terça-feira, 22 de setembro de 2009

http://www.paraiba.pb.gov.br/mambots/content/multithumb/thumbs




Encontro de trabalho na Secom

A 1ª Conferência Estadual de Comunicação, que acontecerá em João Pessoa nos dias 5 e 6 de novembro deste ano, no Espaço Cultural, vem sendo discutida em reuniões dos integrantes da Comissão Organizadora. O evento deverá mobilizar cerca de 500 pessoas de todas as regiões da Paraíba e elegerá delegados para a 1ª Conferência Nacional, que ocorrerá em Brasília nos dias 1º, 2 e 3 de dezembro.

Na tarde desta segunda-feira (21), na Secretaria de Comunicação Institucional do Governo do Estado, ocorreu a terceira reunião, mais um encontro de trabalho da Comissão Organizadora. A secretária de Comunicação e presidente do grupo organizador, jornalista Lena Guimarães, revelou que participaram das discussões os membros da sociedade civil organizada. A pauta em andamento está relacionada com as formas de organização do evento.

No próximo final de semana, o Diário Oficial do Estado (DOE) deverá publicar a portaria com todos os integrantes da Comissão Organizadora, que inclui membros da classe empresarial, dos poderes públicos e da sociedade civil. De acordo com Lena Guimarães, na próxima semana será marcada a primeira reunião com todos os 26 membros envolvidos na organização do conclave. São oito pessoas da sociedade civil, oito da classe empresarial e dez representantes dos poderes públicos. Na pauta, o regimento da 1ª Conferência Estadual de Comunicação e as Conferências Regionais que ocorrerão em algumas cidades, antes da estadual.

O assessor especializado para integração do Governo do Estado com os Movimentos Sociais, Arimatéia França, que integra o Gabinete Civil do Governador, revela que os poderes públicos, os empresários e a sociedade civil vão discutir seus papéis na comunicação e procurar democratizar os espaços no setor.


Presidente da API, Marcela Sitônio

Avaliações – A presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), jornalista Marcela Sitônio, destacou que esta é a primeira vez que o Brasil realiza uma conferência nacional de comunicação e o momento é muito importante a partir das conferências nos estados. “Nós vamos discutir a democratização dos meios de comunicação, um assunto que interessa a toda a sociedade, não só à imprensa, mas a todos os segmentos”.

A presidente da API destacou que o Governo do Estado “tem se comportado de forma muito coerente, já publicou o decreto convocando a Conferência Estadual e tem sido importante parceiro”. Marcela solicitou que os colegas de imprensa se engajem na discussão.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, Land Seixas, afirmou que a Conferência vai traçar políticas públicas para a comunicação no País. Ele observou que se a sociedade despertou para a discussão, é porque é preciso redefinir a comunicação nacional.

Da sociedade – Na reunião realizada dia 16 deste mês, no Sindicato dos Trabalhadores em Eletricidade (Sindeletric), foram escolhidos os representantes da sociedade civil organizada. São oito membros titulares: Marcela Sitônio (Associação Paraibana de Imprensa), Land Seixas (Sindicato dos Jornalistas), Maria da Penha Araújo (Central Única dos Trabalhadores), José Moreira da Silva (ABRAÇO), Sônia Lima (LIBERTA), Sérgio Roberto Sales (Conselho Regional de Psicologia), José Felipe dos Santos (Movimento LGBT) e David Jean de Jesus (Associação Comunitária de Educação e Cultura-Cactos).

Na suplência há representantes do Centro Acadêmico de Comunicação, Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Paraíba (DCE/UFPB), Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (SINTTEL), Novos Rumos, Grupo Mulheres Maria Quitéria, Associação Servidores IF/PB, Movimento Negro da Paraíba, Associação Recreativa e Cultural Anjo Azul.

Josélio Carneiro, com fotos de Ernane Gomes, da Secom-PB

domingo, 20 de setembro de 2009

VIVABABEL


Esteban, o nudista catalão
Foto Marc Javierre Barcelona


O senhor Esteban T.E desfila assim pelas ruas de Barcelona. Eu o vi na rambla, dando uma entrevista, mas de repente sumiu.
Agora lendo uma coluna do Claudio Versiani, no Congresso em Foco, descobri o mistério: ele é muito conhecido lá, já foi até multado, anda pelado naquele frio- vejam os casacos das horrorizadas señoras- e no calor, é só na Catalunha mesmo, grande lugar esse!
Como dizia o seu Junqueira, o Pepe Velo ai em cima:
"Visca Catalunya liure!"

PALHAÇOXUXU

Luis Carlos Vasconcelos vai se apresentar no Ponto de Cem Réis

Um retorno em alto estilo aos múltiplos palcos que integram a cultura paraibana, eis o que fará o diretor e ator Luis Carlos Vasconcelos, às 15h00 do dia 25 de setembro, no Ponto de Cem Réis, como uma das atrações confirmadas para o Festival Palco Giratório 2009 na capital paraibana. A escolha do espaço amplo localizado no centro comercial pessoense reflete a admiração que o público local tem pelo Palhaço Xuxu, personagem que vem fazendo do espetáculo "Silêncio Total" mais uma consagração de Luis Carlos em diferentes pontos do Brasil, por onde o Sesc - Serviço Social do Comércio vem desenvolvendo um roteiro de apresentações que se estenderão até o final deste ano.

Em "Silêncio Total" o ator Luis Carlos Vasconcelos se transforma no Palhaço Xuxu e vem mostrando a diferentes platéias suas técnicas circenses que já duram 30 anos em cartaz, devido a empatia gerada no decorrer de todo esse tempo em que ele ( Luis Carlos) fortalece sua trajetória no teatro, cinema e televisão.

Através de improvisos selecionados mediante a reação do público o ator está ampliando chances de continuar atuando num dos palcos em que mais gosta de expressar sua arte na rua, o que deve se repetir em João Pessoa, na tarde do dia 25, e em Campina Grande, no dia 22, a partir das 15 horas, no Palácio das Artes Suelen Caroline, também constando na programação do festival de artes cênicas organizados pelo Serviço Social do Comércio nas duas principais cidades da Paraíba.

Um Palhaço Cidadão-é assim que Luis Carlos define o personagem que faz de Silêncio Total um sucesso desde 2008, tendo em seu título uma referência assumida ao famoso bordão utilizado pelo Palhaço Xuxu.

Na verdade, o palhaço Xuxu é bastante conhecido do público pessoense, em decorrência de apresentações já realizadas em praças, universidades, praias, centros culturais de João Pessoa. O que torna esse reencontro motivado pela vinda de Silêncio Total uma "passagem especialíssima" da caravana que integra o Palco Giratório 2009, durante todo mês de setembro, pela Paraíba.

Para quem já admira o talento de Luis Carlos Vasconcelos em filmes como Carandiru e dirigindo peças teatrais como Vau da Sarapalha, a apresentação confirmada para o dia 25 deste mês, no tradicional Ponto de Cem Réis, que foi recentemente reaberto ao público pela Prefeitura Municipal, significa um motivo a mais para prestigiar o amplo palco instalado a céu aberto, bem no centro da capital paraibana.

Trajetória do Artista

O paraibano de Umbuzeiro Luiz Carlos Vasconcelos é formado em Letras e estudou teatro na Dinamarca. Não esquecendo das origens, trás na carreira o marcante palhaço Xuxu, há mais de 27 anos. Personagem que é fruto de sua paixão pelo circo e pelas técnicas populares de representação. Um dos fundadores da Escola Piollin de João Pessoa, Vasconcelos realizou estudos no Laboratório Internacional de Atores do Odin teatret, da Dinamarca entre 1988 e 1989.

Na Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro, Luiz Carlos aperfeiçoou técnicas circenses de equilíbrio e monociclo, assim como seu conhecimento musical, inicialmente com o violino depois com o fole alemão de oito baixos.

Como diretor de teatro tornou-se conhecido no começo da década de 1990, quando sua adaptação e montagem de "Vau da Sarapalha", de um conto de Guimarães Rosa, com o Grupo Piollin, percorreu o Brasil e vários países da Europa e América Latina conquistando crítica e público. O resultado foi uma montagem original, densa e enigmática que recebeu inúmeros prêmios - inclusive o Prêmio da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT de 1994 – Continua viajando dentro e fora do Brasil.

Realizou o I Festival de Palhaços da Paraíba em 1983; o II Encontro de Palhaços – Aberto aos Mateus e Catirinas da Região em 1997, e O Riso da Terra – Feira de Arte Popular Cômica / Encontro mundial de Palhaços / Fórum do Riso em 2001. Organiza também "O Riso da Terra" – 2006.

Luiz Carlos estreou como ator de cinema interpretando o cangaceiro Lampião em "Baile Perfumado", de Lírio Ferreira e Paulo Caldas (1997), pelo qual ganhou o prêmio de melhor ator Coadjuvante da Associação de Críticos de Arte de São Paulo (APCA). Em 1999, fez um dos papéis principais em "O Primeiro Dia”, de Daniela Thomas e Walter Salles, pelo qual volta a ganhar o APCA de Melhor Ator de Cinema. Outro papel de destaque no cinema veio em "Eu, Tu, Eles", de Andrucha Waddington, selecionado para a mostra "Um certo olhar" do Festival de Cannes de 2000 e pelo qual recebe, pela terceira vez, o prêmio de melhor ator de cinema da APCA.

Ainda no cinema pôde ser visto no papel do brincante Salustiano em "Abril Despedaçado", de Walter Salles, e no longa "Carandiru", de Hector Babenco, em que interpreta o médico Dráuzio Varela; e na tevê como o malandro Pé-de-Vento da minissérie "Pastores da Noite", adaptada da obra de Jorge Amado. Fez uma participação especial na novela "Senhora do Destino", de Aguinaldo Silva, e participou da série "Carandiru Novas Histórias".

UTILIDADEPÚLICA

COISAS QUE NINGUÉM CONTA PRA GENTE!

Serviço 102 (Informações)
Quando você precisar do serviço 102, que custa R$ 2,05.
Lembre-se que agora existe o concorrente que cobra apenas R$ 0,29 por
informação fone 0300-789-5900.
Para informações da lista telefônica, use o nº 102030 que é gratuito,
enquanto que o 102 e 144 são pagos e caros.

*Correios*
Se você tem por hábito utilizar os Correios, para enviar correspondência,
observe que se enviar algo de pessoa física para pessoa física, num
envelope leve, ou seja, que contenha duas folhas mais ou menos,
para qualquer lugar/Estado, e bem abaixo do local onde coloca o CEP escrever
a frase 'Carta Social', você pagará somente R$0,01 por ela.
Isso está nas Normas afixadas nas agências dos correios,
mas é claro que não está escrito em letras graúdas e nem facilmente visível.
O preço que se paga pela mesma carta, caso não se escreva 'Carta Social',
conforme explicado acima custará em torno de R $0,27 (o grama).
Agora imaginem no Brasil inteiro, quantas pessoas desconhecem este fato
e pagam valores indevidos por uma carta pessoal diariamente?


*Telefone Fixo para Celular*
A MELHOR DE TODAS!!!
Se você ligar de um telefone fixo da sua casa para um telefone celular,
será cobrada sempre uma taxa a mais do que uma ligação normal, ou seja, de celular para celular. Mas se acrescentar um número a mais, durante a discagem, lhe será cobrada
apenas a tarifa local normal..
Resumindo:
Ao ligar para um celular sempre repita o ultimo dígito do número.
Exemplos:
9XXX - 2522 + 2 / 9X7X - 1345 + 5

Atenção:
o número a ser acrescido deverá ser sempre o último número
do telefone celular chamado !



