quarta-feira, 1 de setembro de 2010

91 anos de nascimento de JACKSON DO PANDEIRO

Terça, 31 de Agosto de 2010
Há 91 anos, nascia o paraibano que revolucionou a música

Em apenas 29 anos de carreira, o paraibano Jackson do Pandeiro costurou um das bandeiras mais sólidas da música brasileira. Hoje, quando o calendário registra a data do seu nascimento (em 31 de agosto de 1919), seu nome continua sendo venerado e homenageado como um dos maiores ritmistas da Paraíba 28 anos após sua morte (em 10 de julho de 1982).

Na música nordestina, ele está no mesmo patamar que Pixinguinha ocupava no choro entre outros bambas. “Nasci com uma sina de cigarra/Aonde eu chegar, tem farra...”. Talvez o menino de onze anos de idade tenha despertado seu talento quando acompanhava sua mãe Flora Mourão dando o passo no coco sob o comando do zabumbeiro João Feitosa, na região do Brejo Paraibano.

Jackson do Pandeiro não limitou-se apenas a mostra versatilidade para cantar só no repertório da música nordestina, sua genialidade com malícia\, malandagem, suingue das emboladas e do coco, entre outros tipos atestam sua criatividade. Nos anos 50, participou como artista de filmes ao lado de grandes nomes como Dercy Gonçalves, Zé Trindade, entre outros, nas fitas: “Batedor de carteira”, “Cala boca, Etelvina”, “Tira a mão daí”, “Viúvo alegre”, entre outras.

Na década de 60, mostrou que também tinha cadência para marcar o passo no carnaval. Gravou com sucesso a música “Me segura que eu vou dar um troço”. Na sua carreira Jackson conviveu com a nata da música brasileira. Além de canções próprias, ele teve como compositores nomes consagrados, como Rosil Cavalcanti, Antonio Barros, Zé Dantas, Elino Julião, Gordurinha, Edgar Ferreira, Genival Macedo, entre outros. Deixou duas viúva Almira Cavalcanti, sua parceira em gravações de discos e shows, e Neusa Flores dos Anjos, que viveu com ele até o último suspiro.

Sobre sua carreira, Jackson no auge do sucesso declarou: “Eu não queria ser quinto ou quarto baterista. Por causa do suingue, um fox meio ligeiro que tinha antigamente, eu deixei de tocar bateria. Eu queria ser um baterista que todo mundo se admirasse. Eu toda vida gostei de ser assim. Não gostava de ser o último lugar. Eu gostava de ser segundo pra primeiro, e tal. Então era um baterista que só gostava de tocar a nossa música. Então abandonei e fui trinar um pouquinho de pandeiro. E sempre cantando. Cantando samba, cantando marcha de arrasta-pé, cantando coco, essa coisa toda”. A primeiro e única biografia foi lançada em 2001, pela Editora 34 de São Paulo, no livro “Jackson do Pandeiro, o rei do ritmo”, de minha autoria em parceria com o jornalista Fernando Moura. A obra é fruto de uma pesquisa de dez anos colhendo dados com familiares, amigos, parceiro, pesquisadores, artistas e pessoas anônimas.

Todo material se encontra no Memorial Jackson do Pandeiro na cidade de Alagoa Grande (Sua terra). A memória está espelhada em discos, fotografias, chapéus, roupas, pandeiros, documentos, entre outros objetos.


Sobre Jackson


Zé Ramalho – “Fui muito influenciado por Jackson do Pandeiro. Tinha uma grande voz, era uma espécie de João Gilberto do forró. Fiz um show ao lado dele em 1976, no Teatro João Caetano, no Rio, e fiquei impressionado com o ritmo e a energia dele em cima do palco. O sobrinho dele, o José Gomes, que herdou o nome do tio, toca na minha banda há muito tempo”.

João Bosco – “Sempre fui fascinado por ele. A gente tinha um projeto de fazer vários shows junto pelo País, mas acabou não dando certo por causa de falta de grana. Tive a oportunidade de dizer ao Jackson o quanto admirava o seu trabalho. Gravei uma música em homenagem a ele – “Batiumbalaio – Rockson do Pandeiro. Coloquei Rockson porque achava que o som dele tinha muito de rock-and-roll”.

Alceu Valença – “Quando criança ouvia muito Jackson do Pandeiro nos alto-falantes da feira de São Bento. A música dele é a trilha sonora da minha infância, tem cheiro de fumo de rolo. |Talvez eu tenha sido o músico que mais se aproximou de Jackson no fim da carreira. Viajei o Brasil inteiro com ele em 1977, com o Projeto Pixinguinha. Depois dessa excussão, fiquei deslumbrado e resolvi compor o meu primeiro forró: “Coração Bobo”.

Elba Ramalho – “Na minha opinião existem duas escolas de canto no Brasil: a de João Gilberto e a de Jackson do Pandeiro. Eu tive o privilégio de conviver com Jackson e ser amiga dele.Foi o meu grande professor ao lado do Gonzagão. Os dois sempre gostaram muito do meu trabalho. O Jackson tocou em quase todos os meus primeiros discos”.

Antônio Vicente Filho

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

entrevista de SILVANA MEIRELES ao Martins

Aos 43 anos, a secretária de Articulação Institucional do ministério da Cultura (MinC), Silvana Meireles, tem uma pedreira pela frente. Em alguns meses, ela precisa articular uma pequena revolução. Coordenadora a II Conferência Nacional de Cultura (14 a 17 de março em Brasília), esta pernambucana foi incumbida de acelerar a aprovação de leis que sacodem as relações entre o Estado brasileiro e a Cultura – e repercutirão na vida quotidiana de milhões de brasileiros.

As transformações começaram em 2003, quando Gilberto Gil assumiu o ministério. Desde então, os recursos públicos destinados pelo governo federal à Cultura saltaram de R$ 287 milhões para R$ 2,5 bilhões. Avançaram de ínfimos 0,2% do Orçamento para 1%.

Ainda mais importante, porém, foi a mudança na distribuição do bolo. Ministério recente, o MinC foi criado apenas em 1985. Além disso, reproduziu, quase sempre, a visão bacharelesca e elitista de cultura que marcou o Brasil desde sua fundação. Seu papel era “iluminar o povo”, “levando” a ele as obras que supostamente expressavam o saber artístico da humanidade – depois, é claro, que estas produções circulassem, comercialmente, nos meio “eruditos”. Os recursos do ministério praticamente só patrocinavam filmes e peças teatrais de grandes diretores, orquestras sinfônicas, grandes mostras, museus.

Gil abriu os olhos (e o bolso) do MinC para a riqueza e a diversidade cultural brasileira. O novo conceito adotado pelo ministério foi expresso, entre outras, numa iniciativa marcante: o programa Pontos de Cultura. Ela reconhece como Cultura reconhece todas as criações originais do ser humano. Enxerga numa moqueca capixaba, na obra de uma bordadeira, numa rádio comunitária ou num software inovador tanta sabedoria quanta há numa sinfonia de Beethoven.

Animado por esta ideia, o ministério iniciou uma pequena revolução no uso dos recursos públicos. Por meio de concursos transparentes, mais de 2,5 mil iniciativas, espalhadas pelo país, foram transformadas em Pontos de Cultura. Recebem, durante três anos, um apoio financeiro que, embora pequeno em termos de orçamento público (R$ 60 mil anuais), é capaz de mover montanhas, no trabalho de quem o recebe.

São, na grande maioria dos casos, coletivos culturais da periferia das metrópoles, ou de regiões remotas. Vistos antes como meros espectadores das “belas artes”, estão revelando a força e a diversidade da cultura brasileira. Utilizam os recursos públicos para se converter em grupos musicais (dedicados tanto a manifestações tradicionais, como o maracatu ou coco-de-umbigada como ao rock ou – em inúmeros casos — ao rap). Articulam grupos de teatro e dança. Animam rádios livres, sites e blogs. Produzem vídeos e jornais. Montam cooperativas especializadas em criar programas de computador. Atuam em quilombos e comunidades indígenas.

A transformação tem desdobramentos econômicos. Para os grupos ou comunidades participantes, ela significa novas ocupações (às vezes criativas e bem-remuneradas) e a possibilidade de desenvolver o empreendedorismo coletivo. Para o Brasil, abre a janela para uma nova vocação e um novo papel internacional. Fomos um país dependente no momento em que a indústria era o setor mais dinâmico da economia; mas podemos ser um produtor destacado de bens simbólicos – cultura, conhecimento, comunicação, ideias, técnicas e afetos — na era pós-industrial.

