos e empresários de Axé Music, é outro dos temas que devem marcar o segundo mandato do PT no Estado, embora o governo enfrente barreiras legais para entrar no terreiro municipal.

- Você tem um modelo que precisa ser revisto urgentemente, precisa ser democratizado. Você tem coisas ali... A questão dos horários (dos blocos e trios) precisa ser democratizado, não pode ser da maneira que é, hoje. Mas aí o nosso nível de intervenção é muito limitado - admite Albino Rubim.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - Como o senhor avalia a sensação de que a cultura baiana está em declínio, perdeu sua importância nacional, num processo que viria desde os anos do carlismo (corrente política de Antonio Carlos Magalhães) até os tempos atuais, com o PT?
Albino Rubim - Avalio que o carlismo foi muito ruim para a Bahia em vários sentidos. Um dos sentidos é que toda a política construída no tempo do carlismo era de uma baianidade autossuficiente, como se a Bahia fosse uma espécie de ilha isolada do arquipélago da cultura. Como se a gente tivesse uma cultura própria, da baianidade. Isso não quer dizer que estou falando mal da baianidade em geral, mas de uma determinada visão que promove uma monocultura da baianidade. Isso empobreceu muito a Bahia, porque cortou muitos laços, trocas e diálogos.

Pessoalmente, acho que os momentos mais ricos da cultura, em qualquer lugar do mundo, são os momentos de diálogo intercultural. Na hora que você corta isso e põe uma cultura autossuficiente, que não precisa dialogar com outras, isso empobrece. De outro lado, a própria característica do carlismo, enquanto uma postura autoritária, que não permitia divergência, impositiva, não é nenhum clima razoável para o desenvolvimento cultural. Cria uma cultura de subserviência. É um clima nocivo. Sem dúvida, essas coisas atingiram profundamente a cultura da Bahia.

Certo, mas não houve o fortalecimento do Axé Music no período de Antonio Carlos Magalhães, com a formação de uma indústia na área musical?
Mas, veja, aí eu já acho o seguinte. Não estou defendendo o Axé, mas eu acho que existe também um preconceito enorme de elites intelectuais brasileiras e baianas contra o Axé. Ele tem muitos pontos complicados, mas outros não. Por exemplo, o Axé criou a possibilidade de você desenvolver uma indústria da cultura fora do Rio e de São Paulo. Não vejo isso como uma coisa negativa, pelo contrário, é uma coisa positiva, no sentido de que você descentraliza a possibilidade de uma cultura mais mercantil. O Axé é uma coisa genérica, a gente fala em Axé para designar muitas coisas. Não acho que toda música baiana criada nesse período foi sem qualidade, seja rítmica, seja melódica, seja das letras. Não dá pra generalizar dessa maneira. Sofreu um preconceito grande. E também é um preconceito de quando uma cultura popular cria uma conexão com a indústria. Há uma postura preconceituosa contra esse tipo de conexão.

E o que dizer do papel que a Bahia ocupa, hoje, na cultura nacional? Como ela pode se reposicionar, nacionalmente, como uma difusora importante de cultura? É um papel que ela já teve em outros momentos, a exemplo da vanguarda dos anos 1950 e 60, que foi estudada pelo senhor na universidade.
A questão não é só da Bahia. Vamos ser francos. Existe no Brasil, hoje, uma nítida defasagem entre as transformações que acontecem no País. A gente pode avaliar de várias maneiras, mas são transformações profundas. Não é um elogio, é mais uma constatação. Você tem deslocamentos imensos de contingentes populacionais entre classes. A presidenta atual (Dilma Rousseff) coloca como perspectiva o Brasil sem miséria, o que há um tempo atrás era praticamente impossível considerar dentro do horizonte de possibilidades do Brasil. Era como se não tivesse opção no Brasil, a não ser conviver com a miséria. É um movimento grande. Não estou dizendo que é maravilhoso, que está tudo perfeito, nada disso. É um movimento grande de mudanças no País. Nem tudo é para um caminho positivo, mas há um grande momento no plano econômico, social, a constituição de um mercado interno, coisa que se buscou muitas vezes e nunca se conseguiu... A superação da miséria e a própria expansão da universidade pública, que aconteceu neste último governo.

Mas, o que houve de imperfeito?
Esse processo todo de transformações não acontece em dois âmbitos. No campo da política, ele é muito mais lento. Você sabe que eu sou petista, mas tenho que deixar claro: o PT ficou aquém do que prometia nesse patamar político. A renovação política não correspondeu à renovação socioeconômica, ficou aquém. Espero que possa superar. E você não tem nenhum movimento sociocultural que expresse esse conjunto de transformações. Nos grandes momentos de transformação cultural, no Brasil, ou de transformação sociopolítica - nos anos 30, 50 e 60 -, você teve um movimento cultural junto com essas transformações. É nítido, agora, que nós não temos isso. Esse não é um problema da Bahia, especificamente. Não vejo nenhum movimento cultural no Rio, São Paulo, Minas. Claro, tem algumas experiências significativas, uma coisa ou outra, mas como uma coisa mais consistente, que realmente expresse esse movimento de transformação social, não sinto.

Falta a algumas das leituras críticas da cultura da Bahia uma visão da economia, que é um elemento importante para a cultura?
Veja, você não tem um parâmetro pra dizer: esse movimento não está acontecendo na Bahia, mas está acontecendo em tal lugar, entende? Você tem transformações culturais em determinado período, mas muitas dessas transformações eram conectadas, às vezes de maneira extremamente delicadas, complexas, com um movimento cultural. E nós não temos isso no Brasil de hoje. É uma coisa complicada e muito ruim. Há uma espécie de letargia da cultura brasileira como um todo. Não vejo nenhum movimento muito significativo de renovação. Se você pegar as temáticas que são predominantes, nos filmes que têm mais impacto no Brasil, é a questão da violência.

O debate cultural não deve estar acompanhado de uma discussão sobre as cidades brasileiras? Salvador, por exemplo, está sofrendo uma expansão brutal na área imobiliária, áreas verdes estão sendo perdidas, há um tráfego caótico, o que altera a sociabilidade na capital. A crise das cidades não tem a ver com o sentimento de crise da cultura?
Não é só a questão da especulação imobiliária. Nós estamos passando por uma expansão urbana, no Brasil, que tem um signo muito mais complicado. A cultura baiana tem uma interação grande com a cultura de rua. A vida na rua sempre foi muito forte, muito pujante, e alimentou a cultura baiana...