Serviços bancários pela Internet
Para quem acessa o Home Banking de casa.
Vale a pena ler e se prevenir.
Quando for fazer uso dos serviços bancários pela internet,
siga as 3 dicas abaixo para verificar a autenticidade do site:

1 - Minimize a página.
Se o teclado virtual for minimizado também, está correto.
Se ele permanecer na tela sem minimizar, é pirata!
Não tecle nada.

2 - Sempre que entrar no site do banco, digite SUA SENHA ERRADA na primeira vez .
Se aparecer uma mensagem de erro significa que o site é realmente do banco,
porque o sistema tem como checar a senha digitada.
Mas se digitar a senha errada e não acusar erro é mau sinal.
Sites piratas não têm como conferir a informação, o objetivo é apenas capturar a senha.

3 - Sempre que entrar no site do banco, verifique se no rodapé da página aparece
o ícone de um cadeado; além disso clique 2 vezes sobre esse ícone;
uma pequena janela com informações sobre a autenticidade do site deve aparecer.
Em alguns sites piratas o cadeado pode até aparecer, mas será apenas uma imagem
e ao clicar 2 vezes sobre ele, nada irá acontecer.
Os 3 pequenos procedimentos acima são simples, mas garantirão que você jamais
seja vítima de fraude virtual.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

QUESTÕESCULTURAIS

A Paraíba vive um momento de muita discussão em torno das questões culturais. O Governo Estadual insiste em manter a estrutura ultrapassada de dependência na Secretaria de Educação e Cultura, abrigando tudo que for de interesse do mundo cultural numa Subsecretaria de Cultura, sem orçamento e sem perspectivas. Por mais que o atual Subsecretário – recém nomeado – queira fazer de fato alguma coisa vai ficar sempre na dependência e na subserviência dos interesses do Secretário de Educação. O Governo Federal já deixou claro que ou Governo do Estado cria uma secretaria específica para o setor cultural ou vai ficar de fora do novo Sistema Nacional de Cultura. E pelo jeito o Governo Estadual continuará a olhar a cultura – logo ela – como uma coisa menor. Ou seja, é a azeitona na empada da educação.

Com essa atitude ficamos como dantes no Castelo de Abrantes. Vamos continuar a mendigar recursos de boa vontade da governança estadual e no máximo serão concedidas algumas migalhas para ajudar a mover o setor cultural paraibano, com demandas crônicas congeladas no tempo e no espaço. Ou seja, ou o Governo Estadual assume de uma vez por todas que precisa abrir definitivamente um diálogo com o mundo cultural – seus setores mais organizados – ou vamos ficar para trás. Este é hoje um setor que não pode mais esperar pelas improvisações e pela falta de uma política clara, taxativa em seu favor. Precisamos estabelecer percentuais de investimentos definidos no Orçamento Estadual. Eu defendo 2% do Orçamento global do Estado, no mínimo. Como defendo 3% para o Orçamento Municipal e 1% do Governo Federal. É inadmissível que o que identifica a razão de ser de um povo - sua produção cultural, sua identidade, sua cultura - fique a mercê da incompreensão governamental. Chega! Não dá mais pra esperar.

Por outro lado, o município de João Pessoa, divulga com estardalhaço na mídia a aplicação de um milhão de reais no Fundo de Cultura Municipal para 2009. Como eles tomam como base os orçamentos anteriores, logo a perspectiva é nivelada por baixo. Veja você que uma cidade infinitamente menor que João Pessoa, como Olinda em Pernambuco, aplica infinitamente mais que a PMJP. Informações que disponho do ano de 2003, do Orçamento de Olinda demonstra que já naquele ano a Prefeitura de Olinda aplicava mais de quatro vezes que a cidade de João Pessoa em cultura. Pra que vocês tenham noção do percentual ridículo que a PMJP colocou a disposição do setor cultural em setembro de 2009, Olinda que não conta com o parque industrial e nem tão pouco com o volume de IPTU como João Pessoa possui, conseguiu investir mais de seis milhões em Patrimônio, Ciência e Cultura em 2003.

Provocações de Ivaldo Gomes

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CONFECOM

Regimento antidemocrático reduz
possibilidade de avanços na Confecom

Pedro Pomar*

A convocação, pelo governo federal, da 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social (Confecom) materializou um projeto histórico dos movimentos sociais, grupos e entidades engajados na luta pela democratização da comunicação social no Brasil. É um acontecimento de extraordinária relevância política, social e cultural, visto que nosso país exibe um dos sistemas de mídia mais concentrados do mundo, voltado majoritariamente para fins mercantis e com escassa participação pública. Historicamente, o sistema de mídia brasileiro tem sido um dos pilares da dominação de classe, graças aos privilégios recebidos do Estado. A realização da 1ª Confecom abriria, desse modo, a possibilidade de apontar mudanças substanciais no panorama atual.

Porém, o teor do regimento que a Comissão Organizadora Nacional acaba de aprovar vai na contramão das expectativas geradas, na medida em que normas fundamentais da 1ª Confecom, que fixam o número de delegados por segmentos (poder público, sociedade civil e empresariado) e o quórum para aprovação de resoluções, ferem a democracia e não se coadunam, sequer, com a tradição das conferências nacionais de outros setores.

O governo dobrou-se à chantagem do empresariado, que impôs a adoção dessas normas como condição para participar da 1ª Confecom. Os empresários dos setores de mídia e de telecomunicaçõ es (inadequadamente designados como “sociedade civil empresarial”) terão direito a eleger nada menos do que 40% dos delegados, uma aberração total, inédita na história das conferências. Estarão, assim, super-representados, uma vez que essa proporção nem de longe corresponde à real participação numérica do empresariado na sociedade, que é muito inferior a 40%. Não bastasse o fato de que empresas poderosas como Globo, Abril, Folha, SBT, Record, RBS, e os monopólios midiáticos regionais e locais praticantes do “coronelismo eletrônico”, poderão bombardear a população com suas próprias versões dos embates travados na conferência.

O poder público ficará com 20% dos delegados. Os movimentos sociais, grupos e entidades envolvidos na luta pela democratização dos meios de comunicação terão direito apenas aos restantes 40% dos delegados, a mesma proporção reservada aos empresários! Dessa forma, os setores populares, principais interessados na realização da 1ª Confecom, são acantonados, comprimidos numa delegação em que estará claramente subrepresentada.

“Temas sensíveis”

Agravante desse quadro é que foi definido um quórum para aprovação de resoluções em “temas sensíveis”, que será de 60%. Esse dispositivo tende a dificultar enormemente a aprovação de qualquer medida mais avançada, que diga respeito ao controle público ou controle social da mídia, ao cumprimento da Constituição Federal no tocante à proibição de monopólios, ao combate à propriedade cruzada dos meios de comunicação e várias outras. Todas poderão ser objeto de veto dos empresários, bastando, para isso, que tenham apoio parcial da bancada do poder público.

É deplorável que entidades participantes da Comissão Nacional Pró-Conferência (fórum extra-oficial que reúne o movimento social), e com assento na Comissão Organizadora, como CUT, Fenaj e várias outras, tenham concordado com tais normas, na forma de um “acordo” que consistiu, na realidade, em uma capitulação diante da pressão de governo e empresários.

Na verdade, das entidades com assento na Comissão Organizadora, somente o coletivo Intervozes e a Federação Interestadual dos Trabalhadores de Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert) rejeitaram essas normas draconianas. Mas é importante lembrar que um expressivo número de entidades do movimento popular, excluídas da Comissão Organizadora exatamente pelo formato restritivo que o governo deu a essa comissão, manifestou-se contra tais restrições, e da mesma maneira pronunciou-se, incisivamente, a maior parte das comissões estaduais pró-conferência.

Achatamento

Outro golpe foram os critérios adotados para a distribuição dos delegados por Estados, isto é, os critérios de proporcionalidade que determinarão o tamanho de cada delegação. Partindo-se do princípio razoável de que se deve estabelecer um mínimo de delegados nos Estados menos populosos, chegou-se, porém, a distorções inaceitáveis: de um lado, fixou-se em 24 delegados esse mínimo por Estado (um número visivelmente exagerado); de outro lado, obteve-se a compensação achatando a delegação de um único Estado, São Paulo, muito além do que seria uma redução aceitável.

O dispositivo adotado reproduz a proporção das bancadas dos Estados vigente hoje na Câmara Federal. Desse modo, São Paulo, que por sua população de quase 40 milhões de habitantes teria direito a 21,65% dos delegados, poderá eleger somente 13,65% deles — perderá, assim, um terço de seus delegados. Na prática, São Paulo terá direito a eleger cerca de 180 delegados (do total de 1.500), dos quais somente 70 dos movimentos sociais!

O achatamento da bancada paulista de deputados federais foi implantado pela Ditadura Militar exatamente com a finalidade de reduzir a participação popular organizada. A reprodução desse mecanismo no processo de construção da 1ª Confecom é uma nova derrota da democracia e do movimento social em geral.

Derrotas e desafios

A delegação empresarial paulista, evidentemente, será reduzida na mesma medida. No entanto, quem tem militância efetiva é o setor popular e não os empresários, que não precisarão descartar ninguém, apenas terão facilitado seu trabalho, pois sua representação será mais enxuta. Por outro lado, como o empresariado tem direito a uma cota nacional de 40% dos delegados, abre-se caminho para delegações empresariais maiores nos Estados menos populosos (e eventualmente menos mobilizados) , a serem preenchidas por representantes dos monopólios midiáticos regionais e locais.

Em resumo, os movimentos sociais vêm colecionando derrotas no processo, apesar das proclamações entusiasmadas em sentido contrário de setores (como a direção da Fenaj e a ABCCom, entidade que representa os canais de TV comunitários) que equivocadamente enxergam na 1ª Confecom um espaço de negociação com o empresariado, e não estão dispostos a entrar em confronto com o capital.

Os setores combativos do movimento social, comprometidos com alterações que não sejam apenas cosméticas, estão, assim, diante de um duplo desafio: por um lado, maior organização e unificação na luta por avanços dentro da conferência; por outro lado, aproveitar ao máximo as energias despertadas nos processos organizativos de base e nas etapas locais e estaduais da 1ª Confecom, de modo a que o saldo político-pedagó gico seja da maior qualidade.

* Pedro Estevam da Rocha Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação. Artigo publicado originalmente no jornal Página 13 edição eletrônica (número zero, 15/9/2009).
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domingo, 13 de setembro de 2009

CANHOTO



MÚSICA de CANHOTO DA PARAIBA é destaque na ¨ MIMO¨ - MOSTRA INTERNACIONAL DE MÚSICA EM OLINDA.

O Trio de Câmara Brasileiro, dessa vez traz na bagagem a música instrumental do violão ¨destro¨ de Canhoto da Paraíba.

Com patrocínio da Petrobras, o Trio Camara Brasileiro acaba de gravar ¨Saudades de Princesa ¨(Crioula Records), CD contendo 12 músicas do notável violonista paraibano, algumas delas inéditas. O projeto prevê, ainda, a realização de uma turnê para divulgar o álbum.

O trio irá se apresentar em várias cidades brasileiras entre elas Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife , João Pessoa e claro: Princesa Isabel no alto sertão do Estado, terra natal do músico, morto em 24 de abril de 2008, vítima de um infarto.