O enorme impulso que alcançamos nos últimos oito anos persistirá? “O desafio dos próximos meses é consolidar o que foi feito, e criar base para um novo salto”, afirma Silvana Meireles. Ela explica: “A partir de 2008, quando o Gil deixou o posto de ministro, as inovações foram mantidas por seu sucessor, Juca Ferreira. Mas é, ainda, um período muito curto. A presença restrita da Cultura nas agendas políticas e o elitismo têm 500 anos de história no Brasil, apenas começaram a ser revertidos, em nossas instituições”.

Para virar a página, a secretária aposta em quatro projetos de lei e duas propostas de emenda à Constituição. Na entrevista que segue, ela fala em detalhes sobre a conferência nacional que coordenou e as iniciativas que dela surgiram. Também aborda um tema que agitará o ambiente da cultura, nos próximos meses: a nova lei de Direitos Autorais que o governo federal decidiu propor, após amplas consultas com a sociedade (e para desconforto de alguns cartéis da indústria cultural…).

[Veja aqui, em detalhes, o andamento dos projetos da Cultura no Congresso Nacional]

Qual o sentido de realizar uma Conferência Nacional de Cultura faltando menos de um ano para o fim de um governo?
As conferências visam exatamente sacudir uma visão arcaica de política, segundo a qual a sociedade limita-se a eleger os governantes – e deve esperar deles as decisões. O governo Lula não as inventou, mas realizou mais de setenta delas. São uma janela para expressão direta da sociedade civil, em meio a nosso sistema institucional ainda fechado e baseado apenas na representação.

Em nosso caso específico, a Conferência Nacional de Cultura comprova que a sociedade está disposta a debater temas complexos, sempre que há espaços reais de participação. Mais de 206 mil pessoas compareceram, somadas as etapas municipais, estaduais e nacional. Elas realizaram-se em todos os Estados e em 3117 municípios. Se ainda faltava um sinal de que Cultura não é assunto apenas das elites, ele foi dado agora.

Os trabalhos também mostraram que a sociedade passou da fase da simples denúncia e está pronta para formular alternativas. Foram aprovadas centenas de recomendações – entre elas, a aprovação de um conjunto de leis e emendas à Constituição capazes de consolidar as conquistas dos últimos anos.

Que estabelecem estas propostas, em essência?
Vamos começar pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 416/05. Ela estabelece o Sistema Nacional de Cultura, que representa, para nossa atividade, algo tão importante quanto o SUS, para a Saúde. Na tradição do Estado brasileiro, a Cultura foi sempre tema secundário. Há, da União aos Municípios, estruturas permanentes para a Educação, a Saúde, a Segurança e muitas outras áreas. Mas poucos municípios têm uma secretaria de Cultura. Quando existem, as estruturas e políticas são vistas como concessões do prefeito. Se seu sucessor tiver outra proposta, a secretaria morre.

Mas a PEC 416/05 não se limita a instituir secretarias de Cultura nos Estados e Municípios. Ele determina a criação de fundos de apoio à Cultura Sintonizada com os novos tempos, ela institui a participação. Em cada esfera de governo, haverá Conselhos de Política Cultural. Neles, 50% dos participantes deverão representar a sociedade civil e ser eleitos democraticamente. Por fim, a PEC deixa para trás as visões bacharelescas de cultura e arte, ao estabelecer onze princípios para o Sistema Nacional de Cultura. Entre eles, estão o reconhecimento da diversidade das expressões culturais e a garantia da universalização do acesso aos bens e serviços da Cultura.

Qual a diferença entre o Sistema e o Plano Nacional de Cultura?
O Sistema representa uma mudança institucional profunda e de longo prazo. O Plano Nacional de Cultura, expresso no projeto de lei (PL) 6835/06, é um planejamento também ambicioso, mas com horizonte de dez anos. Ele determina, por exemplo, que os próximos governantes continuem continuem adotando políticas para garantir acesso de todos à Cultura; e que se respeite e promova a diversidade de formas artísticas e culturais.

A mudança na Lei Rouanet é uma das leis prioritárias?
Sem dúvidas. Embora tenha sido um instrumento importante, a Rouanet permanece há dezoito anos sem mudanças – e nesse período a Cultura passou por enormes transformações. As mudanças estão expressas na projeto de lei (PL) 6722/2010, que estabelece o Pró-Cultura. Seu sentido essencial é democratizar a política de financiamento da cultura. Para tanto, ele estabelece algumas linhas básicas de ação. Estabelece processos públicos para definir que iniciativas culturais receberão apoio financeiro (embora mantenha o papel do mercado no financiamento da produção cultural); e desconcentra a destinação dos recursos, evitando que a maior parte das verbas disponíveis irriguem um pequeno número de produtores.

Ao longo dos anos, acumularam-se inúmeras distorções. Em tese, a lei Rouanet estimula as empresas a investir em Cultura. Na prática, poucas elas tiram do próprio bolso o que destinam ao setor. A maior parte dos recursos, quando não a totalidade, vem do Estado, por meio de renúncia fiscal. A empresa faz mecenato com dinheiro da sociedade. Criou-se uma indústria de projetos. Metade dos recursos – cerca de 1 bilhão de reais, em 2010, é captado por apenas 3% dos produtores culturais. Regionalmente, 80% das verbas são canalizadas para Sul e Sudeste. Ao Nordeste, de enorme riqueza cultural, restam 6%. Os projetos têm méritos reais, mas que sejam, então, executados também com recursos da própria iniciativa privada.

Quais as alternativas?
O projeto republicaniza a destinação do apoio cultural. Ao invés de dependerem de empresas, artistas e produtores poderão buscar recursos num Fundo Nacional de Cultura, que além de patrocínio oferecerá bolsas e prêmios. A destinação dos recursos não será decidida apenas pelo Estado – mas por um conselho, onde estarão representados vinte setores da sociedade com interesse nos financiamentos. E as obras que forem financiadas por recursos do Fundo Nacional de Cultura poderão ser oferecidas gratuitamente à população três anos depois de lançadas – ou em 18 meses, se o objetivo for educacional. Isso vale, por exemplo, para a reedição de um livro, ou a exibição de um filme pela TV pública.

No processo de debate da nova Lei Rouanet, surgiu o Vale Cultura. A que se destina?
O Vale Cultura surgiu na mesma trilha, mas já se transformou num projeto próprio: é o PL 5798/09. Apesar de todos os nossos avanços, não foi possível reverter, em oito anos, a elitização do acesso à cultura no país. É algo que tem a ver com a péssima distribuição de riqueza e renda. Assistir a um filme pesa muito no orçamento de uma família. Por isso, as estatísticas revelam que apenas 5% dos brasileiros já foram a um museu; 13% vão regularmente ao cinema, e 17% compram livros.

A nova lei oferece R$ 50 mensais a quem ganha até 5 salários-mínimos. É um vale utilizável apenas para aquisição de bens culturais – um livro, o ingresso para um filme, peça ou show. Vem em cartão magnético, não pode ser convertido em dinheiro. Além de beneficiar dezenas milhões de brasileiros, criará um circuito novo de cultura, onde estarão as maiorias, excluídas do mercado tradicional. Como costuma lembrar o ministro Juca Ferreira, este circuito viabilizará, por exemplo, a criação de cinemas nos bairros populares, a multiplicação de companhias de teatro e de pequenos editores de livros.

Há uma emenda específica para vinculação de verbas à Cultura. Por que?
A Cultura recebe hoje 1% do Orçamento da União – cinco vezes mais que no último governo. É um preciso garantir este patamar e ampliá-lo. A economia contemporânea tende cada vez mais para a produção simbólica. A efervescência e diversidade cultural do Brasil podem ser uma grande vantagem internacional.

Mas para isso, é preciso estimular os produtores. Viver da produção de cultura deve ser uma alternativa, que um adolescente deve levar em conta tanto quanto ser metalúrgico ou servidor público, por exemplo.

A PEC 150/2003 cria, para a Cultura, uma vinculação de verbas semelhante à que existe em favor da Educação ou Saúde. A União deverá destinar 2% de seu orçamento para a atividade; Estados, 1,5%; Municípios, 1%. O pensamento tradicional rejeita a vinculação orçamentária, porque ela restringe a margem de manobra dos gestores políticos, e o desejo de liquidez da área econômica dos governos. Mas a Conferência Nacional de Cultura aprovou a PEC 150 em três instâncias – talvez por julgar que a vocação cultural da sociedade brasileira deve falar mais alto.

Em meados de junho, o ministério da Cultura lançou uma segunda rodada pública de consultas visando reformar a lei do Direito Autoral. Por que é importante alterar a legislação a respeito?
A atual lei brasileira do direito autoral está defasada. O texto em vigor foi aprovado em 1998 e é uma atualização da legislação criada em 1973. Já não garante plenamente o direito do autor e não atende às necessidades da sociedade brasileira contemporânea. Coloca na ilegalidade uma série de práticas atuais da sociedade brasileira. Estão fora da lei costumes banais, como transportar músicas de um CD original adquirido para um tocador de MP3; copiar um CD para o pen-drive; fazer xerox de um livro esgotado, para fins de estudo; ou exibir partes de um filme, com objetivos pedagógicos. Isso não pode perdurar, simplesmente porque a lei não acompanhou o surgimento e a evolução do ambiente digital e as novas possibilidades de trocas simbólicas e econômicas decorrentes.