Em tempos recentes, ainda surgiram o Ilê Aiyê, o Olodum...
Hoje, você tem toda uma transformação de tornar muito hostil a rua. E não só pela questão da segurança, mas pela reconfiguração urbana. Cada vez mais, as ruas são tomadas por tráfego, são tornadas lugares hostis à convivência, à sociabilidade. Se você pensar uma cidade como Salvador, os espaços de convivência de rua são cada vez mais problemáticos. Não vejo como imaginar que isso não tenha impacto sobre a cultura, porque ela tinha essa conexão forte.

Quais vão ser os eixos da sua gestão na secretaria?
Estou trabalhando com três eixos. O primeiro, que talvez seja o mais importante e alimenta os outros: a busca da construção de uma cultura cidadã. Esse movimento de transformação que o Brasil vive tem que ser acompanhado por uma transformação cultural importante, que é a transformação de valores. É fundamental ter condições sociais mais dignas para a população. Mas não se trata só disso. Trata-se de você ter pessoas com cidadania plena, que tenham acesso a cultura e à possibilidade de experimentar, ousar, de serem elas próprias produtoras culturais. Para não seja um mundo racista, homofóbico, machista. Que você não tenha valores de competição, de individualismo extremo... Uma das coisas fundamentais é a busca de uma cultura cidadã.

Como se pode chegar a isso através de políticas de Estado?
Podemos atuar em vários níveis. Você tem que ter apoio a culturas que não sejam pretensamente neutras, que se coloquem a favor de valores mais democráticos, que apontem para um modelo civilizatório outro. Não tem que ter política cultural neutra. Tem que ter escolha, opção, se colocar a favor de determinadas coisas e contra outras. Não se deve apoiar uma cultura racista, homofóbica. Acho claramente isso. A construção da cultura cidadã implica em tomar partido. Uma outra coisa é reconectar a diversidade cultural, com uma defesa clara da diversidade, mas mais do que isso, fazer com que essa diversidade troque, negocie. Devemos criar um patamar de intercâmbio entre as várias culturas existentes, uma defesa da interculturalidade.

Quais são os outros pontos?
O segundo ponto é essa questão das trocas culturais. E o terceiro ponto é a busca de novos modelos de organização, de produção, de negócios na área da cultura. Quer dizer, você tem uma situação de uma cultura mais mercantil, totalmente absorvida dentro da lógica de mercadoria, subordinada aos interesses das empresas, das indústrias culturais. De outro lado, você tem outras dinâmicas culturais muito frágeis, que não encontram formas de organização alternativas e modelos de negócios novos. Uma das maneiras de você chegar a uma cultura cidadã é tentar ao máximo buscar novas modalidades de organização da cultura, de distribuição cultural, de negócios culturais. Porque essa cultura tem que ter níveis de sociabilidade. Não adianta você trabalhar só no plano dos valores, da interculturalidade, se você não cria dinâmicas de sustentabilidade, que permitam sair do padrão de uma cultura puramente mercantil.

O que está entre as suas prioridades?
Das prioridades, tem também o seguinte: vamos manter o projeto de territorialização da cultura.

Interiorização?
Eu prefiro dizer "territorialização". Por quê? São dois movimentos. De um lado, você precisa fazer com que determinada cultura, mais profissionalizada, que não é a espontânea e popular... É preciso fazer com que todos tenham acesso a essa cultura, levar a todos os territórios. Por exemplo, ao cinema, ao teatro. Que isso seja possível em todos os territórios. Um grande processo de democratização da cultura. De outro lado, a territorialização implica no reconhecimento de que todos os territórios são lugares de produção da cultura. E devem ser reconhecidos e respeitados. Esse processo não é só na sua relação com o interior. Porque, por exemplo, isso vale inteiramente para as periferias da cidade.

Agora, isso não é uma mudança de enfoque, se compararmos com a gestão anterior, do ex-secretário da Cultura Márcio Meirelles? Houve vários choques de artistas, dos setores profissionalizados, com o governo. Houve um exagero nessa "interiorização", em detrimento do que já estava profissionalizado?
Não acho que houve. Porque se a gente pegar dados econômicos, o que é destinado hoje pra essas regiões, pra esses territórios, não é nenhuma coisa tão gigantesca, para que leve a essa reação dos artistas. Faltou uma outra coisa, que não foi só da Bahia, mas uma coisa nacional. (Gilberto) Gil fez um deslocamento, que eu acho corretíssimo, de dizer que o ministério é para a sociedade brasileira, não mais um ministério com os artistas como público prioritário. Isso é correto. O problema é que se você tira os artistas do público preferencial do ministério, você tem que dizer, na nova política, qual é o papel dos artistas e dos criadores, já que não é aquele papel anterior. Nem no plano federal, nem no plano estadual, foi desenvolvida uma política para os artistas, uma política para essa cultura que é mais profissionalizada.

O que passou a ser feito para o setor profissional?
Uma das preocupações que estou tendo é com o teatro e o audiovisual, porque são áreas potencialmente profissionalizadas. Algumas fatias da música baiana já são profissionalizadas. Essas se garantem até independente do Estado. Outras áreas de culturas populares, o Estado tem que bancar mesmo, porque não têm nenhuma perspectiva imediata ou próxima de profissionalização, de ter um mercado próprio. No caso do teatro e do audiovisual, eu acho que podem. Tem que ter políticas para essas áreas. E não tinha. Na gestão anterior, por exemplo, um dos grande setores que fazia oposição, que estava criticando Márcio (Meirelles), era exatamente o pessoal do teatro. O que eles diziam? "Não tem política para o teatro profissional. Tem edital de teatro, mas com valores irrisórios, que não fomentam o teatro profissional, mas podem até ajudar o amador, o de rua". Acho que essas críticas tinham uma certa razão.