Parte desse trabalho já foi conferido durante à Mostra Internacional de Música em Olinda, que aconteceu na primeira semana de setembro ( entre os dias 03 e 07/09/2009) . Para uma plateia interessada, na música instrumental e ao mesmo tempo dividindo a cena com um grande destaque da nossa música popular brasileira .

O trio formado pelo violonista e diretor musical Caio Cezar, pelo bandolinista Pedro Amorim e pelo cavaquinista Alessandro Valente tocou choros, valsas e até uma bossa nova de autoria de Canhoto.

Esse material foi garimpado pelo próprio Caio. A tia do músico é casada com um irmão de Canhoto, ambos lá de Princesa Isabel. Em reuniões de família, em Pernambuco, onde Caio nasceu, o hoje diretor musical conheceu Canhoto que vivia em Paulista vizinha à Olinda em Pernambuco. Com ele, compartilhou choros e chegou perto de excursionar pelo Brasil através do Projeto Pixinguinha, porém “Foi quando (1998) Canhoto foi acometido de Acidente Vascular, o AVC, que o paralisou”, lembra Caio.

O músico continuou a visitar Canhoto, que, sem poder tocar, passou a viver quaze a mingua na cidade de Paulista (PE).
Nessas visitas, recebia fitas cassete com registros de músicas do paraibano, músicas estas que ele tocava em festas e serestas.

Com uma preciosa coleção de 70 cassetes, Caio, juntamente com a produtora Lu Araújo, Diretora Geral da MOSTRA INTERNACIONAL DE MÚSICA EM OLINDA - MIMO, também é da Crioula Records, que fez o premiado CD Bom Todo, de Zabé da Loca, começou a peneirar as composições de Canhoto para a criação de um songbook e o disco Saudades de Princesa.

“São apresentações em festas, com pessoas falando alto e muito barulho. Deu um trabalho danado, mas conseguimos tirar o violão de Canhoto em boa parte delas”, revela Caio. As músicas foram transcritas em partituras para compor o songbook, que deverá ser distribuído gratuitamente em escolas, com a finalidade de não deixar a obra de Canhoto ser esquecida.

Ao todo, Caio e Lu chegaram a 67 composições do saudoso violonista Canhoto. “Elas estão digitalizadas e arquivadas em sete CDs cheinhos”, conta Caio, que revela: “Conseguimos patrocínio apenas para o CD e os shows – com exceção da cidade natal do homenageado, Princesa Isabel,localizada no sertão da Paraíba , esse shwo vamos fazer por conta da própria família ”, diz Caio.

“O Canhoto merecia essa homenagem”. Ele conta, ainda, que mesmo sem apoio, foram fazendo as partituras, mas precisam de patrocínio para os livros.

O título do CD, comenta o músico, é outra grande homenagem .“Toda vez que ia visitar Canhoto, a filha dele sempre dizia o quanto ele gostaria de voltar para Princesa Isabel, o quanto tinha saudade da sua cidade”.

DIVERSIDADE MUSICAL

Caio diz que a ideia do CD era revelar a diversidade musical de Canhoto. “Há duas valsas, cinco choros, maxixe e até uma bossa nova”. “Entrando na bossa”, aliás, foi bastante aplaudida no concerto da ‘Mimo’. A capa foi encomendada a um conterrâneo de Canhoto, o artista plástico Luiz Andrade, e o encarte traz diversas fotos do paraibano, cedidas por amigos de Princesa Isabel.

Canhoto morreu no Recife, na quinta, 24/04/2008, o violonista paraibano nascido Francisco Soares de Araújo, ficou célebre com o apelido de Canhoto da Paraíba, um dos expoentes do choro nordestino, admirado pelos mais importantes músicos brasileiros, como Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho. Canhoto teve um enfarte - já tinha tido um derrame há uns 10 anos, o que o forçou a parar de tocar.

Nascido em 19 de maio de 1928, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, Canhoto da Paraíba, como o nome indica, tocava com a mão esquerda. Mas desenvolveu uma técnica particular de execução ao violão, com o instrumento invertido (mas sem inverter as cordas). Além disso, possuía um sentido harmônio e melódico incomuns, motivo que o fez ser admirado por todos os colegas do instrumento. Sacristão, aos 16 anos iniciou a carreira como músico na Rádio Clube, no Recife (PE).

Foi parceiro de Sivuca e Luperce Miranda e de grandes intérpretes do choro, como Rossini Ferreira e Zé do Carmo. Em 1959, esteve no Rio de Janeiro pela primeira vez e conheceu a nata do choro carioca, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali e Paulinho da Viola. Este último se tornou uma espécie de admirador eterno, e sempre que podia incorporava Canhoto em suas turnês. Tocaram juntos no Heineken Concerts e com a Velha Guarda da Portela no Palace, em São Paulo.


Em 1999, saiu o disco Os Bambas do Violão (Kuarup), que trazia Canhoto emparelhado com os maiores do instrumento, como Baden Powell, HenriqueAnnes, Nonato Luís e Rafael Rabelo. O crítico de música Mauro Dias escreveu, no Caderno 2 de O Estado de S.Paulo: "Paulinho da Viola talvez não fosse o mesmo se não houvesse antes dele Cartola e Nelson Cavaquinho e certamente não seria o mesmo se um dia não tivesse ouvido Canhoto da Paraíba".

Nessas visitas, recebia fitas cassete com registros de músicas do paraibano, músicas estas que ele tocava em festas e serestas.

Com uma preciosa coleção de 70 cassetes, Caio, juntamente com a produtora Lu Araújo (da Crioula Records, que fez o premiado CD Bom Todo, de Zabé da Loca), e diretora da MIMO, começou a peneirar as composições de Canhoto para a criação de um songbook e o disco Saudades de Princesa.

“São apresentações em festas, com pessoas falando alto e muito barulho. Deu um trabalho danado, mas conseguimos tirar o violão de Canhoto em boa parte delas”, revela Caio. As músicas foram transcritas em partituras para compor o songbook, que deverá ser distribuído gratuitamente em escolas, com a finalidade de não deixar a obra de Canhoto ser esquecida.

Ao todo, Caio e Lu chegaram a 67 composições do saudoso violonista Canhoto. “Elas estão digitalizadas e arquivadas em sete CDs cheinhos”, conta Caio, que revela: “Conseguimos patrocínio apenas para o CD e os shows – com exceção d da cidade natal do homenageado, Princesa Isabel,localizada no sertão da Paraíba , esse vamos fazer por conta própria da família ”, diz Caio.

“O Canhoto merecia essa homenagem”. Ele conta, ainda, que mesmo sem apoio, foram fazendo as partituras, mas precisam de patrocínio para os livros.
O título do CD, comenta o músico, é outra grande homenagem .“Toda vez que ia visitar Canhoto, a filha dele sempre dizia o quanto ele gostaria de voltar para Princesa Isabel, o quanto tinha saudade da sua cidade”.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

JACKSORIAR




No dia 31 de agosto de 1919 nascia nos arredores de Alagoa Grande, no brejo paraibano um dos maiores ritmistas do Brasil. Em 2009, no aniversário dos 90 anos de nascimento de Jackson do Pandeiro, a Associação Cultural e Recreativa Anjo Azul X TRATO Assessoria e Produção Cultural, dá inicio a partir desta segunda-feira, 31 de agosto, as oficinas de TEATRO do projeto Esquentais Vossos Pandeiros Jacksonianos, especialmente para a população habitante na cidade que acolheu no nosso REI DO RITMO. Nessa data a cidade estará burbulhando de homenagens para o aniversariante ilustre, haverá música, teatro, exposição, cinema, orquestra, palestra , além da presnça maciça dos artistas que fazem a nossa cena brasileira.

“Temos como principal objetivo aproximar a nova geração dessa produção cultural que cresce, nas diferentes vertentes jacksonianas ¨ diz Ednamay Cirilo - Presidente da Associação Cultural Anjo Azul.

¨Como forma de estimular essa aproximação serão realizadas oficinas de teatro, em Alagoa Grande , de música e artes visuais na cidade de João Pessoa. O projeto surgiu do anseio da Associação Anjo Azul em interligar as cidades de João Pessoa e Alagoa Grande através da obra de Jackson do Pandeiro, preservando assim sua memória .

As oficinas têm como público alvo artistas, estudantes municipais e iniciantes em teatro, música e artes visuais. “Acreditamos que o contato de forma lúdica com as produções de Jackson do Pandeiro propiciará aos jovens a expansão dos conhecimentos e o interesse por buscar novas informações¨.

O projeto será encerrado no mês de novembro, com uma festa em duas etapas, primeiro em Alagoa Grande , uma especie de revista carnavalesca, e posteriormente em João Pessoa, onde serão apresentados os resultados dos três meses de oficinas , na sede oficial da Associação Cultural Anjo Azul, localizada no Centro Cultural de Terceiro Setor Thomáz Mindello, tendo a palestra sobre a vida e obra de Jackson do Pandeiro como tema central da noite.


OFICINAS

ARTES PLÁSTICAS

Tem como objetivo promover o acesso as artes plásticas, como atividade que acolhe e interage diretamente jovens, adultos ,melhor idade. A oficina Jacksoniana buscará representar a musicalidade do Rei do Ritmo através de telas e estandartes trabalhando cores e brilho .A creditamos que assim vamos despertar, positivamente, as emoções pela arte dos caminhos percorrido por Jackson do Pandeiro.

Oficineira : Dulce Abstrato

Artista plástica desde 1997 e oficineira desde 2007. Já participou de projetos aprovados pelo Ministério da Cultura em OGN´s da cidade de João Pessoa , Itabaiana, Guarabira e da cidade de Itabuna-BA. Atuou como oficineira na ASTRAPA, Grupo de MULHERES MARIA QUITÉRIA e Grupo BIGORNA, localizados no Centro Cultural Terceiro Setor Thomáz Mindello, além de várias oficinas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa.

MONTAGEM TEATRAL

Proporcionar aos alunos-atores uma vivência teatral completa, desde sua concepção, passando pela preparação do ator, construção do personagem, ética teatral, jogos dramáticos, improvisação, expressão corporal, caracaterização, cenografia, concepção de figurinos, música, linha temática de iluminação, pesquisa e experimentações práticas de grupo. A oficina culminará na montagem de uma performance teatral/musical intitulada “Rei do Ritmo” em comemoração aos 90 anos de Jackson do Pandeiro.

Oficineiro: Netto Ribeiro

Ator, performático e diretor, Netto Ribeiro é fundador do Ser Tão Teatro e atua na cena paraibana há 10 anos. Em 2003, conquistou o prêmio de Melhor ator no FESTGUAÇUI – ES. Idealizou, produziu e dirigiu o Projeto 15 Cultural,2006, que teve no repertorio os musicais “Vila Cazuza” e “Ópera do Chico”. Sua trajetória inclui trabalhos no teatro, na teledramaturgia, e em longa metragens como Canta Maria de Francisco Ramalho Junior.

Percussão (Pandeiro)

O pandeiro tem origem moura e é utilizado nos contextos erudito e popular. Jackson do Pandeiro é um dos maiores nomes da Música Brasileira e soube miscigenar sonoridades múltiplas, trazendo para nossos ouvidos as mais suingadas canções de nosso cancioneiro popular. Nossa oficina trabalhará ritmos brasileiros, fazendo uso do repertório de Jackson do Pandeiro, procurando desenvolver técnicas básicas para o aprendizado do pandeiro, buscando aliar teoria e prática em atividades de canto e execução instrumental.