Queremos garantir os direitos autorais aos criadores, permitindo a eles maior controle sobre sua criação. Ao mesmo tempo, julgamos que é indispensável assegurar aos cidadãos o acesso a bens culturais, com segurança jurídica para usuários e investidores. A ampliação da segurança jurídica para investidores estimulará o desenvolvimento de novos modelos de negócios no ambiente digital, promovendo o fortalecimento da economia da cultura.

De que forma a mudança poderá contribuir para um maior acesso da sociedade, e dos Pontos de Cultura em particular, às obras artísticas?
A proposta apresentada pelo ministério da Cultura para consulta pública reconhece o direito da cópia individual e com isso garante o acesso da sociedade ao conhecimento, com segurança jurídica. A regulação estatal proposta no ante-projeto acaba com certos excessos dos detentores de direitos sobre determinadas obras. Por isso, ampliará as possibilidades de seu uso para fins didáticos. Por fim o novo texto prevê a criminalização do “jabá” (pagamento para execução de determinadas músicas nas rádios e emissoras de TV). Todos sabem que este vício submete a programação das rádios a um sistema de remunerações pouco ético, e impede o usuário de ter acesso à diversidade cultural.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ORQUESTRA DE CAMPINAS - SP no PONTO DE CÉM REIS

De um lado, as músicas de Mikhail Glinka e Tchaikovsky, escritas para óperas. Do outro, as peças de Ludwig Van Beethoven, além das composições dos brasileiros Carlos Gomes e Ciro Pereira. Esse verdadeiro passeio pela arte erudita nacional e mundial do século IX estará no repertório da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC), que se apresenta na próxima terça-feira (17), no Ponto de Cem Réis, a partir das 20h. A regência será do premiado maestro suíço Karl Martin. O evento gratuito é uma realização da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) em parceria com a Secretaria de Turismo de João Pessoa (Setur).

A vinda da OSMC à Capital paraibana faz parte da 'Turnê de Carlos Gomes a Luiz Gonzaga'. O repertório começa com a execução da abertura da ópera "Russlan e Ludmila". Parte do poema, escrito por Aleksandr Pushkin (1799-1837), que morreu antes de concluir o texto, ganhou a musicalidade do compositor russo Mikhail Glinka (1804-1857).

A sinfonia nº 8 (obra 93), de Ludwig Van Beethoven (1770-1827), também está no repertório. A peça, formada por quatro movimentos, foi feita em 1812, período conturbado pelo qual passava o compositor. Além da crescente dificuldade de audição, da saúde debilitada e do rompimento com o irmão, aquele teria sido o ano da partida da misteriosa "amada imortal", cuja identidade é motivo de intensas discussões até hoje.

Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) entra no repertório da OSMC com a "Marcha Eslava" (obra 31). O trabalho foi escrito em apenas cinco dias para um concerto em benefício das vítimas da guerra ocorrida entre turcos e russos. O público que for ao Ponto de Cem Réis poderá ouvir ainda a sinfonia "Nabucco", uma ópera da primeira fase de Giuseppe Verdi (1813-1901). Ela foi composta tendo como enredo os judeus escravizados na Babilônia. Na verdade, tratava-se de uma apologia ao sentimento patriótico dos italianos, quando o país não era unificado.

A ópera "Il Guarany", baseada no livro de José de Alencar, composta pelo brasileiro Carlos Gomes (1836-1896), também será revisitada na noite do dia 17 de agosto. Do mesmo autor, o público poderá ouvir "Lo Schiavo – Alvorada" e "Salvator Rosa – Abertura".

Ainda dentro da safra brasileira de compositores, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas vai executar "Gonzaguiana", de Ciro Pereira. Como o nome sugere, trata-se de uma composição baseada em temas do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

OSMC – O surgimento da Sinfônica de Campinas data do início do século XX, quando a cidade de Campinas (SP) se transformou em rota obrigatória para alguns dos principais programas sinfônicos e operísticos brasileiros. O grupo é um dos mais dinâmicos do gênero no país.

Uma das propostas da OSMC é disseminar a boa música de importantes compositores nacionais e internacionais. As temporadas anuais do grupo compreendem os concertos Oficiais, Didáticos, Especiais e Populares. A característica marcante da Sinfônica de Campinas é a heterogeneidade musical. Afinal, no repertório estão obras populares e eruditas, primando pela qualidade artística e técnica.

A OSMC tem como diretor o violinista Arthur Achilles Gonçalves. O regente associado e responsável pela direção artística é o maestro Parcival Módolo. Já o regente convidado principal é o maestro Karl Martin.

Karl Martin – O maestro é natural de Zurique, Suíça. Ele estudou no Conservatório de Música de Genebra. Ganhou o Primeiro Prêmio de Virtuosidade para flauta, dirigiu a orquestra da Radio Televisione Italiana (RAI) e regeu a Orquestra da Academia Santa Cecília, em Roma (Itália). No Japão, também foi responsável pela regência da Nona Sinfonia de Beethoven com a Orquestra Filarmônica de Tóquio. O currículo de Karl Martin inclui passagens por várias orquestras do mundo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

http://www.jackson.tratonacultura.com.br/

http://www.jackson.tratonacultura, veja também o Portal
anjoazuldobeco.ning.com

terça-feira, 10 de agosto de 2010

QUINTETO LATINO AMERICANO DE SOPROS

Depois de percorrer algumas cidades do país, a turnê do projeto Sonora Brasil traz o Quinteto Latino-Americano de Sopros da Paraíba para uma única apresentação em João Pessoa, no dia 15 de agosto, às 20h, na Igreja de São Francisco. Na Paraíba além da capital João Pessoa será realizada uma apresentação na cidade de Campina Grande, no auditório do Departamento de Arte Mídia da Universidade Federal de Campina Grande, às 18h, no dia 16 de agosto.

O Projeto Sonora Brasil – Formação de Ouvintes Musicais é do Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio – Sesc, em parceria com os Regionais da instituição e objetiva desenvolver programações identificadas com desenvolvimento histórico da música no Brasil, projetando no tempo a tradição escrita e oral. Em mais de dez anos o Sonora vem trabalhando na formação de ouvintes com apresentações estruturadas especialmente para o projeto. O Sesc vem promovendo o acesso da população brasileira a uma produção musical ampla e diversificada, através de apresentações de caráter essencialmente acústico que valorizam a pureza do som e a qualidade das obras e de seus intérpretes.

A turnê desta 13ª edição do projeto homenageia a Música Brasileira do Século XX, através da obra de Cláudio Santoro e Guerra-Peixe. Esses dois compositores homenageados cumpriram um importante papel na estruturação das bases da música erudita contemporânea no Brasil. O Movimento Música Viva, que a partir de 1939 movimentou a cena musical do país sob a liderança de H. J. Koellreutter estudou e difundiu o dodecafonismo, técnica de composição que naquela época representava a vanguarda musical na Europa.

O Concerto do Quinteto Latino-Americano de Sopros já visitou Brasília, Goiânia, Palmas, Manaus, Terezina, Salvador, Recife entre outras capitais e demais cidades. O concerto ainda percorrerá 10 cidades, sendo a última, Passo Fundo – RS, no dia 10 de outubro.

O Quinteto Latino Americano de Sopros

Formado por professores do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba. Sua formação atual tem Renan Rezende (flauta), João Johnson dos anjos (oboé), Carlos Rieiro (Clarinete), Heleno Feitosa, O Costinha (fagote), e Cisneiro Andrade (trompa). O grupo além de participações em diversos festivais, como o Sonora, já participou da gravação de Cd’s de compositores como Sivuca e Leandro de Carvalho. Isso mostra que o Quinteto vem sendo apreciado pelos músicos e críticos da música.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CINESESC

AS GREVES DE 1979 NO CINESESC NESTA SEXTA (06 AGOSTO 2010 )


A 1ª etapa da programação “Arte e Política” do CineSesc será encerrada nesta sexta-feira (06) exibindo a série de curtas As greves de 1979 que narram um importante momento da história recente do país e o anseio da população pela redemocratização do Brasil. Os filmes abordam alguns temas como: arrocho salarial, opressão das multinacionais, repressão do Estado de exceção e união da classe trabalhadora. A paralisação dos trabalhos dos metalúrgicos do ABC Paulista, região de forte concentração industrial do Sudeste brasileiro, aprofundaria as graves contradições da agonizante ditadura militar e revelaria, ao mesmo tempo, o nascimento de uma figura pública que marcou os 30 anos seguintes do cenário político do nosso país, o líder sindical e atual presidente do Brasil, Luís Inácio “Lula” da Silva.