Os artistas profissionais do teatro e do audiovisual são muito beneficiados por editais e leis de incentivo, mas houve atrasos nos pagamentos desses recursos, ou por cortes orçamentários ou pelo cumprimento...
Aí eu não acho, não. Não foi só uma questão de cortes orçamentários. Recebi uma dívida de R$ 16 milhões. Essa dívida não é provocada apenas por falta de recursos. O conjunto desses atrasos se deve a uma dificuldade de processamento. Estamos num grande processo, que estou chamando de "reforçar a institucionalidade cultural". Quando falo em institucionalidade cultural, é também modernizar o Fundo de Cultura. O Fundo de Cultura e o Fazcultura (lei de incentivo estadual) não são informatizados. Eram e são feitos a mão! Eles têm que ser informatizados. Uma das prioridades é reforçar novas estruturas e modernizar a administração. Quanto aos atrasos, quando cheguei lá, disse: "Não vou abrir nenhum edital sem que a gente tenha pago uma boa parte do que a gente está devendo". Já pagamos 70% das dívidas.

Essas dívidas acumuladas dificultam em que medida a fase inicial de sua gestão?
Tive que tomar uma atitude chata: "Não vamos abrir nenhum edital". A comunidade cultural sempre quer saber de editais novos, são recursos que vão sendo colocados. Tive uma decisão de dizer: "Não vou ficar abrindo editais sem pagar os anteriores". Eu abri edital agora, no meio do ano. Quer dizer, eu poderia estar abrindo desde fevereiro ou março. É um certo desgaste, porque as pessoas não querem saber muito por quê. Querem saber que tenha. Não é simples.

Logo quando o senhor assumiu, em janeiro, houve um abaixo-assinado de museólogos, criticando a gestão centralizadora dos museus baianos...
É, nós mudamos essa área de museus e colocamos uma professora aposentada da Ufba, Maria Célia Teixeira, uma pessoa com uma relação muito grande com as políticas nacionais, com o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), com a relação entre museus e educação... E colocamos, entre um dos pontos centrais nossos, para este ano, a criação do Instituto Baiano de Museus. Já fizemos discussão pública, o governador (Jaques Wagner) já aprovou, estamos ultimando o projeto pra mandar pra Casa Civil e, depois, pra Assembleia Legislativa.

O que vai ser alterado? Os museólogos criticavam o antigo diretor de museus (Daniel Rangel)...
Eles criticavam a política de museus...

E também as exposições com altos valores, em detrimento de investimentos em outros museus...
Exatamente, em detrimento de outros museus que não recebiam nada. Não me interessa ficar criticando para trás, não é positivo. Quero ir adiante. O Ibram tira os museus do âmbito do Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural). Quando eu assumi, fui conversar com Frederico Mendonça, o diretor do Ipac. A primeira coisa que ele me disse foi marcante: "Secretário, o Ipac são três". Mas, três como? "Temos a área de patrimônio, aquilo que deveria ser o Ipac, temos a área do Pelourinho cultural, pois somos responsáveis por toda a programação cultural do Pelourinho, que não é da competência específica do patrimônio, e nós temos os museus." Isso me marcou. Nós vamos restituir ao Ipac aquilo que é do Ipac. Tiramos essa área de programação do Pelourinho e criamos o Centro de Culturas Populares Identitárias.

Esse centro passou a ser responsável, na secretaria, por toda a área identitária. As festas populares estão dentro desse centro. Fizemos uma reforma administrativa, pequena ainda, feita num ano que não tem muitos recursos. O orçamento é pequeno e tivemos que adaptar a reforma. Mas já apontou para algumas coisas. Estamos querendo mudar, depois, o Instituto Baiano de Museus. Nós temos um parque de museus, no Estado, seja de propriedade do Estado ou que estejam no Estado da Bahia, que precisa de um instituto que cuide especificamente da política de museus. Como aconteceu no plano nacional, no governo Lula, com o Ibram. Se a gente fizer isso, vai ser o primeiro instituto estadual de museus.


Terra Magazine

terça-feira, 14 de junho de 2011

MARCHA DAS VADIAS EM RECIFE -Pe.

por Jorge Cavalcante

Descontração na Marcha das Vadias do Recife
Passeata saiu da Praça do Derby com cartazes bem humorados para acalmar os MACHISTA de plantão.

Depois de passar por cidades como São Paulo e Brasília, a Marcha das Vadias ganhou este sábado (11) as ruas do Recife. Cerca de 200 pessoas deixaram a Praça do Derby, área central do Recife, e percorreram a Avenida Conde da Boa Vista. Nas roupas e cartazes, bom humor e descontração contra o machismo.

"Respeito é sexy” e “vaginas livres, corações rebeldes” eram algumas das inscrições estampadas. A concentração começou às 15h. Aos poucos, jovens foram chegando. Sozinhos ou em grupos. Depois de quase duas horas, saíram em passeata.

A Marcha das Vadias surgiu no dia 3 de abril deste ano, em Toronto, Canadá, com a expressão SlutWalk. Na primeira edição, a manifestação defendeu o direito das mulheres de se vestir, andar e agir de forma livre.

Elas prostetaram contra um policial que, numa palestra, sugeriu que as alunas deveriam evitar se vestir como “vagabundas” (“slut” em inglês) para não serem vítimas de abuso sexual.

Desde então o movimento cresce na internet e redes sociais, numa espécie de queima dos sutiãs nos dias de hoje. Idealizador da Marcha das Vadias no Recife, o estudante de ciências sociais Pedro Jesus, 28, (apesar da aparência, ele tem mesmo Jesus no nome) começou a articular a passeata há uma semana, por meio do Facebook.

"Assim que fiquei sabendo do que ocorreu no Canadá, pensei que seria uma boa trazer a discussão para cá”, contou ele, que adora uma marcha. Ele também marcou presença na Marcha da maconha, no mês passado.

MÍDIAS PÚBLICAS EM SEMINÁRIO INTERNACIONAL

Seminário internacional discute desafios das mídias públicas
A Representação da UNESCO no Brasil e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC)/TV Brasil realizam, nos próximos dias 30 de junho e 1º de julho, o Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios e Oportunidades para o Século XXI.

O evento reunirá, na sede da EBC, em Brasília, alguns dos maiores especialistas internacionais em radiodifusão pública, representantes de entidades e dirigentes de empresas de comunicação da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa.