Oficineiro: Ely Porto

Formado pela Universidade Federal da Paraíba e músico atuante no cenário artístico do estado, já desenvoleu projetos com Cabruêra, Escurinho& Labacé; Os Caba; Mestre Fuba, Cátia de França; Biliu de Campina; As Párea; La Gambiaja; Batuque Quebra-Quilos; Círculo de Tambores; Nação Maracahyba; Maíra Barros e Antônio Barros & Cecéu; ÔdeCasa; Anne Raelly. Composições e Participações em CDs: O Melhor Do Forró no Maior São João do Mundo e Heimatklange Sons da Terra com Cabruêra e As Parêa,XIII MpbSesc,O Som de Todas as Lutas com As Parêa.

O projeto foi contemplado no edital 2008 do Fundo de Incentivo a Cultura Lei Augusto dos Anjos (FIC).

sábado, 22 de agosto de 2009

TVBRASILEIRA

Altamiro Borges em seu blog.* Confira a íntegra
A “guerra nada santa” travada entre as TVs Globo e Record comprova que existe algo de muito podre no reino dos poderosos e impenetráveis impérios midiáticos do país. Os barões da mídia, por razões políticas e na busca por audiências sensacionalistas, adoram impor a instalação de Comissões Parlamentares de Inquéritos. A “presunção de culpa” se sobrepõe à “presunção da inocência”, inscrita na Constituição, e reputações são jogadas na lata de lixo da noite para o dia. A agenda política fica contaminada pelo denuncismo vazio, que rende pontos no Ibope e novos anunciantes, e que ofusca o debate sobre os problemas estruturais da democracia brasileira.

O processo sui generis de concentração da mídia nativa e sua alta capacidade de manipulação de corações e mentes são, de fato, graves atentados à democracia. A lavagem de roupa suja entre as duas maiores emissoras do país, num caso inédito de transparência no setor, revela que há muito a se apurar sobre a ditadura midiática.

Ela cria a oportunidade ideal para as forças organizadas da sociedade, engajadas na luta pela democratização da comunicação, também exigirem a instalação de uma CPI para averiguar tais irregularidades. Impõe a vários parlamentares, hoje alvos da fúria midiática, uma revisão deste poder descomunal. E não faltam motivos para esta justa demanda.

A sensível questão religiosa

Liderando uma “cruzada” que reúne os jornalões Folha e Estadão e a revista Veja, a Rede Globo tem exibido para milhões de telespectadores várias denúncias contra a sua principal concorrente. Com base numa denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a TV Globo tem apresentado exaustivamente matérias que comprovariam formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Willian Bonner e Fátima Bernardes, o casal-âncora do Jornal Nacional, o noticiário de maior audiência no país, não se cansa de mostrar os vínculos entre o Edir Macedo e a Rede Record.

As reportagens globais também procuram explorar a sensível questão religiosa, acusando a Iurd, que possuí 8 milhões de fiéis no Brasil e igrejas espalhadas por 174 países, de desviar dinheiro das doações para compra de imóveis suntuosos, carros importados e emissoras de rádios e TV. “Edir Macedo deu outro destino ao dinheiro doado à Igreja Universal”, acusou Fátima Bernardes no Jornal Nacional. Com várias imagens das pregações feitas nos cultos, a TV Globo insiste que “a religião é apenas um pretexto para a arrecadação de dinheiro”. Os ataques são duros e diários.

Golpismo e irregularidades

Como resposta, a TV Record tem exibido para milhões de brasileiros inúmeros fatos irrefutáveis que só uma minoria conhecia. Aproveitando-se da vulnerabilidade política da concorrente, ela mostrou que a Rede Globo é cria da ditadura militar e que construiu seu império graças ao apoio decidido dos generais golpistas. Celso Freitas e Ana Paula Padrão, os âncoras do Jornal da Record, que já estiveram do outro lado do front, lembraram as fraudes para impedir a vitória de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, as manobras para esvaziar a mobilização popular pelas Diretas-Já, a fabricação do “caçador de marajás” e as várias investidas para desestabilizar o governo Lula.

Mas a TV Record não ficou somente no campo da política – como a concorrente também não se limitou à discussão religiosa. Ela também apresentou inúmeras denúncias de irregularidades. Já na sua origem, o acordo misterioso com a empresa estadunidense Time-Life, numa transação que era proibida pela lei brasileira e que rendeu milhões de dólares à TV Globo. Depois, na aquisição suspeita da TV Paulista, num negócio com documentos falsos. O ex-ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, também garantiu numa entrevista que a Globocabo contraiu empréstimos irregulares na Caixa Econômica Federal e no BNDES, em 1999, no valor de R$ 400 milhões. Outra bomba foi a denuncia de que a TV Globo ocupa um terreno da Secretaria de Planejamento de São Paulo, numa relação promíscua com o governo tucano de José Serra.

Apuração rigorosa das denúncias

Como se observa, as denúncias de ambos os lados são graves e exigem rigorosa apuração. Em função da “guerra nada santa” entre as duas principais emissoras de televisão do Brasil, o tema hoje está na boca do povo – o que é saudável para a democracia.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a mídia contribuiria para investigar a veracidade dos fatos. Além disso, a CPI seria uma importante alavanca para o debate sobre a urgência da democratização dos meios de comunicação no país. Afinal, as emissoras privadas usufruem de uma concessão pública. Elas não podem ficar acima das leis, da Constituição e da Justiça.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PARRÁ

Parrá – a elegância do ritmo.




Lau Siqueira

A boemia pessoense ainda preserva seus mais alinhados personagens. Principalmente no anonimato turbulento das ruas da Cidade Antiga. Na Ladeira da Borborema guardamos boas memórias do poeta Manuel Caixa D’água. Nos escambos temporais deste início de século, ainda há quem nos faça sonhar com a velha Parahyba do Norte - “morena brasileira”. A eterna Cidade das Acácias. Um lugar onde os sagüis pululam pelos resquícios da Mata Atlântica e onde as prostitutas retomam o simbolismo histórico da luta pelo reconhecimento da profissão. Assim a cidade vai se organizando politicamente no movimento das águas e dos tempos. Convulsionando uma urbanidade que nasceu nas margens de um rio para desaguar nas memórias do futuro.
Foi numa cidade assim, ali no Roger - mais exatamente na Rua Anísio Salatiel número 60 - que nasceu Severino Ramos de Oliveira. Isso foi no ano de 1938. Ainda na primeira infância o irmão lhe conferiu o apelido de Parrá, sem saber que estava realizando um batizado artístico. Nascia um personagem da cultura de uma cidade absorvida, naquele momento, pela era do rádio. Um tempo em que as ondas médias e as ondas curtas determinavam o todo poderoso veículo da comunicação popular. Um talho de modernidade no provincianismo de uma cidade que presenteou o Brasil e o mundo com personalidades importantes da cultura brasileira. Como o cidadão do mundo, Ariano Suassuna. Um litorâneo de alma sertaneja. Um homem que trafega sua existência nas raízes da expressividade cultural do povo nordestino. Tudo dentro de uma rotina de invenções. Numa plasticidade de cores e ritmos. Elementos para o cenário de uma vida dura que gerou a alma delicada dos seus artistas.
Parrá representa o glamour e o estigma de uma geração que construiu os maiores referenciais da chamada Música Popular Brasileira. Na verdade, uma geração que abriu as comportas para o nascedouro da MPB enquanto conceito, dentro da universalidade natural da música de qualquer região do planeta. Um tempo de grandes ritmistas como Jackson do Pandeiro que esteve para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na mesma proporção que Parrá esteve para a época de ouro da Rádio Tabajara, aqui na Paraíba. Com absoluta convicção do seu destino, Parrá soube traçar (na base da “marmota”, tantas vezes) os seus próprios caminhos. Sempre com a simplicidade de um homem que fez da música a sua forma de transcendência no tempo. Preservando-se enquanto menino, em cada leitura do mundo que o cerca. Tudo isso compõe o inventário de uma vida que não guardou espaços para a tristeza, mesmo que estas tenham sido tantas e muitas vezes, tão profundas.
Parrá está situado na história da música nordestina, entre os grandes nomes do seu tempo. É certo que não teve o seu trabalho reconhecido lá fora, principalmente no vigor da juventude. Até porque muito pouco saiu da Paraíba. Principalmente porque nunca saiu do Nordeste. Somente este detalhe apartou o cantor de um reconhecimento público muito semelhante aos artistas que foram consagrados nacionalmente pela mídia, abrindo os olhos do país para a efervescência cultural da Paraíba. Mesmo assim, Parrá influenciou e influencia as novas gerações de músicos paraibanos. Com sua elegância, com suas convicções estéticas, com suas marmotas, com sua alegria perene e sua dignidade. Ele faz parte de um grupo seleto que reúne nomes como Livardo Alves e outros que, mesmo sem sair da cidade, conseguiram uma consagração e um reconhecimento raro para os chamados “santos de casa”. Parrá não é e nunca foi santo. Todavia, está na área e “obra milagres” - como se costuma dizer por aqui - com a inventividade da sua arte. Sua natureza é criativa e musical. Um artista que soube eternizar-se na memória da cidade. Seja pela sua simplicidade conjugada com sua irreverência, mas principalmente pelo seu inquestionável talento e pela organicidade da sua atividade intelectual.
Logicamente que se torna um tanto quanto redundante ressaltar as influências jacksonianas. Aliás, essas influências do grande mestre de Alagoa Grande chegaram também para Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, Chico Cesar e até mesmo aos roqueiros conterrâneos do Rei do Ritmo da banda Jackson Envenenado, de Alagoa Grande. Mas, com Parrá, foi diferente. Não se trata apenas de uma influência. Trata-se da absorção geral de todos os mimos, trejeitos, manejos e traquejos de uma tradição rítmica bem nordestina e, sobretudo, genuinamente paraibana. Algo que esteve representado na existência artística de Jackson, mas que também está em Parrá, Biliu de Campina e outros artistas importantes desta terra de grandes artistas. Este é o diferencial que coloca o nome de Parrá sempre na vanguarda quando o assunto é Jackson do Pandeiro. E é exatamente isso que diferencia o nosso Severino Ramos de Oliveira. Não seria ele um cover do mestre. Falando assim, num tom bem nordestino, o morador da Rua Anísio Salatiel número 60, no Roger, seria a mais perfeita “parêa” musical e existencial do velho Jackson do Pandeiro.
Na cena musical contemporânea do Estado, o cantor e compositor ainda resiste ao lado de grupos como Burro Morto, Chico Correa, Cabruêra, cantores como Escurinho, Erivan Araújo e Gláucia Lima que, com certeza, souberam e sabem beber na fonte inesgotável que é a musicalidade deste artista cujas levadas e cujo suingue transpiram no cotidiano da cidade, de onde ele sempre arrancou o barro, o fogo e a água, para esculpir canções que marcaram a história musical do Nordeste. A musicalidade de Parrá está muito mais viva que nunca!
Em 2006, na festa de aniversário da cidade, a homenagem foi para Jackson do Pandeiro. As escolhas da Fundação Cultural de João Pessoa não poderiam ser mais exatas. A Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa, criada e regida pelo maestro argentino radicado na cidade, Gustavo de Paco, tocou 11 músicas de Jackson. Todas interpretadas de forma impecável pelo irreverente Parrá. Um show de competência e identidade cultural. Na verdade aquele show representou certo redimensionamento da relação entre a música erudita e a música popular. Naquele momento, Parrá se mostrava digno da consagração na memória do seu povo. O público cantava entusiasmado os sucessos de Jackson, como se o show fosse com o próprio. O Canto da Ema, Sebastiana, Um a Um, Forró em Limoeiro e outras. Naquele momento Parrá selava em sua carreira um reconhecimento que vinha sendo, injustificadamente, sonegado. Em um show realizado anteriormente, no São João, ele fez uma declaração pública que vale como alerta para os gestores de cultura que não se preocupam com a preservação da memória dos seus artistas: “eu estava morto e vocês me ressuscitaram”, disse Parrá. Na verdade, Parrá, a cidade é que andou entorpecida, desmemoriada, fora do eixo... Você representa o espírito e o corpo de uma cultura que não se rende, independentemente da sensibilidade de quem a governa. Uma cultura de resistência que transita soberanamente entre a tradição e a modernidade.
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DIÁRIO DE UM LOUCO
DIÁRIO DE UM LOUCO
Acompanhe a trajetória do grupo Lavoura, encenando o clássico de Gogol no Projeto Palco Giratório, do SESC. O link está na imagem.
Meu outro blog: POESIA SIM.