O filme ABC Brasil (18’) é do ano de 1981 com direção de Sérgio Péo, José Carlos Asbeg e Luiz Arnaldo Campos que relata a retomada do movimento operário, liderado pelos metalúrgicos do ABC Paulista, que culminou na criação do Partido dos Trabalhadores (PT). Esse curta recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Niterói no ano de 1982.

O Greve! (37’) tem direção de João Batista de Andrade e narra os acontecimentos principais da greve dos metalúrgicos do ABC, liderada por Lula em março de 1979, são narrados ao mesmo tempo em que se procura contextualizá-los no momento político brasileiro.

O último filme da semana é o curta Greve de março (35') que também é do ano de 1979 e tem como diretor Renato Tapajós. Esse documentário aborda a primeira fase da greve dos metalúrgicos do ABC e retrata as grandes assembléias, com mais de 100 mil operários, em São Bernardo do Campo; a mobilização em vigília no Sindicato; os conflitos de rua decorrentes e a volta triunfal da diretoria, encabeçada por Lula, na grande assembléia em que a trégua entre as duas fases da greve foi proposta.

A exibição dos curtas acontecerá às 12h, no miniauditório do Sesc Centro.


Mais informações no telefone (83) 3208 3158

domingo, 1 de agosto de 2010

CULTURA PARA TODOS

Paulo Kautscher
Educação popular ( COR DA FONTE:PRETA)


A Educação Popular é uma educação comprometida e participativa orientada pela perspectiva de realização de todos os direitos do povo. Não é uma educação fria e imposta, pois baseia-se no saber da comunidade e incentiva o diálogo. Não é “Educação Informal” porque visa a formação de sujeitos com conhecimento e consciência cidadã e a organização do trabalho político para afirmação do sujeito. É uma estratégia de construção da participação popular para o redirecionamento da vida social. A principal característica da Educação Popular é utilizar o saber da comunidade como matéria prima para o ensino. É aprender a partir do conhecimento do sujeito e ensinar a partir de palavras e temas geradores do cotidiano dele.

A Educação é vista como ato de conhecimento e transformação social, tendo um certo cunho político. O resultado da desse tipo de educação é observado quando o sujeito pode situar-se bem no contexto de interesse. A educação popular pode ser aplicada em qualquer contexto, mas as aplicações mais comuns ocorrem em assentamentos rurais, em instituições sócio-educativas, em aldeias indígenas e no ensino de jovens e adultos.

Conceito

Antes de falarmos sobre Educação Popular, precisamos definir o termo “popular”. A concepção mais comum que se observa, inclusive nos dicionários, é de “popular” como sendo algo do povo, para o povo, que atende às necessidades do povo. Usaremos a concepção de Paulo Freire, entendendo “popular” como sinônimo de oprimido, aquele que vive sem as condições elementares para o exercício de sua cidadania e que está fora da posse e uso dos bens materiais produzidos socialmente. Assim, podemos definir a Educação Popular como uma teoria de conhecimento referenciada na realidade, com metodologias incentivadoras à participação e ao empoderamento das pessoas permeado por uma base política estimuladora de transformações sociais e orientado por anseios humanos de liberdade, justiça, igualdade e felicidade.

Segundo Brandão (1986), os educadores pensam a educação em domínios restritos: a universidade, o ensino fundamental, o ensino médio, a alfabetização, a educação de jovens e adultos. Muitas vezes a educação acaba por tomar domínios restritos, determinados socialmente, quando deveriam atender às necessidades do contexto, do cotidiano do aluno, enfim, da culturado educando. Para pensar em Educação Popular, é necessário, portanto, repensar a educação. A educação, quando se fala no panorama social, é a condição da permanente recriação da própria cultura sendo, por isso, a razão da dominação da cultura entre outros. Já no panorama individual, a educação é a condição de criação do indivíduo, é a relação de saber das trocas entre pessoas. Ainda segundo Brandão, aprender é formar-se pessoa a partir do organismo, realizando a passagem da natureza à cultura. Para ele, houve primeiro um saber de todos que se tornou sábio e erudito e que, por oposição, estabelece como popular o saber do consenso onde se originou, tratando o erudito como a forma própria, centralizada e associada a especialistas da educação enquanto vê o popular como o conhecimento difuso, interior da vida subalterna. Um saber da comunidade torna-se o saber das frações (classes, grupos, povos, tribos) subalternas da sociedade desigual. Em um primeiro longínquo sentido, as formas – imersas ou não em outras práticas sociais, através das quais o saber das classes populares ou das comunidades sem classes é transferido entre grupos ou pessoas, são a sua educação popular. (BRANDÃO, 1986, p. 26)

Essa grande separação entre o conhecimento dito erudito e o dito popular leva à marginalização dos oprimidos, das classes subalternas da sociedade desigual. É para contrariar isso que surge a Educação Popular. A Educação Popular é uma educação comprometida e participativa orientada pela perspectiva de realização de todos os direitos do povo. Sua principal característica é utilizar o saber da comunidade como matéria prima para o ensino. É aprender a partir do conhecimento do sujeito e ensinar a partir de palavras e temas geradores do cotidiano dele. O processo-ensino-aprendizagem é visto como ato de conhecimento e transformação social, tendo um certo cunho político. É diferente da Educação Tradicional porque não é uma educação fria e imposta, já que se baseia no saber da comunidade e incentiva o diálogo; e é diferente de uma Educação Informal porque possui uma relação horizontal entre educador e educando. A Educação Popular visa a formação de sujeitos com conhecimento e consciência cidadã e a organização do trabalho político para afirmação do sujeito. É uma estratégia de construção da participação popular para o redirecionamento da vida social. O resultado desse tipo de educação é observado quando o sujeito pode situar-se bem no contexto de interesse.

A Educação Popular pode ser aplicada em qualquer contexto, mas as aplicações mais comuns ocorrem em assentamentos rurais, em instituições sócio-educativas, em aldeias indígenas e no ensino de jovens e adultos. A prioridade é dada a movimentos sociais por serem estes os canais pelos quais se faz ouvir a voz das maiorias.

O Educador Popular

Sabemos que as classes populares produzem saberes, ligados às suas experiências de vida e ao contexto social em que estão inseridos. Também é dado que a Educação popular caracterizava-se por valorizar e problematizar esses saberes, sem subjugá-los pelos saberes acadêmicos e sim articulando estes àqueles. Cabe, então, refletir sobre o educador inserido nesse processo educativo. Para tanto, abordaremos as seguintes questões: qual é o perfil do educador popular? quais os seus desafios e atribuições no processo pedagógico? Com base nessas questões, buscamos identificar e compreender o perfil do educador popular esboçado nos textos lidos, ou seja, quais as características e as atribuições do educador, e qual a sua formação profissional. Após a leitura de algumas obras, definimos que o educador é um sujeito com saberes específicos, ou seja, distintos dos saberes dos alunos, sem que isso signifique atribuir aos saberes dos educadores maior ou menor valor, mas, sim aceitar que são saberes próprios da experiência do educador. A esse respeito, Freire (1986) ressalta: “A experiência de estar por baixo leva os alunos a pensarem que se você é um professor dialógico, nega definitivamente as diferenças entre eles e você. De uma vez por todas, somos todos iguais!

Mas isto não é possível. Temos que ser claros com eles. Não. A relação dialógica não tem o poder de criar uma igualdade impossível como essa. O educador continua sendo diferente dos alunos, mas – e esta é, para mim, a questão central - a diferença entre eles, se o professor é democrático, se o seu sonho político é de libertação, é que ele não pode permitir que a diferença necessária entre o professor e os alunos se torne antagônica. A diferença continua a existir! Sou diferente dos alunos! Mas se sou democrático não posso permitir que esta diferença seja antagônica. Se eles se tornam antagonistas, é porque me tornei autoritário.” (p. 117).