O evento debaterá experiências de comunicação já implantadas e o futuro destas mídias no século que se inicia, marcado por grandes transformações tecnológicas que têm impacto nas comunicações em geral. Entre os temas a serem discutidos estão os modelos de gestão, os modelos de financiamento, transparência, accountability e autoregulação, manuais de jornalismo público, produção de conteúdos e programação.

O Seminário será aberto no dia 30/06, às 9h, em mesa que terá a participação da Ministra-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, do Representante-Adjunto da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, da Presidente do Conselho da EBC, Ima Guimarães Vieira, e da Diretora Presidente da EBC, Tereza Cruvinel.

Lançamento de publicação internacional

No dia 30/06, às 10h, será realizada a mesa “Mídia pública no século XXI – Análise Comparada” com o especialista internacional da UNESCO, Toby Mendel, o especialista latino-americano Valério Fuenzalida, da Universidade Católica do Chile, e Murilo Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), tendo como moderador o Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela.

Na ocasião será lançada, regionalmente, a publicação Public Service Broadcasting: a comparative legal survey (Radiodifusão Pública: um estudo de direito comparado), de autoria de Toby Mendel. Esta é a segunda edição, revista e ampliada, de estudo clássico de Mendel sobre o tema, o qual aborda a questão em países como Austrália, Canadá, França, Japão, Polônia, África do Sul, Tailândia e Reino Unido.

Toby Mendel é também autor, em conjunto com Eve Salomon, do estudo O Ambiente Regulatório para a Radiodifusão: uma Pesquisa de Melhores Práticas para os Atores-Chave Brasileiros, que foi lançado em março passado pela UNESCO no Brasil. O estudo é uma investigação da atual situação regulatória do sistema midiático brasileiro em comparação com práticas correntes em 10 outras democracias (África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia) e com o recomendado pela legislação internacional.

Programação

Ainda no primeiro dia do Seminário, às 14h 30, acontecerá uma mesa sobre Modelos institucionais: gestão e financiamento com a presença de Alexander Shulzyck, da European Broadcasting Union (União de Radiodifusão Européia), Tarja Turtia, da Divisão de Liberdade de Expressão do Setor de Comunicação e Informação da UNESCO, e Tereza Cruvinel.

Às 16h30, uma discussão sobre Transparência, accountability e autoregulação reunirá Eugênio Bucci, professor da Universidade de São Paulo e consultor da UNESCO, Alicia Shepard, ombudswoman da National Public Radio, de Washington, Estados Unidos, e Germán Rey, especialista colombiano e professor da Universidade Javeriana.

O evento terá ainda, em seu segundo dia, palestras de especialistas tais como Bettina Peters, do Global Forum for Media Development (Fórum Global para o Desenvolvimento da Mídia); Matthew Powers, da Universidade de Nova York; Soren Johannsen, da BBC World Trust; Lumko Mtimde, da Media Development and Diversity Agency (Agência de Desenvolvimento da Mídia e Diversidade), África do Sul; Florencia Ripani, especialista em convergência e meios públicos, da Universidade de Palermo, Itália; Adelaida Trujillo, Diretora da Citurna Producciones e da La Iniciativa de Comunicación - Gestoras do “Compromisso Nacional por uma TV de Qualidade para a Infância na Colômbia” e Franklin Martins, jornalista e ex-Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O Seminário Internacional de Mídias Públicas: desafios e oportunidades para o século XXI será transmitido, integralmente, pela webcast da EBC e pelo canal internacional da TV Brasil.


Mais informações
UNESCO no Brasil – Assessoria de Comunicação
Ana Lúcia Guimarães - (61) 2106 3536, ana.guimaraes@unesco.org.br
Isabel de Paula – (61) 21063538, isabel.paula@unesco.org.br

Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Comunicação Social: 61- 3799- 5231 e 3799-5234.

13.06.2011
Source : UNESCO Office in Brasilia UNESCO Office in Brasilia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CURSO DE GESTÃO POLÍTICA NO SEBRAE

terça-feira, 14 de junho de 2011
Curso Gestão e Políticas Culturais

Acessem e inscrevam-se: https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dHhBT1RlWm80RWtDSTNNZTNvYjJkNnc6MQ&ifq
programação abaixo.
CURSO GESTÃO E POLÍTICAS CULTURAIS 4 a 8 de julho de 2011 – Auditório Master – SEBRAE Realização: Instituto Itaú Cultural Promoção: Governo da Paraíba – Secretaria de Estado da Cultura Apoio: Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE)

PROGRAMAÇÃO

04/07/2011 (segunda-feira)
Manhã: Políticas Culturais no Brasil (Antônio Albino Rubim – BA)
Tarde: Enlaces Contemporâneos da Cultura (Paulo Migues – BA)

05/07/2011 (terça-feira)
Manhã: Produção Cultural: Relações e Processos de Trabalho (Rômulo Avelar – MG)
Tarde: Produção Cultural: Relações e Processos de Trabalho (Rômulo Avelar – MG)

06/07/2011 (quarta-feira)
Manhã: Políticas e Gestão: Desafio da Sustentabilidade dos Projetos Culturais (Cláudia Leitão – CE)
Tarde: Economia Criativa (Cláudia Leitão – CE)

07/07/2011 (quinta-feira) Manhã: Direitos Autorais (Sérgio Vieira Branco – RJ)
Tarde: Cultura, Tecnologia, Redes Criativas e Redes Sociais (Cláudio Rodrigues – MG)

08/07/2011 (sexta-feira) Manhã: Políticas, Gestão e Direitos Culturais (Bernardo Mata Machado – MG) Tarde: Entrelaçamento Cultural e Economia nas Gestões Pública e Privada (Ana Carla Fonseca – SP)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ADEUS AO MESTRE ABIDIAS DO NASCIMENTO

Pela ativista e produtora cultural Roberta Martins

Abdias do Nascimento esteve por aqui desde o distante 1914 até agorinha em 2011, viveu muito... e em seus bem vividos 97 anos, foi um exemplo de firmeza e coerência e no mais perfeito sentido, um grande Mestre. Sempre um protagonista em suas múltiplas atividades, seja como dramaturgo, ator, acadêmico, político, artista plástico, poeta... E mais, como poucos no Brasil, Abdias do Nascimento associou de maneira indivisível o fazer artístico a uma proposta política, sempre se colocando como um combatente na luta contra a discriminação racial e pela valorização da cultura negra.