Lau Siqueira
Jaguarão (RS), residência na Paraíba, Brazil
Lau Siqueira soy yo! Nasci em Jaguarão, no coração do Pampa gaúcho... E continuo nascendo na Paraíba, onde resido há pouco mais de duas décadas. Todos os dias eu acendo um Sol dentro de mim. Todos os dias eu frequento as quatro fases da Lua. Tenho duas filhas, uma neta, quatro livros publicados, participação em antologias e antropofagias. Poemas musicados. Rabiscados, também. Gosto de dizer que nasci ontem, mas que sou muito antigo. Escrevo poemas pra disfarçar meus escudos. Fui!

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sábado, 1 de agosto de 2009

LAÉLIO

DO POETA RIOGRANDENSE - Caetano Veloso em Natal visto pelos versos de Laélio Ferreira

Deu no Jornal a Tribuna do Norte:

“Não enquadrei o meu show na Lei Rouanet. A produção que organiza a turnê optou pela lei, como um recurso que está disponível para qualquer artista usufruir. A polêmica está girando em torno de mim, mas eles também aprovaram o projeto da Ivete, por exemplo”, repetiu Caetano.

E acrescentou: “Estou mais interessado no diálogo cultural com a plateia. Não combino com as pessoas que gostam de dinheiro. Eu particularmente não gosto! Não faz parte da minha infância. Gostaria mesmo que os meus shows fossem mais baratos para todo mundo. Ingresso caro traz gente careta para o show. Não que as pessoas ricas sejam caretas, mas assim usa-se outro critério de seleção do público”. Os ingressos do show do cantor em Natal giram entre R$ 50,00 (pista) a R$ 500,00 (mesa).”

Meus Verdes Anos
(sob licença de Casimiro de Abreu)

Oh! que saudades que tenho
da Santo Amaro querida,
da minha infância fodida
que os anos não trazem mais!
Ao vil metal tinha horrores
mas era, então, já, danado,
já fumava um baseado,
à sombra dos cajuais!

Naqueles tempos ditosos
ia colher os pepinos
e os trocava com os meninos,
brincava à beira do mar...
Sonhava com Sampa, Londres,
com a invenção da Tropicália,
com muito fumo e a sandália
- sem ficar rico - gastar!

Que beleza, hoje, é a vida:
veja só vossamercê:
sou freguês da Lei Rouanet,
“ingênuo” vivo a cantar!
No Rio Grande do Norte,
canto em Natal pros caretas,
gosto pouco de bocetas
- quem quiser, vá se lascar!

Laélio Ferreira
Natal RN, julho/2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

CEMREIS




BLOCO ANJO AZUL - PRIMEIRO DO CENTRO HISTÓRICO, É CONVIDADO PARA A INAUGURAÇÃO DO NOVO PONTO DE CÉM REIS - 04 DE AGOSTO 2009. 18:00hs.


As obras de revitalização da Praça Vidal de Negreiros, conhecida pelos pessoenses como "Ponto Cem Réis", em ritmo acelerado.

Na praça caberá uma homenagem ao compositor e músico parahybano, Livardo Alves, famoso naionalmente pela composição da marchinha carnavalesca "Marcha da Cueca". Ele será imortalizado numa estátua em bronze, em tamanho natural, sentado num banco da praça, lugar onde ele passava as tardes em companhias de amigos e boemios. A peça será fixada no local, próximo ao Paraíba Palace Hotel, outro lugar de sua preferência para o famoso cafezinho, em nosso sítio histórico.

A reconfiguração do local estabelecida com a instalação de uma placa leva o nome do inesquecível ex-prefeito de João Pessoa Damásio Franca,( im memória ),o lugar já passou de viaduto a túnel,virou praça, a população parahybana recebe com alegria nesse próximo dia 4 de agosto de 2009, véspera do aniversário de 424 anos da Capital que é a terceira cidade mais antiga do Brasil também Patrimõnio Nacional, e que está em seu quinto nome desde sua fundação em 1585 ...

A intervenção, orçado em R$ 1.763.148,23, faz parte do Projeto de Revitalização de Praças e Parque da cidade de João Pessoa, executado pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra).

Os serviços estão concentrados nos acertos finais do piso, iluminação, bancos, pintura e jardinagem, além da colocação dos domus, que é uma estrutura metálica em forma de pirâmide, instalada para facilitar a ventilação e a colocação da iluminação local. As obras seguem na etapa final também nos serviços de restauração das calçadas , espaços ocupados pelos blocos carnavalescos BLOCO DA CUECA, Anjo Azul , AS ANJINHAS, PINGUIM, BLOCO DA LIMPEZA, PÉ DE MATO, PICOLÉ DE MANGA, entre outros, durante a abertura oficial do Projeto FOLIA DE RUA - MAIOR PRÉVIA CARNAVALESCA DO BRASIL.

Os pessoenses vão poder visualizar um novo espaço, amplo e moderno destinado a melhor circulação das milhares de pessoas que transitam no local diariamente.

No Ponto de Cem Réis já existiram trilhos por onde passavam o bonde elétrico o cobrador anunciando a tarifa "cem réis". Nos arredores também existia uma praça e uma alça ligando a avenida Guedes Pereira à Duque de Caxias, hoje cederam lugar a um pátio que impressiona pelas dimensões: 5.214 metros quadrados, local de concentração do Bloco da CUECA - em homenagem ao músico grande carnavalesco Livardo Alves.

EU MATO
EU MATO
QUEM ROUBOU MINHA CUECA
PRÁ FAZER PANO DE PRATO

MINHA CUECA TAVA LAVADA
FOI UM PRESENTE
QUE EU GANHEI DA NAMORADA

domingo, 26 de julho de 2009

API



JORNALISTAS ELEGEM PRIMEIRA MULHER À PRESIDENCIA DA ASSOCIAÇÃO PARAHYBANA DE IMPRENSA DO ESTADO.


http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=20090725102500

Marcela Sitônio é a nova presidente da API



A jornalista Marcela Sitônio foi eleita presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API) com 600 votos válidos, contra 6 em branco e apenas um nulo.A entidade tem 2.079 associados. Destes, estavam aptos a votar 1.550. Mas apenas 607 compareceram às urnas instaladas em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, representando 42% do eleitorado com direito a voto.

A posse dos novos membros da diretoria da API vai acontecer no dia 02 de setembro, conforme prevê o Regimento Eleitoral. O local e horário ainda serão definidos.A diretoria eleita terá um mandato de três anos e Marcela Sitónio é a primeira mulher a assumir a presidência da entidade ao longo de 76 anos de fundação.

A eleição aconteceu na última sexta-feira no interior do Estado e neste sábado em João Pessoa, onde a votação foi encerrada às 17 horas.

A nova presidente da Associação Paraibana de Imprensa agradeceu os votos dos colegas de imprensa e disse estar satisfeita com o resultado das eleições. "Considerando que a eleição foi com chapa única, sem disputa, a participação nas urnas foi bastante significativa", disse ela.

Os números das urnas recebeu foram os seguintes:

João Pessoa - 376 votos
Campina Grande - 121 votos
Sousa - 43 votos
Cajazeiras - 28 votos
Patos - 16 votos
Pombal - 12 votos
Guarabira - 9 votos

sábado, 25 de julho de 2009

ANDRÉ



ENCONTRO BACANA,

ANDRÉ & EDNAMAY, aniversário da EDNA LEE

ANIVERSÁRIOII



CHICO VIOLA & ANELY MOREIRA

ANIVERSÁRIOEDNALEE

sexta-feira, 24 de julho de 2009

VALDEZ

A classe rica, aristocrática, é a mesma em qualquer lugar. Em tempos avoengos, boatou que os ricos eram ricos devido a providência divina, e, com a ajuda da Igreja, que os pobres deveriam ser sempre pobres, com a graça de Deus... Não é sem razão que a pobreza ainda acredita que estudar faz maluquecer as pessoas. Eis que o vulgo atribuia as esquisitices de Don Quixote ao fato deste se haver metido com os livros. Só que vieram Voltaire, Diderot, Rousseau, e o honorável Calvino, a dizer que um peido, dado após uma boa comida e a um bom vinho, era mais confiável que essas estórias criadas pelos ricos.

No Brasil, está a divulgar que um operário não tem condições de governar o país; que a vaca vai para o brejo se Lula for eleito Presidente; que o Brasil vai enveredar pelos caminhos da Argentina.

A mesma coisa diziam os aristocratas de Thomas Jefferson, que também havia nascido sem eira nem beira; diferentemente de Washington, John Adams e Alexandre Hamilton, homens de berço e ricos proprietários. Consolidada a independência americana, trataram os aristocratas, federalistas, de criar mecanismos jurídicos para dificultar a ascensão do Zépovinho ao poder. Criaram um Estado centralizado e um colégio eleitoral, somente constituido de bem nascidos, que indicaria os candidatos a candidato.

Jefferson, claro..., se opunha aos federalistas. Estes, por sua vez, diziam que Jefferson era um perigoso demagogo, livre-pensador, partidário do amor-livre, e que tinha vivido muito tempo na França para ser um sincero patriota americano... Esqueciam-se de que os franceses tinham emprestado dinheiro e homens à causa da Independência, entre os quais se destacara a figura exponencial do jovem Marquês de La Fayette, que lutara ao lado de Washington. Curioso que os americanos, durante a luta pela independência, concluiram inúmeros tratados de amizade com a França.

Em 1789, ano da queda da Bastilha, foi a vez dos franceses cobrarem dos americanos uma ajuda. Madaram Genêt aos EEUU, com a mesma finalidade com que Mister Benjamim Franklin, poucos anos antes, havia aportado na França. Mas havia uma enorme diferença... Na América a revolução tinha posto no poder proprietários, aristocratas e a classe alta; na França o poder estava nas mãos das massas pobres, dos democratas, das multidões desprezadas dos cortiços. O governo americano escorraçou Monsieur Genêt e aliou-se à Inglaterra, inimiga da França. Para coibir quaisquer manifestações contrárias a essas medidas fez aprovar pelo Congresso: a) Lei dos Estrangeiros, que aumentava de 5 para 14 o número de anos necessários para um estrangeiro obter a cidadania americana, além de permitir prender e exilar todo estrangeiro considerado indejável, ou que pertencesse a uma nação em guerra com os EEUU; b) Lei das Sedições, que permitia prender quem falasse mal do governo, do Presidente e das casas do Congresso, ou quem instigasse a oposição contra um ato legal do Congresso ou do Presidente.