Com isso, por um lado o educador popular não se constitui em um transmissor de informações, descontextualizadas da realidade dos sujeitos com quem atua; por outro, ele também não se restringe a um facilitador de aprendizagens. Entre um extremo e outro, compreendemos que o educador é um sujeito indispensável ao diálogo, afinal apenas a palavra dos educandos seria proferida, sem a leitura crítica, sem a reflexão que, articulando-se à ação, torna-se práxis (Freire, 1987). Sendo assim, conforme Freire (1987), o diálogo: “A conquista implícita no diálogo é a do mundo pelos sujeitos dialógicos, não a de um pelo outro. Conquista do mundo para a libertação dos homens.” (p. 79). A partir da leitura de alguns trabalhos publicados na Reunião Anual da ANPED, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, no período de 2003 a 2005, percebemos que são freqüentes duas imagens do educador: o educador como ponte e o educador como mediador. A primeira imagem – o educador como ponte – associa o educador ao papel de apoiador, que é a passagem (XAVIER, 2003) entre conhecimentos populares e acadêmicos, que subsidia a ação dos sujeitos-educandos (RIBEIRO,2004), ao mesmo tempo em que facilita reflexões (AZIBEIRO, 2003) ou é facilitador de aprendizagens. Associando o educador a um facilitador de aprendizagem, é como dizer que o processo educativo está centrado no educando, delegando ao educador a função de motivar, estimular e deixa fluírem as motivações do aluno. Quanto a esse aspecto, Freire (1986) avalia: “... minha posição não é de negar o papel diretivo e necessário do educador.

Mas não sou o tipo de educador que se considera dono dos objetos que estudo com os alunos. Estou extremamente interessado nos objetos de estudo – eles estimulam minha curiosidade e trago esse entusiasmo para os alunos. Então podemos juntos iluminar o objeto!” (p.125). A segunda imagem – do educador como mediador – é mais recorrente e mais diversificada em seu uso. Assim, conduz à indagação: mediador de quê/quem? Variadas são as respostas encontradas nos textos: mediador de culturas, mediador de conflitos. Porém, há maior ênfase ao mediador do processo dialógico desde o qual novos conhecimentos são produzidos pelos grupos, ou seja, o educador e os educandos, conjuntamente. Sendo assim, o educador enquanto “sujeito designado a vir aos grupos populares com um saber que lhe é específico e que dá a estes grupos uma contribuição teórica própria” é mediador da problematização da realidade junto aos educandos, sendo, ao mesmo tempo, mediado pelo movimento de ação-reflexão-ação. Assim todos os sujeitos se transformam, porque tanto os educandos, quantos os educadores mobilizam os próprios saberes e a própria leitura da realidade. O educador popular não precisa necessariamente ser um militante de um movimento social, mas temos algumas características que o constroem enquanto educador popular:

Deve compreender a realidade por ter um grau de relação com o universo simbólico de seu educando; - Deve saber quem são os jovens e os adultos, no universo existencial, seu locus social; e - Deve entender a dinâmica específica do processo ensino aprendizagem, dos elementos que constituem a linguagem e a emocionalidade. Assim, o objetivo comum entre os educadores populares é o fortalecimento das classes populares como sujeitos de produção e comunicação de saberes próprios, visando à transformação social. Desse modo, a formação dos educadores vai se construindo à medida que ele conhece os seus educandos. Através do diagnóstico participativo, isto é, do diálogo, busca-se recuperar a oralidade e a história de cada um. Portanto o educando e o educador formam-se mutuamente, ao longo do processo educativo, ou melhor, “já não se pode afirmar que alguém liberta alguém, ou que alguém se liberta sozinho, mas os homens se libertam em comunhão”. (Freire, 1987, p. 130).

Histórico

Na década de vinte, mais especificamente após a semana de arte moderna e posteriormente com os manifestos da Escola Nova, intelectuais falavam em uma educação popular que fosse direito de todos. Em meados da década de 30, finalmente começa a se consolidar um sistema público de educação elementar no país. A sociedade brasileira passava nessa época por grandes transformações, associadas ao processo de industrialização e concentração populacional em centros urbanos (êxodo rural). A ampliação da educação elementar foi impulsionada pelo Governo Federal, que traçava diretrizes educacionais para todo o país. O movimento incluiu esforços articulados nacionalmente de extensão do ensino elementar, aos adultos. Nos anos 40, com o fim da ditadura de Vargas em 1945 e o país vivendo a efervescência política da redemocratização, a educação de adultos define sua identidade tomando a forma de uma campanha nacional de massa. A Campanha de Educação de Adultos, lançada em 1947, pretendia numa primeira etapa, uma ação extensiva que previa a alfabetização em três meses, e mais a condensação do curso primário em dois períodos de 7 meses. Nos primeiros anos, sob a direção do professor Lourenço Filho, a campanha conseguiu resultados significativos. Entretanto o clima de entusiasmo começou a diminuir na década de 50: iniciativas voltadas à ação comunitária em zonas rurais não tiveram o mesmo sucesso e a campanha se extinguiu antes do final da década. As críticas à Campanha de Educação de Adultos voltavam-se tanto às suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica, pois os professores viam os analfabetos como pessoas incompetentes. Essa visão foi modificada antes mesmo do final da campanha. Mais tarde, com o governo de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961) e de João Goulart (1961 a 1964) e o advento da industrialização no Brasil com a chegada de capital estrangeiro, a limitação da educação tornou-se um problema e passou a ser necessário instruir o povo para expandir o capital. Foi nesse contexto que apareceu o Movimento de Educação de Base (MEB), um programa governamental de alfabetização criado em 1961 pela Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB). Se esse foi o marco do início da história da educação popular no país. Os anos seguintes seriam ainda mais fundamentais: foi nessa fase que o educador Paulo Freire modificou o caráter apenas alfabetizador da educação popular e passou a trabalhar também com a conscientização critica e libertadora do educando. Com o golpe militar de 1964, os programas de alfabetização e educação popular que se multiplicaram no período entre 1961 e 1964 foram vistos como uma grave ameaça à ordem e seus promotores duramente reprimidos. O governo só permitiu a realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas e conservadores até que, em 1967, ele mesmo assumiu o controle dessa atividade lançando o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização. O Mobral era a resposta do regime militar à ainda grave situação do analfabetismo no país. Em 1969, lançou-se numa campanha massiva de alfabetização. Durante a década de 70, o Mobral expandiu-se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram do programa de alfabetização, a mais importante foi o PEI - Programa de Educação Integrada, que correspondia a uma condensação do antigo curso primário. Este programa abria a possibilidade de continuidade de estudos para os recém alfabetizados. Em 1980, após permanecer no exílio por 16 anos, Paulo Freire volta ao Brasil. Em 1989, aceita o convite da prefeita de São Paulo, a então petista Luiza Erundina, para assumir a Secretaria de Educação. Durante o tempo que ficou na direção da pasta, o pedagogo criou o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova).

A Educação Popular no Mundo

O continente europeu, que apresenta a melhor taxa de desenvolvimento humano do mundo, está procurando no Brasil a solução para a exclusão social. Populações de refugiados, moradores de rua e imigrantes em busca de trabalho formaram uma classe social à margem dos altos padrões europeus. Países como Itália e Finlândia, e mesmo fora do continente, como Estados Unidos e Japão, vêm encontrando na educação popular brasileira o mecanismo mais eficiente de incluir com justiça esse novo público. Vem de Paulo Freire a inspiração usada por italianos, espanhóis, finlandeses, alemães, americanos e até japoneses para lidar com seus excluídos. Atualmente mais de cem países possuem núcleos de estudos, cátedras ou institutos que trabalham sob a égide da Pedagogia Libertadora, desenvolvida pelo educador. Para atender a demanda, o Instituto Paulo Freire criou um departamento que cuida exatamente da expansão da ideologia do pedagogo pelo mundo. A Universitás Paulo Freire foi criada em 2000, durante um encontro de pedagogos realizado em Bolonha, Itália. O coordenador da Universitás, Jason Mafra, afirma que a função do departamento é orientar os estudiosos que procuram o Instituto. Em 2005 foram inaugurados o Instituto Paulo Freire de Israel e da África do Sul.

Referências

AZIBEIRO, N.E. (2003). Entrelaços do Saber: uma aposta na desconstrução da subalternidade. Anais da 26ª Reunião Anual da ANPED.

BARBOSA, R. C. Educação Popular e a construção de um poder ético. Disponível em . Acessado em 20 de agosto de 2008.

BRANDAO, C. R. (1986). Educação Popular. 3ª ed. SP, Brasiliense.
FREIRE, P. (1987). Pedagogia do Oprimido. 27ª ed. RJ, Paz e Terra.

(1986). Medo e Ousadia. 10ª ed. RJ, Paz e Terra.

RIBEIRO, K.S.Q.S (2004). As Redes de Apoio Social e a Educação Popular:

Apertando os Nós das Redes. Anais da 27ª Reunião Anual da ANPED.

SPOSITO, M. P. (1992) O Povo Vai à Escola. 2ª ed. SP, Loyola.



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sábado, 31 de julho de 2010

MÚSICA

JOÃO LINHARES.

Músico mais do que competente, o violoncelista, cantor,
compositor e violonista João Linhares parece estar num
dos melhores momentos de sua carreira. Depois de ter uma
de suas canções gravadas por Zizi Possi, no disco “Bossa”, e duas inseridas no disco “Comigo”, da cantora maranhense Rita Ribeiro, esse paraibano de sensibilidade aguçada, conquistou em São Paulo, o primeiro lugar no 1º Circuito Paulista de Festivais.