Como disse Nei Lopes: "Abdias é o elo maior do nosso movimento negro, levando em conta que ele é do início do século passado, quando a discriminação era ainda mais clara. Mesmo hoje, um pouco debilitado [pelas condições de saúde], quando ele abre a boca, sabemos que é o nosso baobá [árvore sagrada no candomblé], guarda toda a vida e história de nossa africanidade".

A militância política de Abdias vem da juventude na década de 1930, desde aquela época refletindo os desafios da vida em um Brasil racista. Integrou a Frente Negra Brasileira, a mais importante entidade negra na primeira metade do século XX no campo sócio-político. Participou dos primeiros congressos de negros no país em que tinham como objetivo discutir formas de resistência à discriminação racial e da fundação do jornal Quilombo e do Museu de Arte Negra.

As origens da participação política de Abdias se encontram no racismo brasileiro e sua combatividade, sem dúvida, reflete a sociedade dos anos 30, mas é viajando pela América Latina, no início da década de 1940, que o Mestre associa de maneira determinante cultura, política e a questão negra. Em especial em sua passagem pelo Peru, quando assiste ao espetáculo O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, e vê o personagem central ser interpretado por um ator branco tingido de negro, o que também acontecia no Brasil, fortalecendo a determinação de criar um teatro que valorizasse os artistas negros. Após ter estudado no Teatro Del Pueblo de Buenos Aires, ao retornar ao Brasil em 1941, Abdias é preso por crime de resistência. Ao cumprir pena na penitenciária do Carandiru, organiza um grupo de presos que escrevem e encenam os próprios textos e funda o ‘Teatro do Sentenciado’.

Anos depois em 1944, com o objetivo de valorizar o negro no teatro e a criação de uma nova dramaturgia, inicia o Teatro Experimental do Negro – TEN, que fez mais do que levar negros aos palcos, significou uma iniciativa pioneira, que mobilizou a produção de novos textos e propiciou o surgimento de novos atores e grupos. Além disso, disseminou uma discussão que permaneceria em aberto: a ausência do negro como atores e nas histórias contadas pela dramaturgia em um país de forte traço cultural negro.

O Teatro Experimental do Negro não se limitava ao campo artístico, suas ações incluíam ações de conscientização e também de alfabetização do elenco recrutado, entre os quais: operários, empregadas domésticas, favelados sem profissão definida, estivadores e trabalhadores pobres. Experiências político-culturais que integravam arte, cultura e promoção cidadã, que representou uma forma revolucionária de denunciar o racismo no país.

Há ainda muito que falar do Grande Mestre e mais uma vez intimamente relacionado à política, pelo exílio imposto pela ditadura militar instaurada em 1964, que o faz permanecer treze anos fora do Brasil. Intensificou a produção como artista plástico, em que se dedicou à pintura relacionada à cultura religiosa afro-brasileira e a atuação como conferencista e professor universitário, voz potente na denúncia contra a discriminação racial, nos anos 1970. Período em que foi professor na Universidade do Estado de Nova Iorque, onde fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo, e como professor visitante nas Universidades de Yale e no departamento de línguas e literaturas da Universidade de Ifé, na Nigéria. Tornou-se, a partir daquele momento, presença constante em congressos e fóruns de debates anti-racistas nos Estados Unidos, na África e no Caribe, como o primeiro pan-africanista brasileiro.

No retorno ao Brasil, optou pela carreira política partidária, exercendo mandatos de deputado federal e senador da república pelo PDT, e os cargos de secretário de Estado de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras e de Cidadania e Direitos Humanos, ambos no governo do Estado do Rio e Janeiro. Sempre afirmando a importância da cultura negra na sociedade.

A longa e intensa vida do Mestre Abdias do Nascimento foi sem duvida a trajetória de um grande homem da cultura, um líder guerreiro da luta pela afirmação dos direitos dos descendentes de africanos no Brasil e em todo o mundo. Mais uma vez, me utilizo das palavras de Nei Lopes:

Quando um guerreiro parte (Abdias Nascimento)

Quando parte um guerreiro
O que se há de fazer senão cantar-lhe
Os cânticos de guerra que entoava?

O que se há de fazer
Senão soar os tambores que soava
Chacoalhando-lhes as soalhas
Aos ouvidos moucos da pequenez
E da indiferença
Para que todos saibam
Que um Herói ali vai ?!

O que se há de fazer
Senão imaginá-lo
Transpondo
Os limites da existência palpável
Para, novinho em folha,
Começar tudo de novo
Do outro lado do Tempo?

ADEUS, QUERIDO MESTRE!!!

*Roberta Martins é produtora cultural

Fontes:
- www.abdias.com.br, acesso em 26/05/2011
- http://www.neilopes.blogger.com.br/, acesso em 30/05/2011
- SEMOG, Ele. Abdias Nascimento - O Griot e as Muralhas. Editora Pallas, 2006.
- ALMADA, Sandra de Souza. Abdias Nascimento. Coleção: Retratos do Brasil Negro. Selo Negro. Editora: Summus. 2009.

DRAMATURGIA - LEITURAS EM CENAS ¨VIDA NOTURNA¨.

Já encontra-se definida como uma das atrações da Mostra Dramaturgia – Leituras em Cena, que acontecerá entre os dias 14 e 17 de junho, no Teatro Lima Penante, ligado ao NTU- Núcleo de Teatro Universitário da UFPB – Universidade Federal da Paraíba. O evento é promovido pelo Sesc de João Pessoa, através do Setor de Cultura, finalizando o processo desencadeado pela oficina “Dramaturgia – Leitura em Cena” com André Paes Leme, realizada durante o mês de maio no Auditório do Sesc Centro.

A apresentação de “ Vida Noturna” acontecerá no dia 15 de junho, às 19 horas, com entrada gratuita.

“VIDA NOTURNA” é uma adaptação dos contos “Um orelhão toca na noite” e “Não é assim a vida?”, do escritor paraibano Geraldo Maciel, falecido em Maio de 2009.

No primeiro momento, a narrativa descreve um jornalista em crise com todas as questões que envolvem sua profissão: ética, justiça, responsabilidade, concessões, violência, sensacionalismo e prostituição infantil.