Ocorre que o povo americano não esquecera da ajuda que recebera do povo francês e foi para as ruas protestar. Thomas Jefferson conseguiu que algumas Câmaras estaduais votassem pela inconstitucionalidade da Lei das Sedições, vez que esta cerceava as liberdades de expressão. Foi no topo dessa indignação popular que Thomas Jefferson foi eleito o terceiro presidente dos EEUU, em 1809. Um homem sem berço, que abriria um precedente para que, mais tarde, um lenhador ocupasse, também, o posto mais importante dos EEUU.

Precisamos mudar... Acreditar, como os americanos, que qualquer cidadão de bem está capacitado para dirigir os destinos do nosso país, seja ele lenhador, torneiro mecânico ou professor de sociologia das arábias!

valdez

quinta-feira, 23 de julho de 2009

AREIA

Município de Areia recebe programação do 'Caminhos do Frio 2009'

O roteiro turístico 'Caminhos do Frio 2009' aporta esta semana em Areia. O município que é um dos mais admirados por seus atrativos culturais, além de carregar o título de Patrimônio Histórico Nacional, receberá os visitantes com a programação do festival ‘Frio, Cachaça e Arte’. Entre os dias 20 e 26, turistas e moradores poderão curtir uma extensa programação de oficinas, exposições, apresentações culturais, festivais gastronômicos, provas de cachaças do brejo e muitos shows.



Distante 122 km da capital, transpirando arte com o clima frio e ameno que caracteriza a época na região, Areia se apresenta como um dos destinos mais aguardados da rota. A cidade é solo do famoso Teatro Minerva, primeiro teatro do Estado, que comemora durante a Rota os seus 150 anos, muito bem conservados. “O Caminhos do Frio será enriquecido com mais esta festa. O nosso intuito é receber visitantes, mas primordialmente fazer com que a comunidade se enxergue na história do município e ame cada vez mais essa cidade”, comenta Lúcia Giovana, coordenadora do Ponto de Cultura de Areia e uma das organizadoras da programação.



Na busca por essa valorização está programada uma excursão fotográfica, ‘Olhar na Cidade’, onde os inscritos farão fotos de localidades de Areia para serem exibidas durante toda a Rota em um telão na Praça Pedro Américo. A expedição acontece no dia 25, sábado, das 8h às 17h, e os grupos serão acompanhados por um profissional e moradores da cidade capacitados em oficinas, para prestar orientações aos participantes. Para quem deseja integrar um desses grupos basta ter uma câmera fotográfica e se inscrever através do telefone (83) 8650-6782.



É no sábado também que o município espera receber mais visitantes durante toda a programação. Segundo Ney Vital, secretário de turismo de Areia, para o dia, a cidade aguarda cerca de 20 mil pessoas circulando e gerando renda para o município. “A grande atração do dia vai ser o show dos Três do Nordeste, conservando a tradição de se fazer um evento genuinamente da terra. Nos outros dias do ‘Caminhos do Frio’, esperamos receber 1 mil visitantes ao dia”, afirma Ney. O secretário ainda colocou que durante esta semana os moradores de Areia passarão por um processo de capacitação através de oficinas para atender ao público.



Mais atrações- E como turismo não é turismo sem uma boa comida, Areia reservará aos visitantes a oportunidade de degustar pratos feitos à base da cachaça e da rapadura, produto tão característico da região. Serão oito restaurantes participantes do Roteiro Gastronômico com atrações no cardápio que vão desde o Empanado de banana com Cachaça ao Cabrito Embriagado. A cidade conta com o trabalho ativo de 28 engenhos que produzem cachaça, rapadura, quentão, entre outros. Um dos filhos mais ilustres da terra é o engenho da Cachaça Triunfo, que recebe em suas dependências visitantes para acompanhar toda a rotina de produção da cachaça contando ainda com um espaço para a degustação do produto e uma lojinha.



Além dos engenhos, as belezas naturais da região e o acervo histórico também são atrativos do roteiro. Em paralelo às atrações culturais, os visitantes podem fazer programas alternativos que começam bem cedo. Caminhadas ecológicas no Famoso Parque Estadual Mata do Pau Ferro, visita ao Museu da Rapadura, ao Solar José Rufino e ao Espaço da Arte e Cultura Horácio de Almeida, que estará abrigando uma exposição com as flores de Areia, completam a programação no município.



"O patrimônio arquitetônico e a natureza de Areia exibem um charme especial que certamente será apreciado pelos turistas. Além de manter as características da época da civilização do açúcar", ressalta Regina Amorim, gestora do Projeto de Turismo do Sebrae Paraíba.


Para quem deseja pernoitar na cidade a novidade deste ano é a hospedaria criada nas dependências do Colégio Santa Rita. O prédio, cuidado por irmãs alemãs, costumava receber em suas dependências nos tempos do Ciclo da Cana-de-açúcar filhas dos ricos donos de engenho do estado. “Além do Colégio, a cidade conta com outras hospedarias, mas também estamos orientando que os moradores abriguem seus amigos”, explica Lúcia.



Brejo em destaque- O‘Roteiro Caminhos do Frio - Rota Cultural 2009’ pretende apresentar o potencial turístico de mais quatro cidades da região do Brejo paraibano, além de Areia. Desembarcando nas cidades a cada fim de semana até o mês de agosto, as próximas cidades a receberem as atrações da Rota são: Bananeiras, 27 a 1º de agosto, Serraria, de 03 a 08 de agosto, Pilões, de 10 a 16 de agosto, e por fim em Alagoa Grande, 17 a 23 de agosto.


O Caminhos do Frio 2009 é uma parceria entre Sebrae Paraíba, Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, Secretaria de Segurança e Secretaria de Cultura, com a realização das Prefeituras Municipais. Para acessar a programação completa da Rota, entre no site www.sebrae.com.br/uf/paraibaou através da Central de Relacionamento Sebrae, 0800 570 0800.

Sebrae Paraíba

quarta-feira, 22 de julho de 2009

FUNESC

FUNDAÇÃO ESPAÇO CULTURAL

Maurício Burity relata desafios à frente do “quartel general” da cultura paraibana

Maurício: motivação que vem do berço

Por Elinaldo Rodrigues


O sobrenome do atual presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), Maurício Burity, está ligado à história política e cultural paraibana contemporânea devido especialmente à atuação do seu pai, o ex-governador Tarcísio Burity. Dessa memória, que inclusive motivou a aceitação do convite para presidir a entidade, ele cita a criação do próprio Espaço Cultural, associado a uma educação familiar que sempre esteve associada à vivência cultural.

Pela frente, está o desafio de recuperar a imagem de um dos mais importantes instrumentos culturais do Estado. Devido ao descaso a que foi relegado nos últimos anos, o Espaço Cultural passou a ser considerado um símbolo de decadência. Essa missão está sendo iniciada através da restauração física do prédio que ele pretende transformar no quartel general da cultura do Estado. Afinal, além da gigantesca estrutura que concentra cinema, teatro, galeria de arte, bibliotecas, planetário, lutheria, orquestra, acervos, entre outros, o lugar reúne simplesmente um verdadeiro batalhão de funcionários. São 360. Por essa razão convidou o subsecretário de Cultura, Flávio Tavares a se instalar nesse “quartel” e juntos traçarem as estratégias do Estado para a cultura. O esboço desses planos prevê o mapeamento das vocações culturais da Paraíba, com o intuito da democratização cultural, especificamente com a promoção de Festivais de Arte em cidades pólos; além da realização do tradicional Festival Nacional de Arte que pretende realizar em abril do próximo. Recursos para isso, muito pouco ainda, pois o caixa da instituição foi zerado através de manobra do ex-governador Cássio Cunha Lima, conforme denuncia. Isso impediu, por exemplo que o Fenart fosse realizado neste ano. Mas, além de incentivar a captação de receitas com a locação de alguns espaços da instituição, Maurício espera contar com o compromisso do governador que, segundo ele já vem se demonstrando sensível em relação as necessidades da instituição. Outro canal é a parceria com o Governo Federal, através do Plano Nacional de Cultura. Esses são alguns assuntos que pautaram a entrevista ao janelacultural.com que transcrevemos na íntegra.

A Entrevista

Gostaria que o Sr. resumisse a sua trajetória, especificamente na experiência com a área cultural, diante da missão que assume agora à frente da Funesc.

A minha vida foi pautada na iniciativa privada. Motivo pelo qual eu fui morar em Recife. Por 18 anos fui distribuidor da Antártica, onde realmente eu tive experiência… Mas, claro que com o convívio, as escolas, evidentemente, tenho uma ligação cultural forte, começando em casa. Os meus pais sempre me incentivaram, assim como aos meus irmãos, a estarem participando, vamos dizer assim, indiretamente, de cultura. Então, houve um convite inicial do governador para a minha mãe (Glauce Burity) assumir aqui a presidência; ela declinou do convite, por conta de um projeto que está envolvida para finalização de um livro sobre a vida de Antenor Navarro. A vaga na presidência da Funesc ficou aberta mais ou menos uns 3 meses, até que, através de uma conversa com o secretário Sales Gaudêncio (Educação e Cultura),ele me convidou. Eu estava em Recife, houve esse convite, eu pedi umas 48 horas para avaliar, enfim… o que me motivou aceitar foi o fato de meu pai (ex-governador Tarcísio Burity) ter sido o criador dessa maravilhosa obra, que é o Espaço Cultural, e ser uma pessoa que está muito ligada à cultura.

Exatamente, uma das características mais fortes do governo de seu pai, foi o incentivo à cultura erudita… Qual será a marca que o Sr. pretende imprimir na sua gestão à frente da Funesc?