MAIS DE JOÃO LINHARES

João Linhares de Medeiros nasceu em Patos, na Paraíba e aos 15 anos entrou na escola de música da Universidade Federal da Paraíba, onde estudou violão e violoncelo. Em agosto de 1981 participou Curso de Cultura Musical com o Maestro e Compositor José Siqueira e em dezembro do mesmo ano ganhou o Iº Festival de Música Popular da ETFPB e, em maio de 1984, passou no Concurso Nacional para a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Em julho de 1986 participou do Iº Seminário Brasileiro de Música Instrumental em Ouro Preto, Minas Gerais. Em 1988 participa do Projeto Pixinguinha abrindo o show do Pianista e Maestro Wagner Tiso e participa do Iº Festival Internacional de Música de Câmera sob a regência do Maestro Eleazar de Carvalho. Em Julho de 1990 tem obra executada na Espanha pelo violoncelista Raiff Dantas Barreto e a pianista Coloma Bonnín i Riera e, ainda no mesmo ano, escreveu a trilha sonora da peça teatral O gato malhado e a andorinha sinhá.

Em 1995 Participou da Camerata Antígua de Curitiba em tourneé nacional com o pianista Wagner Tiso e o saxofonista Paulo Moura. Tocou como músico convidado também na Orquestra Sinfônica da Bahia, na Orquestra do Teatro Artur de Azevedo em São Luís do Maranhão. Em 1997 muda-se para São Paulo e ingressa na Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo, como violoncelista e, posteriormente, como arranjador.

Em 2000 recebe convite para participar da banda do cantor Chico César com quem fez a tourneé mundial Mamma Mundi, tocando na Europa, Estados Unidos e Canadá. Em 2001 fica em segundo lugar na Feira Avareense de música Popular - FAMPOP e ganha o Iº Circuito Paulista de Festivais. Ainda em 2001 tem composições gravadas pela cantora Rita Ribeiro, no CD Comigo e pela cantora Zizi Possi no CD Bossa.

Em 2002 participou da banda Falamansa com quem fez tourneé mundial tocando na Europa, Estados Unidos e Japão e gravou com eles o CD Simples Mortais, que inclui duas composições da sua autoria. Em 2003 recebe convite do Maestro Roberto Sion para ser seu Regente Assistente na Orquestra Jovem Tom Jobim, em São Paulo, onde atua desde então. Em 2004 lança independente seu 2º CD Teu Beijo. Em 2005 rege como convidado a Camerata Antígua de Curitiba. Como arranjador trabalhou para artistas como Lenine, Kid Abelha, Johnny Alf, Rosa Passos, João Donato, entre outros.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

RALLY INTERNACIONAL DOS SERTÕES COMEÇA EM AGOSTO

Uma aventura sobre rodas que atravessa seis estados brasileiros e soma mais de 150 veículos inscritos. Assim será o 18º Rally Internacional dos Sertões, a segunda maior competição off road do mundo que começa no dia 10 de agosto em Goiânia (GO) e termina no dia 21, em Fortaleza (CE).
Com um percurso de 4.486 mil quilômetros, com 95% de trajeto inédito, a prova terá dez dias de duração e vai cruzar os estados de Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão, Piauí e Ceará. O número de competidores confirmados para este ano já superou a edição 2009, que apresentou 120 veículos e 181 concorrentes. Este ano serão 156 veículos - 10 caminhões, 56 carros, 74 motos e 15 quadriciclos - totalizando 231 competidores inscritos, entre pilotos e navegadores - responsáveis por ler e interpretar o mapa do rally e indicar ao piloto o caminho programado.

Com o patrocínio da Petrobras, Gillette Desodorantes e Camargo Corrêa, a 18ª edição do Rally dos Sertões conta com o apoio do Ministério do Turismo, dos governos dos Estados de Goiás, Tocantins e Ceará e do Ministério do Esporte, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. O evento ainda conta com supervisão da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

Pilotos de 11 países - Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos, França, Bélgica, Polônia, Venezuela, Portugal e África do Sul, além do Brasil - já estão confirmados. Entre os brasileiros, 20 Estados estarão representados. São eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Com patrocínio da Petrobras, Gillette Desodorantes e Camargo Corrêa, a 18ª edição do Rally dos Sertões conta com o apoio do Ministério do Turismo, dos governos dos Estados de Goiás, Tocantins e Ceará e do Ministério do Esporte, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. O evento ainda conta com supervisão da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

quinta-feira, 29 de julho de 2010

NEGRITUDE EM FESTA NA AMÉRICA LATINA

BAMIDELÊ - ORGANIZAÇÃO DE MULHERES NEGRAS




25 de Julho

Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe

Dia de Teresa de Benguela e da Mulher Negra no Brasil

A Bamidelê- Organizacão de Mulheres Negras na Paraíba

Co n v i da

28/07 – Lançamento da Campanha Eletrônica: “No Censo 2010, Afirme sua negritude: Moren@, não. Eu Sou negr@!” Com apresentação de vídeo, distribuição dos materiais da campanha e show com cantora e compositora Cida Alves e as Cirandeiras de Caiana dos Crioulos.

Local: FECOMÉRCIO (Av. Des. Souto Maior, 291 – 5º andar - ao lado da Loja C&A e vizinho ao SESC – Centro/João Pessoa)

Hora: 18:30h
Parcerias: Articulação de Juventude Negra e Organização de Mulheres Negras de Caiana dos Crioulos – OMNCC
Histórico

O dia 25 de julho representa o marco internacional da luta e resistência da mulher negra da América latina e do Caribe. Nesta data, em 1992, foi realizado o I Encontro de Mulheres Afro-latino Americana e Caribenha, em Santo Domingo, na República Dominicana, onde essa data foi definida como um dia de luta das mulheres negras. Desde então muitas ONGs e o movimento de mulheres negras tem trabalhado para consolidar essa data.

Em 07 de julho de 2009, o Senado aprovou o projeto de Lei que cria o dia de Teresa de Benguela e da Mulher Negra no Brasil, como reconhecimento da luta das mulheres negras no país.

A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na PB vem fazendo parte dessa história visibilizando, localmente, o marco histórico de luta contra o racismo e o sexismo e em 2010, realiza a XII Comemoração do Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe e a I comemoração do Dia de Teresa de Benguela e da Mulher Negra no Brasil.

Realização: Bamidelê - Organização de Mulheres Negras na Paraiba

Tel.: 3233-8233

Apoio: Ford Foundation

terça-feira, 27 de julho de 2010

FENAJ NACIOANAL X ELEIÇÕES

terça-feira, 27 de julho de 2010

Jornalistas têm chance de mudar rumos da Fenaj

Dalmo Oliveira


Jornalistas profissionais sindicalizados de todo Brasil vão às urnas a partir de hoje até a próxima quinta-feira, 29, para eleger a nova diretoria da Fenaj. Duas chapas estão concorrendo ao pleito que conduzirá os ganhadores à uma gestão até 2013. A chapa 1, “Virar o Jogo: em Defesa do Jornalismo e do Jornalista”, é comandada pelo atual vice-presidente da Fenaj, Celso Schröder (pronuncia-se “Xereder”). A chapa 2, de oposição, “Luta, Fenaj!”, é encabeçada por Pedro Pomar, assessor de imprensa do Sindicato dos professores da USP. Cometendo flagrante ato-falho, a estratégia discursiva da chapa 1 quer fazer crer uma “virada de jogo”, assumindo que muita coisa precisa mudar numa Fenaj que o grupo situacionista comanda há vários anos.

Na Paraíba, urnas fixas estarão à disposição dos votantes na sede do sindicato, em João Pessoa e Campina Grande. Urnas volantes deverão também ser usadas para catar votos em redações e assessorias de imprensa. A comissão eleitoral local, composta pelo presidente da entidade Land Seixas, além de Marcos da Paz e Reginaldo Marinho, não divulgou como será a votação noutras cidades paraibanas.

Jornalistas sindicalizados aposentados também poderão votar, mas não se sabe se eles precisarão cumprir as mesmas exigências dos jornalistas da ativa, ou seja, estarem em dias com a tesouraria da entidade.

Apenas a chapa da situação (chapa 1) possui representantes paraibanos: Rafael Freire concorre à Vice-Presidência Nordeste I; Lúcia Figueiredo disputa uma vaga no Departamento de Saúde e Previdência; e Edson Verber, que pretende ocupar o Conselho Fiscal.