E na seqüência, um repórter (estagiária) faz uma entrevista com algumas prostitutas, onde são relatadas as adversidades dessa profissão: problemas com a polícia, drogas, alcoolismo, concorrência com outras(os) profissionais da área, fantasias, dentre outras.


Proposta


A escolha desses contos tem como proposta:

Homenagear o contista paraibano Geraldo Maciel, falecido em maio de 2009.

Voltar nosso olhar para problemas sociais do nosso país, em especial, a prostituição infantil.

Experimentar ritmos e gêneros diferenciados de narrativa (drama e comédia).



A programação geral da Mostra Dramaturgia – Leituras em Cena, está assim distribuída:


Mostra " Dramaturgia - Leituras em Cena "

Teatro Lima Penante


Data: 14 a 17 de Junho

Horário: 19:00 hs


Leituras:



NUA NA IGREJA

Texto de Tarcisio Pereira

Diretor: Nelson Alexandre

Data: 14/06



Elenco: Elba Góes

Raquel Ferreira

Tiago Herculano

Wallyson Rodrigues

Márcio Barcellar

Mércia Cartaxo

Participação Especial: Maronilton Henrrique


CONTOS "VIDA" NOTURNA

Texto de Geraldo Maciel

Diretor: Sergio Silva

Data:15/06

Elenco: Tércia Santos Lima

Aparecida Melo

José Sócrates C. L. Silva

Camila Débora Torres

Nara Limeira

Márcio Lins

VAMOS NESSA

Texto de Paulo Vieira

Diretora: Suzy Lopes

Data:16/06

Elenco: Natália Sá

Kassandra Brandão

Glaydson Gonçalves

Suellen Brito

Edmilson Santos

Jamila Facury


ESPERE A CHUVA

Texto de Tarcisio Pereira

Diretor: Antônio Deol

Data:17/06



Elenco: Janielle Araújo

Wilmarks Camilo

Crislane Araújo

José Carlos dos Santos Lima

Dian Ushita Lacerda

Adriana Zenaide Vieira de Melo


Programação:

Data: 14/06

Horário: 20:00 hs

Roda de Conversa:


Tarcisio Pereira e Nelson Alexandre Conversam sobre " Nua na Igreja" de Tarcisio Pereira ,após leitura.


Data: 15/06

Horário: 20:00 hs

Roda de Conversa:
Nara Limeira e Sergio José conversam sobre os Contos " Vida" Noturna de Geraldo Maciel, após leitura.
Data: 16/06

Horário: 20:00 hs
Roda de Conversa:

Suzy Lopes e Paulo Vieira Conversam sobre " Vamos Nessa" de Paulo Vieira, após Leitura.

Data:17/06

Horário: 20:00 hs
Roda de Conversa:
Antônio Deol e Tarcisio Pereira conversam sobre " Espere a Chuva" de Tarcisio Pereira, após a Leitura


Realização: Sesc

Maysa Romão

Assessoria de Comunicação

(83) 88217124 begin_of_the_skype_highlighting              (83) 88217124      end_of_the_skype_highlighting / (83) 32083158 begin_of_the_skype_highlighting

quarta-feira, 1 de junho de 2011

DIA INTERNACIOANL DAS PROSTITUTAS- 02 DE JUNHO. MULHERES SOMOS TODAS IGAUIS NÃO IMPORTA A PROFISSÃO.

Dia Internacional das Prostitutas é comemorado nesta 5ª na Capital
Uma programação educativa, esportiva e cultural vai comemorar o Dia Internacional das Prostitutas nesta quinta-feira (2), a partir das 9h, na Rua da Areia, Centro. O evento se estende até a noite com shows das bandas Caronas do Opala e Clube do Chorinho.

A programação, organizada pela Associação das Profissionais do Sexo (Apros/PB) e Agência Ensaio de Fotojornalismo também insere distribuição de mudas de plantas, tenda da beleza, galeria de rua, poesias, oficinas de beleza, cinema de rua, serviços de saúde, roda de diálogo e a tradicional Corrida da Calcinha, que reúne diversos atletas da Paraíba.

Segundo a presidenta da Apros/PB, Luza Maria, o evento tem sua importância social por trazer a discussão sobre a prostituição na cidade e a e a vida dessas mulheres. “Trazer a sociedade para dentro da zona é uma forma de dizer e mostrar que as prostitutas não são mulheres marginalizadas. São mulheres de direitos como qualquer outra”, disse Luza Maria.

A Rua da Areia recebe gente de todo o mundo e, de acordo com a presidenta da Apros, o evento é uma oportunidade de dar visibilidade a esse movimento das associações que vem trabalhando de forma sistemática na prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

O evento conta com o apoio da Prefeitura de João Pessoa (PMJP) e é coordenado pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ARTE NAÏF PARAIBANA PERDE ALBA CAVALCANTI

Faleceu artista plástica itabaianense, mestra da pintura de Arte Naïf no Brasil

Faleceu neste sábado (28), em Barra de São João (RJ) a artista plástica Alba Cavalcanti, irmã do também pintor Otto Cavalcanti.

Alba é considerada uma das melhores pintoras de Arte Naïf do Brasil. Alba Cavalcanti nasceu em Itabaiana,na Paraíba onde morou por muito tempo na Praça Epitácio Pessoa. Tinha mais quatro irmãos, sendo um deles o também artista plástico Otto Cavalcanti. Perdeu seus pais ainda criança e foi criada por Jane Cavalcanti, sua irmã mais velha. O seu curso secundário foi feito no Colégio Sagrada Família em Recife, onde estudou interna. Sua família mudou-se para João Pessoa e lá ela trabalhou como funcionária pública estadual. Em 1965 fixou residência no Rio de Janeiro.

Autodidata e dona de uma criatividade exuberante, foi uma costureira que criava os seus próprios modelos para suas clientes. Só em 1984 descobriu a sua tendência para a pintura quando, por acaso, as cinzas de um cigarro caídas em um papel formaram figuras estranhas. Isso despertou a sua criatividade para essa arte e passou a fazer desenhos com cinzas contornadas com carvão de pedra sobre papel. O próximo passo foi trabalhar com pastel seco colorido sobre papel e, em seguida, tinta acrílica sobre tela.