Existem duas frentes que eu vou atuar. A primeira, evidentemente, em relação ao próprio Espaço Cultural, que é um ícone da cultura da Paraíba, e é uma obra complexa, que envolve praticamente todas as atividades culturais dentro de um espaço físico. Então, como presidente da Funesc, temos aqui a relevância de preservar, de promover, de incentivar e de registrar a cultura. E num processo de resgate, porque ele foi abandonado. A gente consegue ver claramente o descaso em que deixaram o Espaço Cultural, onde todas as atrações culturais foram deixadas a esmo. A lutheria, por exemplo, que envolve o processo de fabricação de instrumentos clássicos. e só existem duas no Brasil, não estava trabalhando a contento. Nós estamos resgatando a volta das aulas na lutheria com o intuito de transferir as técnicas para novas gerações. Temos o planetário fechado há dois anos e meio. Quando funcionava, ele trazia em torno de 350 a 400 crianças por dia. Temos a biblioteca, que também está fechada há seis anos; também representava em torno de 400 pessoas por dia. Ou seja, tem um processo importantíssimo na comunidade, de promover, de incentivar a leitura, colocando a disposição um acervo de 90 mil livros. Hoje esses acervos estão todos empacotados, até com receio de serem danificados por conta das goteiras. Temos o impedimento do Ministério Público limitando o horário dos eventos aqui na Praça do Povo até as 22 horas. Também estamos tentando no Ministério Publico, junto à comunidade, através de uma audiência pública, uma negociação para reavermos um horário pelo menos até meia noite. E com isso voltar a atrair shows, mas shows com perfis culturais. Temos um cinema que também não tem uma programação a contento, está fechado, sendo aberto apenas para concertos da orquestra sinfônica. Então, reabriremos também o cinema, com programação de arte e filmes comerciais. Essa seria também a função do cinema. Temos a galeria de arte, que está sendo reaberta, para voltar a ter vernissage, ter contato com artistas da região. Encontramos também a Orquestra Sinfônica com uma quantidade de 42 músicos. Na sua época áurea, inclusive quando foi regida por Eleazar de Carvalho e Isaac Karabichevisk, dois maestros de renome internacional, ela tinha 126 músicos. Ou seja, está com menos da metade; além de um processo contínuo de evasão desses músicos, porque existe uma defasagem salarial em torno de 30 por cento em relação aos estados circunvizinhos. É um processo que se hoje eu falo 42 músicos, talvez quando essa reportagem for publicada, poderá ser apenas 40 músicos. Então, eu receio que a gente testemunhe aqui uma piada de mau gosto: se deixar do jeito que está, no final do ano, vai virar um quinteto. Nós temos excelentes músicos, mas estamos perdendo para outros Estados. Infelizmente, esse é o cenário. Então, como presidente da Funesc tenho o dever e a obrigação de reabrir todas essas atividades. Além disso, há uma série de questões administrativas, há muita sujeira a ser retirada, goteiras generalizadas… Você vai na escola de dança e sente muito cheiro de mofo, as mães estão retirando as crianças. Você vai na escola de música Antenor Navarro, importantíssima, as goteiras também estão generalizadas; além do cinema e do teatro. Participei de uma apresentação da Orquestra Sinfônica, onde havia uma goteira em cima dos músicos, quase que foi cancelada a apresentação. Além da poluição visual e da inadimplência; cerca de 90 por cento dos boxes estão em inadimplência, mal mantidos, sujos, mal pintados, o piso todo danificado. Encontrei também uma defasagem de pauta; porque nós temos que manter isso aqui cobrando também, pois precisamos de receita. O repasse do Estado é insignificante para termos uma manutenção a contento. Num primeiro momento, vamos fazer uma manutenção corretiva, corrigindo todos os erros do passado. E após esse processo, vamos fazer uma manutenção preventiva que é menos onerosa. Para isso precisamos de receita. Somos uma fundação e precisamos dos alugueis dos espaços, e sobretudo dessa área da Praça do Povo, que tem a função de ser centro de convenções. Claro, o Espaço cultural perdeu um pouco de sua verdadeira vocação, que seria um ambiente meramente cultural; mas, por ironia do destino hoje o espaço cultural precisa desses eventos de convenções. São esses eventos que trazem praticamente 90 por cento do faturamento do Espaço Cultural. E é isso que vai nos trazer uma manutenção adequada.

Ou seja, essas atividades vão continuar?

Vão continuar, mas claro, vamos também identificar que tipos de eventos. Não iremos admitir por exemplo, exposições de caprimos e bovinos como houve no passado. Ainda em relação à defasagem de pauta, identificamos uma defasagem na ordem de 400 a 500 por cento. Estava sendo cobrado centavos por metro quadrado, enquanto que em estados vizinhos é cobrado 4 a 5 reais. Então, a partir do próximo mês iremos cobrar uma pauta mais justa. Embora também não podemos equiparar com os centros de convenções de estados circunvizinhos que se encontram em bom estado. Infelizmente o Espaço Cultural está num processo de saída do caos para um estado razoável no que possamos realmente receber a contento.

O Sr. citou vários planos que demandam muitos recursos. Existem recursos suficientes para essas realizações, além da receita da locação de espaço?

Desses recursos, parte será proveniente da receitas dos eventos que estão acontecendo ao longo do ano, que com certeza irão me ajudar a resolver em parte. A outra evidentemente, será da decisão do governador, que está sensível à situação do Espaço Cultural, apesar da herança maldita que ele recebeu. A Funesc inclusive foi prejudicada pela atitude do ex-governador cassado, que em dezembro baixou um decreto, isso para todos os órgãos superavitários do Estado, incluindo a Funesc, o Detram e outros órgãos que tinham dinheiro em caixa, ele transferiu em 20 de janeiro, na véspera de sair, para uma conta única do Estado, pra pagar seus fornecedores e tal, e deixou a Funesc e outros órgãos na estaca zero. Então, de 20 de janeiro pra cá, é que o Espaço Cultural voltou a fazer caixa. Inclusive, esse foi um dos motivos pelos quais não realizamos o Fenart. Porque o Fenart é muito simples, nós precisamos de dinheiro. Então, como é que nos vamos despejar aqui um milhão de reais em dez dias, no Fenart, se nós temos que reabrir as atividades culturais do Espaço Cultural e também ter a manutenção a contento. Então, não vai ser por conta de um ano… Tem alguns políticos aí querendo erroneamente se enaltecer politicamente as custas de uma situação dessas, mas a própria classe artística entende, a Paraíba entende. Infelizmente não podemos fazer o Fenart este ano, mas apenas em abril que é a data dele. Além disso, preparamos a quatro mãos, eu e o Flávio Tavares (Subsecretário de Cultura) o Plano de Cultura do Estado, de acordo com a luz do Ministério da Cultura. O Plano Nacional de Cultura tem como base referência a necessidade de interiorização da cultura, conseqüentemente a democratização da cultura, com a inclusão social. Nós temos dois caminhos para resgatarmos a inclusão social: através do esporte e da cultura. Estamos mapeando e buscando as vocações por região. Então nós vamos identificar através de um senso, quem é quem, qual a vocação, e descobrirmos nessa região qual será a cidade pólo e criarmos uma data para que essa região seja contemplada com um evento. Até hoje ainda não definimos um nome para esse evento, mas poderá se chamar Fenart do Cariri, por exemplo. E nisso fazermos uma radiografia das regiões do estado, buscando a vocação do sertão, que é uma vocação diferente da vocação do cariri, que é diferente da vocação da zona da mata. Então vamos fazer esse mapeamento dessas regiões identificando essas cidades pólos culturais e incentivando, porque nosso trabalho é preservar, promover e incentivar.
Instituição estará voltada para democratização da cultura

Instituição estará voltada para democratização da cultura

Então a idéia seria dar continuidade ao Fenart na capital, em abril, e ao longo do ano realizar edições específicas nessas cidades pólos?

Exatamente. O Fenart seria em abril, porque a idéia seria fazer esse mapeamento, essa territorialização ao longo deste ano e ter um fechamento final, no Fenart. Então o Fenart terá uma conseqüência desses trabalhos a nível estadual. E claro, já que é um festival nacional e porque não internacional, vamos trazer também algumas expressões do cenário internacional. Então, acho justo esse mapeamento porque se queremos preservar, promover, incentivar a cultura, então não devermos apenas pensar no Espaço Cultural. Ele faz parte, é o grande palco disso tudo, mas temos que levar a cultura ao povo. E dentro desse conceito haverá o Itinerarte. Ele faz parte desse contexto.

Em gestões anteriores, ocorreram acusações de que o Fenart teria sido usado para empregar artistas que teriam apoiado a campanha do então governador. Qual a perspectiva de democratização, não apenas do acesso público consumidor, mas dos artistas e produtores para terem suas produções na programação do evento?

Primeiro, a análise que estamos fazendo nessas regiões é uma análise técnica, não focando a questão política; até porque poderemos até identificar nesse contexto, contemplar municípios até contra a situação do governador. Porque pode ser uma região e uma cidade que tenha um pólo aglutinador muito grande. Então, nós precisamos ter essa consciência: independente do prefeito que esteja, que seja ou não favorável a esse tipo de festival, essa realização passa a ser interesse do Estado. Independente do partido, se o prefeito quer apoiar, ótimo; será bem vindo. Até porque precisamos, de uma certa forma, de parceria na infra-estrutura, etc, mas, independente de qualquer coisa, é do interesse do Estado.

E como está sendo feito essa territorialização?

Quando a gente fala em territorializaçao, envolve seminários, através do quais vamos conhecer quem é quem. E trocar idéias. Então, quando formos formatar esse Fenart do Cariri, vai ser uma formatação ouvindo as pessoas daquela região. E a seleção dos artistas será feita através de edital. Nós vamos ter uma comissão para analisar os editais. Então, a cultura tem que ser tratada de forma apolítica.

Uma comissão para analisar os editais?

Sim, porque através do edital é que se consegue analisar quem é quem. E não uma pessoa que chega e diz que é sobrinha do prefeito ou filha do vereador que tem um grupo de dança, e aí vamos favorecer. Se de repente for um grupo que tem talento, está a 3, 4 anos e tal, nós vamos considerar o critério técnico. Essa é nossa idéia, de criarmos os Fenartes do Cariri, do Sertão, da Borborema… Agora, claro, o pontapé inicial será dado esse ano. Na realidade, nós vamos iniciar isso para que no futuro, não importa o tipo de governante que virá assumir, sejam eventos já consolidados no Estado. Essa é a estratégia que foi apresentada ao governador e ao secretário de cultura, e já foi aprovado.

Então, o ano de 2009 será de preparação para esses eventos, e de restauração dos equipamentos do Espaço Cultural. Ou seja, as atividades centrais só vão acontecer no próximo ano?

Exatamente.

Especificamente em relação aos acervos que o Espaço Cultural abriga, a situação do Acervo Machado Bitencourt é uma das mais críticas, haja vista o estado de degradação a que está relegado ao longo dos anos. Está sendo planejado algum tratamento específico?

Com certeza. No caso específico do Acervo Machado ele está situado num box, um setor que está em situação mais precária em termos de manutenção. Então, dá pena… ontem mesmo eu estive visitando o acervo juntamente com o sub-secretário Flávio Tavares. Na realidade, esses boxes irão passar por uma transformação. Eu gosto de caminhar muito e verificar. Eu tenho o perfil de caminhar, de ir aos problemas, não gosto de ficar sentado no gabinete. E nessas minhas andanças, entrando nos depósitos, eu me deparei com uma quantidade no valor de quase 40 mil reais de blindex, que estavam todos abandonados, um descaso com o patrimônio, um descaso com o bem público. Então, imediatamente liguei para um arquiteto e disse, vamos aproveitar esses blindex para reformular os boxes. Temos um projeto já pronto, ontem foi aprovado pelo secretário e pelo sub-secretário de Cultura e será mostrado ao governador. Ele trata especificamente da fachada e dos boxes onde, na realidade, nós temos uma grande poluição visual. A idéia inclusive, uma vez revitalizando as entradas do espaço cultural juntamente com os boxes, a nossa idéia é trazermos operadores profisionalizados, com cafeteria, creperia, pizzaria etc. O que nós queremos é trazer o Espaço Cultural para o presente. Como não foi feita uma manutenção a contento, ele ficou pra trás. Hoje virou patinho feio da classe artística, da classe política que diz que o espaço cultural está decadente. Na realidade, ele não está decadente, ele foi mal gerido ao longo dos sete anos. Mas, meu propósito aqui, apesar das limitações financeiras e de tempo, é resgatar aquele espaço cultural que sempre nos representou à altura. Inclusive, o Espaço Cultural também será tratado como uma atração turística. Vamos trazer artesãos para que o turista quando chegue aqui veja o planetário funcionando, aprecie o artesanato, a comida típica. Estamos preparando ele não apenas para as atividades culturais, mas também turísticas. Porque o espaço cultural realmente é uma atração turística, não só pela sua concepção cultural, mas também como projeto arquitetônico arrojado e moderno.
Maurício mostra projeto para reformulação da entrada e dos boxes da Funesc

Maurício mostra projeto para reformulação da entrada e dos boxes da Funesc

Em relação ao funcionamento do organograma, a Funesc é vinculada à Sub-secretaria de Cultura que, por sua vez é um apêndice da Secretaria de Educação, ou seja, não há autonomia das instituições culturais, como é lidar com isso?