O Movimento Novos Rumos decidiu não participar do pleito esse ano, mas aposta nos companheiros da chapa 2, por entender se tratar da única chapa disputante merecedora da confiança da categoria. A chapa da situação representa o continuísmo de uma Fenaj derrotada pelo patronato do setor, desvinculada da realidade da categoria, cujo candidato a presidente ocupa cargo de chefia na Assembléia Legislativa gaúcha, tendo desempenhado um papel vergonhoso e subalterno durante a primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), atuando como um dos principais interlocutores do baronato da mídia e do governo junto aos movimentos sociais, refreando o ímpeto mais progressista das demandas da sociedade nessa conferência histórica.

Já os representantes paraibanos na chapa da situação são os mesmos que fizeram do sindicato local uma entidade apática e distante dos verdadeiros anseios dos jornalistas da Paraíba. Sua base eleitoral é sustentada, em grande medida, por jornalistas aposentados e por jornalistas que entraram na categoria pela janela do oportunismo, sem diploma de curso superior de Jornalismo, em sua maioria agraciada com registros profissionais para o exercício de funções adjacentes como diagramadores, ilustradores, repórteres-fotográficos, colaboradores etc.

Merece destaque o candidato à vice-presidência Nordeste I, que substitui Seixas na composição nacional. Militante profissionalizado desde o movimento estudantil, Freire, consegue se sobrepor a capas-pretas históricos, como Verber, Marcos da Paz e Lúcia Figueiredo, ocupando um cargo estratégico na chapa situacionista.

A eleição da Fenaj deve ser um termômetro de como a categoria avalia as últimas lambanças do grupo liderado por Xereder e Sergio Murilo, afinal de contas esse grupo foi o responsável pelas derradeiras e vergonhosas derrotas da categoria em nível nacional, como a extinção da Lei de Imprensa (sem outra legislação substituta), fim da obrigatoriedade do diploma superior para o exercício da profissão e inviabilidade da criação do Conselho Federal de Jornalismo.

Sob a batuta deste grupo na Fenaj a categoria viu a precarização da profissão chegar a níveis sub-humanos, numa afronta imoral a todos os direitos trabalhistas conquistados a duras penas por nossa categoria anteriormente à chegada deles ao poder.

Então, se você acha que está tudo OK, vote na chapa 1.

Mas se quiser dar uma chance à verdadeira mudança na Fenaj, devolvendo a entidade para o campo da combatividade ao capitalismo midiático; se quer uma Fenaj mais presente, mais atuante, menos subalterna, mais proativa e solidária, vote na chapa 2.

Esse ano poderemos, através do voto, mudar os representantes que não correspondem às nossas expectativas e demandas, começando por nossa própria Federação de sindicatos.

DOCUMENTÁRIO

JULHO 2010

Tem baiano na trilha sonora de documentário da BBC sobre prostituição infantil no Brasil
Publicado por marrom e arquivado em Notas

O cantor e compositor baiano Beto Daltro, na foto de chapéu, está comemorando um grande feito em sua carreira, apesar do assunto o deixar triste com a realidade nua e crua. Dia 31 de julho (14h30) com reprise dia 1 de agosto , a BBC News e a BBC World vão exibir um filme /documentario sobre a prostituição infantil no Nordeste, gravado em Recife e Fortaleza em maio deste ano.

Com o titulo Our World: Brazil’ s Child Prostitutes o documentário tem direção do jornalista Chris Roger, da BBC de Londres e, segundo informa a emissora, mostra “o turismo sexual e a prostituição infantil no Brasil”. A música tema Criança na Prostituição ( Child Prostituiton) composta por Beto Daltro, foi gravada de forma acústica na Praia da Boa Viagem, em Recife, com a participação do guitarrista pernambucano Fred Lyra.

“Este é apenas o primeiro de uma serie de documentarios da BBC sobre o tema em varios países do mundo, inclusive Inglaterra, Tailandia, Estados Unidos, pois a prostituicão infantil é um problema mundial. Começando pelo Brasil, que, segundo dados da UNICEF, possui cerca de 250 mil criancas na Prostituição” A revelação é o do próprio artista em conversa com o Blog.
Beto Daltro que vive há dez anos na ponte área Salvador/Londres, além de compor e cantar, é fundador e coordenador da Comunidade Beira Rio, às margens do Rio Pojuca, no Municipio de Camacari.

Artigo publicado em Segunda-feira, 26 de Julho de 2010 às 19:54 e arquivado em Notas. Comentários a este artigo podem ser verificados através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário ou fazer um trackback de seu próprio site.
2 comentários para “Tem baiano na trilha sonora de documentário da BBC sobre prostituição infantil no Brasil”

segunda-feira, 26 de julho de 2010

JOÃO PESSOA E SUAS PESSOAS



Fernando Moura & Carlos Aranha

JOÃO PESSOA E SUAS PESSOAS

aconteceu no Terraço Panorâmico da Estação Cabo Branco Ciência Cultura e Artes, no Altiplano, a segunda edição da Coleção 'João Pessoas – A Memória da Cidade', que homenageia o cantor e compositor Parrá; o carnavalesco Jocemar Chaves e o artista plástico Flávio Tavares. São três volumes, somando 308 páginas, acompanhados por um DVD com um documentário, que conta a trajetória da vida dos homenageados, resgatando o legado cultural deixado ao longo dos anos na cidade que escolheram para viver: João Pessoa.
Na ocasião, será apresentado um vídeo informativo explicando a importância do projeto, além da distribuição dos exemplares para as pessoas presentes no evento. A coleção também fará parte do acervo das bibliotecas públicas e de escolas municipais, além de várias instituições. A primeira edição homenageou o jornalista Gonzaga Rodrigues; o escritor Ascendino Leite e a professora Elisa Mineiros. O 'João Pessoas' é um projeto da Prefeitura de João Pessoa, em parceria com as Secretaria de Comunicação (Secom), de Educação (Sedec) e Patrimônio Cultural (Probech).
Os homenageados - Flávio Tavares foi homenageado no quarto volume da segunda edição da coleção. Na crítica que segue nas páginas sete, oito e nove, o coordenador do Patrimônio Cultural de João Pessoa, jornalista Fernando Moura, diz que "Flávio Tavares é quem melhor traduz Flávio Tavares. Basta ler seus quadros. Melhor que vê-los, é decifrar nas entrelinhas das formas e cores o homem por trás da obra. Simplicidade e plenitude são sensações que afloram aos olhos dos que se dispõe a enxergar além da retina, nessa leitura dos sentidos, em busca do enlevo...".
Várias pessoas e amigos estão presentes nesse exemplar, falando do legado cultural que o artista deixou e ainda deixa na Capital paraibana. Eudes Rocha fala da paixão pelo fantástico e Lúcia França fala da arte, poesia e história. Outros amigos também fazem parte do acervo: Hermano José, Miguel dos Santos, Rosely Garcia, Teresa Tavares e Gabriel Bechara.
Já no quinto volume, dedicado ao músico Parrá, o jornalista Fernando Moura revela que o artista é "quase uma lenda viva na Paraíba, pelo talento artístico, pelo despojado estilo de vida e por espalhar, ao seu rastro de andarilho, casos e causos vividos ou inventados por ele próprio...".
As páginas seguintes registram frases, pensamentos e sentimentos de várias personalidades, que exprimem em texto a importância do artista para a Capital paraibana. São eles: o poeta Lau Siqueira, o jornalista Walter Santos e os amigos Valtinho do Acordeom, Joça do Violão, Carlos Aranha, Carlos Anísio, Ricardo Anísio, Raimundo Bola Nonato, Chiquinho Mino e Krislaine Oliveira. Além disso, estudantes, professores, pesquisadores e o público em geral terão acesso às entrevistas, imagens e recortes de Parrá.
O sexto volume da segunda edição do 'João Pessoas – A Memória da Cidade' fala sobre o carnavalesco Jocemar Chaves. Segundo Fernando Moura, Jocemar é um artista popular, servidor público e festeiro temático. "É um cidadão que se confunde com a própria memória do lugar, encarnando o espírito de muitos que não conseguem o necessário espaço para expor suas emoções, idéias e esperanças", disse Moura em sua crítica registrada neste exemplar.
Para homenageá-lo, o jornalista Gilson Renato fala sobre 'Um homem feito de Cidade' e Ulisses Barbosa, fala sobre 'A estrela sem o brilho do holofote'. A família e amigos também estão presentes nas linhas dessa coleção, como Maria da Paz Padilha Chaves, Oswaldo Padilha Chaves, Kátia Kelly Simpson, Jocemar Chaves Júnior, Maria Edileuza Gomes de Lucena, Hermógenes Bonfim, dentre outros.

sábado, 24 de julho de 2010

MEMÓRIA

ANJO AZUL - PRIMEIRO BLOCO CARNAVALESCO DO CENTRO HISTÓRICO PARAIBANO


ANJO AZUL - O BLOCO ICNOGRÁFICO DA DIVERSIDADE


Temos, na Paraíba, a vocação e a volição das ruínas, da destruição criativa e da criação destrutiva, no que somos, desde sempre, do passado colonial até hoje, absolutamente modernos. Os monumentos históricos que melhor nos definem passam pela construção e destruição, sucedidos por uma nova construção, de A União à Assembléia Legislativa, na Praça João Pessoa, da Rádio Tabajara ao "novo" conforto do Fórum da Justiça, na Rodrigues de Aquino. Matamos simbolicamente os velhos jornalistas de A União e os cantores do rádio. O altar-mor da Igreja São Francisco - destruído sem dó no começo do século passado -, é apenas um retrato na parede e a Casa de Engenho de Zé Lins serve de morada ao capim dos vermes.