Alba Cavalcanti começou a expor em 1986 no Rio de Janeiro e a partir de então outras importantes exposições se seguiram: Curitiba, Brasília e, no exterior, em Roma e Genova na Itália, Paris, Lagrasse e Béraut na França, Bratislava na Eslováquia, Tóquio no Japão, Figueras e Barcelona na Espanha, Lausanne na Suiça, Nova York e Washington DC nos Estados Unidos, Porto Príncipe no Haiti, e também a participação da Copa do Mundo na Alemanha em 2006.

Suas telas em estilo naïf, são inspiradas em temas folclóricos nordestinos e cariocas, e estão expostas no MIAN – Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, Rio de Janeiro, no Musée d'Art Naïf de Max Fourny, Paris, no Museu Banespa, São Paulo, no MAN –Museu d'Art Naïf de Figueras, Espanha e no Le Casino de Lagrasse, França.

www.itabaianapbmemoria.blogspot.com

DEMOCRATIZAR E REGULAMENTAR A COMUNICAÇÃO JÁ

Democratizar a comunicação é avançar na cidadania
Nesse sábado último 28 de maio, o Forúm de Mídia Paraibano esteve reunido mais uma vez para tratar de propóstas pós I CONFECOM ,o que não quer calar para nós agentes culturais e movimentos sociais representantes do povo e sociedade civil em geral, é que passados tanto tempó, e das 700 propostas prioritárias aprovadas na I CONFECOM, NADA AINDA FOI FEITO PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO, REGULAMENTAÇÃO E conselho de comunicação aqui na Paraíba.

Para começar bem a semana ,temos a entrevista da jornalista e professora da Unicap Universidade Católica de Pernambuco, Ana Veloso concedeu a Bia Barbosa, do Intervozes, para a Agência Patrícia Galvão.

À entrevista, pois:

‘É urgente que o poder sobre os meios de comunicação seja democratizado’

Sex, 27 de Maio
(Agência Patrícia Galvão) Ultrapassada e pouco democrática, a legislação que hoje rege o setor das comunicações tem se mostrado um entrave não apenas para o desenvolvimento da própria mídia no país como também um obstáculo considerável para a consolidação da democracia brasileira. Em 2009, mais de 30 mil pessoas participaram da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que teve entre suas principais resoluções a necessidade da construção de um novo marco regulatório para o país. A tarefa está a cargo do Ministério das Comunicações, comandado por Paulo Bernardo, que no início de seu mandato afirmou que esta seria uma de suas prioridades.

Ao final do governo Lula, um anteprojeto de lei, coordenado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, foi encaminhado à equipe da presidenta eleita Dilma Rousseff. Até agora o texto não foi tornado público. Organizações da sociedade civil e movimentos sociais têm cobrado do governo a abertura do debate com a população.

Na última semana, no seminário “Marco Regulatório: propostas para uma comunicação democrática”, organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) no Rio de Janeiro, dezenas de entidades afirmaram que esta deve ser a principal tarefa posta para o Ministério das Comunicações, juntamente com políticas que garantam a universalização do acesso à banda larga. “Este novo marco regulatório deve abranger todo o setor de comunicações, dando conta do processo de convergência e estabelecendo regras que afirmem a liberdade de expressão e o direito à comunicação de toda a população, buscando garantir a pluralidade e a diversidade informativa e cultural”, disseram em nota.

Nesta entrevista, a jornalista Ana Veloso, professora da Universidade Católica de Pernambuco, colaboradora do Centro das Mulheres do Cabo (PE) e representante da sociedade civil no Conselho Curador da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), levanta os principais pontos que um novo marco regulatório deveria tratar. E fala da importância desta pauta para a conquista dos direitos das mulheres.

Por Bia Barbosa

1 – Desde a I Conferência Nacional de Comunicação, cresceu na sociedade brasileira a demanda por um novo marco regulatório nas comunicações. Por que, na sua avalição, esta pauta se mostra urgente?

Ana Veloso - A pauta é urgente, uma vez que a sociedade brasileira espera que o poder sobre os meios de comunicação possa ser compartilhado, democratizado. É urgente para que outras vozes possam circular nos meios de comunicação no país. A sociedade brasileira demonstrou, na I Confecom, que quer participar do processo. É absolutamente contraditória, em um país que quer ser democrático, a permanência de poucas famílias no controle da produção e distribuição de conteúdos na mídia privada. Está ficando cada vez mais insustentável, politicamente e socialmente, que poucos senhores continuem ditando as regras do que pode ou não ser pautado na esfera pública do rádio e da televisão. Poderíamos começar regulamentando os artigos que tratam da comunicação na Constituição de 1988. É escandalosa a relação entre muitos parlamentares e as concessões de rádio e televisão no Brasil. A regulação dos meios de comunicação no Brasil poderá, inclusive, evitar que alguns programas e veículos, imersos em uma situação de quase absoluta falta de regras, utilizem o argumento do exercício da liberdade de expressão para violar os direitos humanos das mulheres.

2 – Que pontos centrais precisariam ser mudados no novo marco?

Ana Veloso - Considero que o novo marco deve ser incisivo com relação a algumas questões:
1) Programas/veículos/emissoras que violem direitos humanos devem ser imediatamente retirados do ar e as emissoras precisam sofrer penalidades, como aconteceu com as violações praticadas pelo programa Tarde Quente (RedeTV!), do apresentador João Kleber, que resultou no caso “Direitos de Resposta”;
2) As regras para as concessões não devem privilegiar os critérios econômicos, como estudos comprovam. A definição dos critérios para obtenção de uma outorga deve ser feita em grupos de trabalho, com representantes escolhidos/eleitos/indicados pela sociedade, veículos e Estado, refletindo a diversidade da sociedade brasileira;
3) Toda renovação das concessões deve passar por uma análise de como aquela emissora prestou o serviço de radiodifusão naquele período; esta análise deve ser feita pelo Estado e ouvir também representantes escolhidos/eleitos/indicados pela sociedade brasileira;
4) Regulamentar o direito de resposta, que foi desregulado com a queda da Lei de Imprensa;
5) A questão da publicidade também é um ponto central: a legislação afirma que só podemos ter 25% do tempo da grade de programação ocupado por propaganda, mas estudos comprovam que o percentual veiculado é bem maior;
6) Outra questão que tem que ser enfrentada é a sublocação da grade de programação para veiculação de programas religiosos, um dos problemas mais graves da ausência de uma regulação consistente no setor;
7) O papel dos órgãos fiscalizadores deve ser revisto, uma vez que a Anatel, por exemplo, demonstra alto rigor com as rádios comunitárias enquanto as emissoras comerciais desrespeitam impunemente a legislação;
8) O marco legal deve indicar ainda formas de financiamento para as mídias comunitárias, educativas e públicas, como fundos públicos constituídos com percentuais dos altos lucros e/ou impostos que as empresas privadas deveriam recolher;
9) Por fim, é preciso regulamentar o Artigo 221 da Constituição e garantir a veiculação de produção independente e regional na TV, com a implementação do percentual de 40% de programação regional nas emissoras, como propõe o projeto da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), há cerca de 20 anos em tramitação no Congresso Nacional.