Realmente, inclusive é uma preocupação do governador e do secretário, porque existe o secretário de Cultura, que evidentemente é uma pessoa extremamente competente, mas a área de educação já demanda um tempo já bem complexo. E nós temos um subsecretário de cultura que tem sete funcionários; enquanto como fundação eu tenho 360. E no próprio regimento interno da Funesc ela é estadualizada, não se resume ao Espaço Cultural e ao teatro Santa Roza. Por isso eu convidei o subsecretário Flávio Tavares para que fisicamente a Subsecretaria se instalasse aqui no Espaço Cultural transformando esse lugar num quartel general da cultura, onde serão elaboradas as estratégias, enfim, para que a quatro mãos, possamos estabelecer escritório de cultura do Estado. Porque, apesar do caos físico, temos aqui um grande patrimônio que são os funcionários do Espaço Cultural; temos pessoas competentes aqui. Precisamos usar essa mão-de-obra a contento. Não só no foco do Espaço Cultural, mas no foco dessa estadualização. É dentro dessa estratégia que o governo está elaborando esse plano político e cultural do Estado. Sendo elaborado a quatro mãos com o total acompanhamento e orientação do secretário de Educação e Cultura.

Tags: Espaço Cultural da Pararaíba, Fenart, funesc, Itinerarte, Maurício Burity, Plano Estadual de Cultura

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terça-feira, 21 de julho de 2009

CARTAABERTA

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Esta postagem é dedicada ao companheiro de militância no MPD, Thiago D'Angelo, filho de Katia D'Angelo e autor do blog Conselhos que não servem.



Carta aberta da atriz Katia D'Angelo para Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro


Ao prefeito Eduardo Paes, à classe artística e principalmente aos justos

Propus doar ao município a casa onde moro e trabalho para o ''Centrinho Cultural do Canal'' às margens do Marapendi, na Barra, e acabei vítima das minhas boas intenções. Meu projeto foi indicado por Cesar Maia e Ricardo Macieira como de utilidade, onde num raio de 10 quilômetros nada acontecia. O sonho virou tormento. Eduardo Paes quer demolir minha casa e das famílias que moram há Cinquenta Anos no local, sem indenização, com o argumento de estarmos em área ambiental.

Não basta ter perdido meu filho Ronny, assassinado por policiais militares, perdido o emprego na TV por públicas calúnias difamatórias, ter a servidão para minha escola fechada arbitrariamente,ter dormido uma noite na cadeia por erro da VEP, agora estou prestes a ser uma sem teto. Sem a dignidade que deve o Estado a qualquer Cidadão. Que estado é esse que nos vêem como inimigos e não pessoas a quem deve tutelar? A ''APA'' (área de proteção ambiental) sequer pensava em existir. Não somos Invasores! Não somos ricos!!!

Em 1963, meu pai,diretor de vendas de um loteamento na Av. Litorânea ganhou, como outros empregados, um lote da Companhia Litorânea de Imóveis. Nos anos setenta, apaixonada pela natureza do lugar, reformei nossa casinha (a Serla permitia), me estabeleci, tive filhos e moramos nela até hoje. Montei meu grupo de teatro e alugo parte da minha própria residência para sobreviver com honestidade, pois não tenho outra renda que me sustente. Vinte anos depois desta pacífica ocupação, um decreto obrigou os loteamentos a doarem as áreas marginais dos canais para a prefeitura. Somente 36 anos após, a doação foi homologada.

Jamais a prefeitura procurou quem de fato possuía a terra e nela morava para um humano e justo acordo. Nunca houve proposta de remoção para local próximo como manda a lei. Fizemos bodas de ouro com nossas casas, vivemos em um pedacinho de paraíso, com garças, capivaras e de vez em quando um cardume guerreiro de tainhotas que entram pela Joatinga bravamente apesar de tanto esgoto.Não incomodamos nada nem ninguém. Só aos invejosos.

Os antigos governos com seus corporativismos deixaram a Barra crescer sem estrutura, poluiu suas águas, e seus esgotos sem tratamento matou parte da flora e da fauna. Tirou o sossego que o Barrra tinha, com milhares de viaturas nas ruas, nada fez pela cultura do Bairro e agora usa o argumento 'ambiental' para demolirem nossas casas que ocupam ínfimo pedacinho em sua imensidão. Quando chegamos, a Barra era um enorme matagal. Os novos condomínios deram as costas para o canal, instalaram em suas margens casa de empregados, quadras, churrasqueiras, lixeiras, tratando-o como os fundos do terreno, o fim da rua, o local desprezível.

Eu Desafio!! 80% dos condomínios da Barra têm terrenos invadidos e ninguém mexe com eles. Temos fossa e sumidouro, poluímos o canal muito menos que os condomínios de luxo que nos rodeiam. A maioria dos países com mentalidades de primeiro mundo trata seus canais, rios e lagoas como pontos de excelência turística. No Brasil é o contrário. O poder exarcebado gosta de mostrar suas garras principalmente a pobres indefesos cidadãos, impede iniciativas como essa de Um Centrinho Cultural, mas não impede que várias favelas tomem as margens dos nossos rios e canais e ali permaneçam ad-eternum sem dignidade humana.

Poderia citar aqui mais de vinte só na Barra, Recreio, Jacarepaguá e São Conrado, onde, contraditoriamente nosso Prefeito Eduardo Paes quer fazer o modelo de sua atuação nas favelas na de nome Canoas, que fica justamente em área ambiental às margens do Rio Canoas encostada na estrada das Canoas. Que lei é essa que para uns pode para outros não pode!!!??? Que Gestão será a sua Eduardo? Que começa assim? Com tanta injustiça? Sem arte e sem cultura sem respeito humano? Uns em detrimento de outros? Em Rio das Pedras Eduardo Paes declarou que vai reassentar mais de mil famílias por estarem morando em situação deplorável.

Favelas às beiras dos Canais, Rios e Lagoas pode? Sem contar as dos morros que há muito extinguiram as franjas das encostas e as belas paisagens do Rio? Se estivéssemos, 50 anos depois no mesmo lugar em estado deplorável, talvez a prefeitura viesse nos paternalizar, mas como melhoramos um pouquinho nossas casas, passamos a ser uma afronta!! Quer que eu peça clemência. Eu peço! Publicamente, para meu teto e para o Centrinho Cultural, bucólico, em decks de madeira sem a pompa dos mármores, exposto a brisa e ao visual e não enclausurados entre as vitrines dos Shoppings. Clemência também para nós cidadãos, moradia digna e trabalho honesto.

Com tanta crise de trabalho e habitação a resolver no mundo, a demolição de nossas casas será a demolição de nossas vidas. Somos oito famílias que vivem no local há mais de cinqüenta anos, trabalhadores desempregados como eu e velhinhos que vivem com um salário de aposentadoria como meu pai. É uma covardia dormir na mansão da Gávea Pequena, acordar e vir demolir o lar de pessoas simples e honestas. Em derradeiro, caso os czares queiram mesmo nossas cabeças, merecemos e precisamos de uma remoção honesta e digna e não de castigo, mãos de ferro, demonstração de poder. Precisamos de um prefeito, inteligente dinâmico, moderno humano, sensível e culto, sem o ranço do populismo calcado em uma legislação hipócrita, inadequada e fora da realidade.

Essa é boa oportunidade de repensar as verdadeiras necessidades da nossa cidade. Ninguém mora ilegal por que quer, sem necessidade! É preciso separar o joio do trigo, os especuladores e os que precisam de casa para morar. Queremos paz, Paes, já sofremos demais! Deus é paz você Paes só um instrumento. O que já é a Glória!

Parem de nos torturar! Ajudem-nos! Meu coração sangrando agradece!


Katia D'Angelo, (57 anos) é atriz desempregada. Seu pai (91 anos) é aposentado e ganha um salário.



Release histórico sobre o caso feito por Katia D'Angelo

Em 1997, o filho mais Velho de Katia, Ronny com 26 anos na época, foi assassinado depois de uma briga em uma festa de carnaval de rua no Rio de Janeiro, por quatro Policiais Militares que faziam a segurança da festa. Nunca conseguiu indiciar os policiais, apesar de, com a ajuda do Advogado Nilo Batista ter desvendado o crime. O Estado deveria indenizar esta mãe que, viúva, fica sem seu primogênito para ampará-la na velhice. Ao tentar prender os PMs foi ameaçada e teve que sair do país com o filho mais novo e se hospedou na casa de parentes na França onde viveu por um tempo.

Em 2007, Katia D'Angelo foi presa na 16ª DP da Barra da Tijuca, por um erro nos computadores da Vara de Execuções Penais e passou uma noite e um dia enclausurada como bandida em uma cela solitária, fria, úmida e sem cama. O mal entendido só foi desfeito 30 horas depois da prisão. O Estado deveria indenizá-la pelo tormento.

Em 1991, Kátia teve a Escola de Teatro, Grupo de Teatro Proscênio, fechada arbitrariamente por um condomínio na Barra. Na época, ela tinha um espetáculo no Canecão vendido para mais de 70.000 alunos do primeiro grau. Esse processo está em fase de execução e uma indenização de mais de um milhão de reais emperrada nos corredores da Justiça.

Nos anos oitenta, teve seu nome caluniosamente envolvido em uma invasão de terras atrás do Barra Shopping, levou um pito da TV Globo, e não consegue atuar na emissora até hoje. Os verdadeiros invasores foram identificados e as centenas de barracos construídos no local, retirados. Katia nunca teve oportunidade de desfazer a calúnia.

Katia jamais podia esperar que uma tentativa de doação para a prefeitura se voltasse contra ela para a demolição de sua casa, confiou na capacidade da Defensoria Publica para sua defesa no processo administrativo da prefeitura, mas infelizmente depois de uma decisão contrária a sua defesa, descobriu vários erros no processo.

Só resta agora demonstrar essas falhas processuais com a esperança de fazer a Justiça rever o processo e de ter tempo para que o prefeito Eduardo Paes possa rever essa situação e encontrar uma solução justa e humana para todas as famílias, como quer fazer em outros pontos da cidade. A Equipe do advogado Sergio Wiskof, consciente, se propôs a entrar com o pedido da revisão processual.

Se for para cumprir a lei, que as famílias sejam removidas para área próxima e de condições semelhantes a que moram há cinquenta anos.

É preciso tornar essa situação pública porque não pode haver dois pesos e duas medidas para se governar com democracia. Como vai ficar a situação de dezenas de ocupações iguais as nossas pelos condomínios da Barra? Vão ao chão também?

É preciso que a classe artística saiba que mais uma vez teve negada a possibilidade de um Ponto de Cultura existir, bravamente sem patrocínio, nessa cidade tão carente de arte, onde só os agraciados e escolhidos têm vez .

Aos meus colegas artistas reitero que estou doando a minha casa para inaugurar o Centrinho Cultural do Canal para tods nós. Quem se habilitar, vamos fazer chegar às mãos dos nossos governantes que estejam dispostos a criar jurisdição e nova forma humana de governar o nosso pedido de ajuda.

Nós queremos abrir uma discussão pública sobre a postura das demolições que não é transparente e igual para todos.