3 – Como conselheira da EBC, você acredita que as emissoras públicas de rádio e televisão também precisam de uma nova regulamentação para se fortalecerem?

Ana Veloso - Considero que sim. Não sei se haveria possibilidade de uma uniformização na legislação, uma vez que as emissoras estaduais têm ordenamento próprio. Todavia, é preciso uma revisão no marco das emissoras públicas para que a sociedade possa participar muito mais da definição de sua programação e de suas decisões em geral, como acontece agora com o Conselho Curador da EBC. A revisão do marco regulatório no setor público também poderá dotar essas emissoras de maior autonomia político-financeira em relação aos governos. Além disso, poderia indicar mais alternativas de financiamento público para as mesmas, e regras explícitas para que sua sustentabilidade não estivesse sob constante ameaça.

4 – Como um novo marco regulatório das comunicações poderia contribuir para o avanço da luta das mulheres?

Ana Veloso - No Brasil, assim como em outros países, as mulheres ainda são tratadas prioritariamente de duas formas pela mídia: ou como consumidoras, ou como objeto sexual. Precisamos ter elementos palpáveis e instrumentos legais para enfrentar questões como a mercantilização de nossos corpos e a reprodução de estereótipos, que nos colocam em situação de submissão e desvantagem, veiculados diariamente nos meios de comunicação de massa. A regulação poderá oferecer, para o movimento de mulheres, as ferramentas necessárias ao exercício da análise e da crítica da mídia com a efetiva ação no sentido de garantir que os meios de comunicação não permaneçam reeditando preconceitos e o sexismo. Também poderá ser importante para a limitação do acesso/sublocação do espaço pelas correntes religiosas que, com seu proselitismo, acabam por atentar contra os direitos conquistados pela população feminina e por favorecer a perpetuação dos fundamentalismos. Por fim, as mulheres também necessitam de incentivos para atuar, ainda mais, no campo da produção de conteúdos, de forma que também estejam representadas na mídia em toda a sua diversidade.

5 – Apesar de ser estratégica, regular as comunicações é uma agenda que ainda encontra resistência na maior parte da sociedade, sobretudo nos proprietários dos meios de comunicação. Como superar este obstáculo?

Ana Veloso - Realmente, esta não é uma discussão fácil. É preciso que o Estado brasileiro tenha capacidade de dialogar e de implementar para os concessionários de rádio e TV regras discutidas e aprovadas junto com a sociedade, incluindo o setor empresarial. As propostas aprovadas pela I Confecom devem, inclusive, nortear este processo de regulação dos meios. Trata-se, também, de um investimento, que precisa ser feito, em uma ação educativa junto à população com relação ao problema gigante que precisamos enfrentar no campo da comunicação brasileira. Temos um histórico de privatização de bens públicos. A sociedade desconhece que tem direito à comunicação. Só agora ensaiamos a construção de um sistema público de mídia. Portanto, foram muitos anos de favorecimento a uma elite branca, masculina e heterossexual que comanda hoje este setor. Contudo, principalmente nos últimos dez anos, percebemos que a sociedade está cada vez mais atenta, vigilante e que exige democracia e pluralidade neste espaço.

6 – O ministro Paulo Bernardo anunciou, no início de sua gestão, que o debate sobre o novo marco regulatório estava entre as prioridades do governo Dilma. Agora, o governo parece recuar em colocar o tema em discussão pública. O que o ministro pode temer?

Ana Veloso - Teme ataques da chamada velha mídia. Teme oposição dos grandes veículos de comunicação, como se isso não tivesse ocorrido desde a campanha eleitoral da presidenta Dilma. Compreendo que há um forte receio de que o governo possa ser considerado contrário à liberdade de imprensa, como ocorreu quando vários países na América Latina implementaram regras mais duras para evitar a concentração da propriedade dos meios, os monopólios e os privilégios das empresas privadas do setor. Todavia, o que o governo brasileiro, que quer manter sua imagem de democrático perante o mundo, parece não enxergar é que o desequilíbrio entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação e a histórica primazia do empresariado no setor limitam as possibilidades do exercício da democracia para o conjunto da população brasileira. A privatização da produção dos bens simbólicos e a prevalência de interesses particulares em detrimento do interesse público podem se configurar como um dos maiores ataques à democracia em nosso país.

Apesar desta limitação, em vários momentos, a presidenta Dilma foi enfática na defesa da pluralidade no setor e no respeito à liberdade de expressão e de imprensa. A quebra de um ciclo histórico de ministros ligados à mídia ocupando a pasta das Comunicações também pode ser considerado um avanço. Mas um dos problemas para o governo é a alta articulação entre políticos e empresas de comunicação. Temos cerca de 30% dos parlamentares do Congresso Nacional com negócios na área. O governo precisa se fortalecer junto à sociedade civil e ter habilidade em construir propostas consistentes que possam responder às questões levantadas pela I Confecom.

Contato com a entrevistada

Ana Veloso – jornalista e professora da Universidade Católica de Pernambuco
Centro das Mulheres do Cabo
Representante da sociedade civil no Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
Cabo de Santo Agostinho/PE
(81) 9965-5064 / 3524-9170 / 3521-9366
velosoanam@gmail.com / anaveloso@mulheresdocabo.org.br