Gostamos de extrair o lado bom das coisas ruins: Darcy Ribeiro afirmava, no belo livro O povo brasileiro, que somos um povo tabula rasa, ou seja, explicando melhor, os escaninhos da tradição brasileira são essencialmente abertos, de antena ligada às novidades do mundo, que assimilamos à nossa maneira, antropofágica. Passamos distante de qualquer ancestralidade cultural rígida, de qualquer narrativa mitológica impermeável. Por isso, o anauê de Plínio Salgado não deu certo, e o integralismo acabou virando uma piada de mau gosto (ou mau agouro?). Nascemos sem as pistas certas do que achar no caminho, por isso vamos procurando, acertando e muitas vezes errando. Amar só se aprende amando.

Por outro lado, retóricos, adoramos as falsas polêmicas. Agora, em 2008, há um novo debate circulando no ar sobre o carnaval: se a contribuição rítmica do carnaval paraibano ao mundo vem a ser o frevo, o samba, o axé ou a marchinha. Trata-se de uma falsa questão – até o tecno pode compor o carnaval paraibano.

No caso específico da antiga província da Paraíba do Norte, o carnaval, antes de musical, é uma manifestação cultural iconográfica e aberta à diversidade. Aristóteles, como sabemos, desentranhou o conceito estético de mimesis (ação de imitar) do teatro grego, contudo o que estava oculto no conceito de tragédia era a pulsão primitiva do ancestral humano que representava na pedra os elementos da natureza, principalmente os animais, visando à boa caça. Antes do verbo, no começo era a imagem e o som.

Glória eterna a Jackson do Pandeiro, Sivuca, Maestro Severino Araújo, Maestro Moacir Santos, Chico César, Fuba e Escurinho, mas onde estão os cenógrafos, os pintores, os arquitetos, os decoradores e os estilistas de moda do carnaval paraibano? Onde os artistas plásticos para amalgamar o barroco ao brega – irmãos no exagero, porém distintos na ilusão de absoluto do primeiro e na saudável ignorância do segundo.

Barroco e brega: o puro espírito santo do carnaval. Desenterremos as alegorias de nossas ruínas, façamos as mais estranhas misturas, mas sempre conservando algo da monumentalidade intrínseca ao espírito barroco, no salão, na avenida e na praça da capital dos tabajaras. Aprendamos com as escolas de samba do Rio de Janeiro. Nosso carnaval é sacro como a contemplação da maravilhosa nave, do adro, do cruzeiro, das portas e dos azulejos lusitanos da Igreja de São Francisco (a ocasião em que mesmo quem não acredita se sente perto de Deus na fruição da transcendência e do absoluto).

Carnaval, conceito arquitetônico, escultural, pictórico e paisagístico. O carnaval de Veneza é pura arquitetura e iconografia. A vocação do carnaval paraibano, advindo da melhor tradição veneziana, em primeiro lugar, é precisamente esta: a arquitetura e a socialidade do barroco. As máscaras, as fendas, as frestas e as festas do barroco. Uma falange de máscaras. O “Cafucú”, portanto, está coberto de razão histórica, talvez às cegas. Estamos condenados por enquanto ao barroco, somos barrocos quando nos aventuramos à modernidade e mesmo ao pós-moderno Somos barrocos, de maneira especial, quando fazemos política – o eterno e renitente cotejo de sacralização da corte, acompanhado do inevitável séqüito de tramas, conciábulos e poetas proscritos. O príncipe Hamlet vive entre nós, renitente, num misto alegre e soturno, a descer as ladeiras do centro histórico, ao ritmo de Vassourinhas, nos bailes de máscaras os quais algumas pessoas já me contaram ter divisado, noite adentro, o corvo de Poe e albatroz de Baudelaire, devidamente traduzidos nos sonetos de Augusto dos Anjos, mas ao mesmo tempo nos motes do absurdo de Zé Limeira.

Triste Paraíba, ó quão dessemelhante. Do antigo estado a máquina mercante, do rio de nome sonoro – Sanhauá – ao gemido dos escravos nas senzalas próximas aos conventos coloniais. Brindemos aos escravos das senzalas no carnaval, pois deles importamos o núcleo principal de nossa alegria. Alegria e trabalho, juntos. Já dizia o poeta maior, Vinicius de Moraes, um paraibano da gema, no magnífico Samba da benção: “o samba é a tristeza que balança”. Aduziria: também o maracatu e o caboclinho são tristezas que balançam.

A entidade metafísica que abre as prévias do carnaval paraibano, dia 25 de janeiro (sexta-feira), é o bloco “Anjo Azul”. O Anjo Azul foi fundado e todo ano é organizado com garra por uma agitadora cultural guerreira, muito querida na cidade, Ednamay Cirilo. May inventou de criar um bloco que tem sede em um ambiente histórico repleto de simbolismos, a antiga zona do chamado “baixo meretrício”, nos tempos em isso que havia: o Beco da Faculdade de Direito, na ladeira do Padre Gabriel Malagrida, um herói sacrificado numa das visitações da Inquisição do Santo Ofício ao Brasil. O espírito do padre Malagrida, que assiste impávido os dramas e comédias da cidade por séculos sem fim naquele ambiente, fez um ar de sorriso quando foi fundado o Anjo Azul, e certamente, ato contínuo, abençoou o bloco, pois o padre italiano do século XVIII, morto feito mártir, é ele mesmo um anjo verdadeiro, um querubim barroco.

O Anjo Azul é o bloco multicolor da diversidade cultural e da democracia, de todas as opções sexuais e todos os credos políticos. O nome de bloco presta uma inusitada homenagem ao filme expressionista alemão da década de 1930 – Der Blaue Engel –, adaptação do romance de Heinrich Mann (irmão de Thomas Mann) – os dois filhos ilustres da brasileira Julia Mann, nascida deitada sob o sol da arquitetura colonial de Parati (RJ) –, sobre a história de um professor que se apaixona por uma dançarina de cabaré. Mais além de um clima soturno – prenúncio da tragédia de ascensão da ditadua nazista que se daria logo em seguida, em 1933 –, o filme ficou gravado na memória principalmente por uma seqüência de fotogramas sensuais, logo transformados em um dos ícones da cultura pop contemporânea: as pernas dobradas de Marlene Dietrich, sentada num banquinho. Ah, as pernas de Marlene Dietrich: conspícua, carnuda, provocante, lúbrica, fazendo a perfeita simbiose com um rosto libidinoso, manchado a um batom da cor do pecado. Hitler não agüentou tanto charme. Assim como Malagrida foi perseguido pela inquisição, Marlene Dietrich nunca se dobrou ao nazismo e fugiu da Alemanha, se refugiando nos Estados Unidos. Dessa maneira, vão se tecendo os fios entre fatos aparentemente distantes, desvendando articulações de onde menos se espera, o conceito é transformado em imagens aparentemente aleatórias, mas dotadas de uma mensagem profunda: Malagrida, Marlene, May. Tudo a ver. (Jaldes Reis de Meneses ).

ANJO AZUL

Ednamay - fundadora do ANJO AZUL

O Bloco Anjo Azul, primeiro do centro histórico do Projeto Folia de Rua, é também ASSOACIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA ANJO AZUL, com sede no Centro Cultural de Terceiro Setor Thomáz Mindello, desde 2006, aprovado pelo FIC-Augusto dos Anjos, lança seu bloco própio AS ANJINHAS,fundado em 18 de abril de 2007 e colocado na rua em 25 de janeiro de 2008, pela primeira vez, é voltado para o universo feminino e suas inquieações em busca da cidadania, cultura e arte. Associação ANJO AZUL ( não confundir com o bloco ), realiza trabalho voltado para a obra JACKSONIANA em forma de OFICINAS de: PANDEIRO, ARTES PLÁSTICAS, TEATRO ( sobre os caminhos percorrodos pelo mestre nascido no Engenho Tanques, arredores da cidade do brejo paraibano - Alagoa Grande.

O BECO

BECO da FACULDADE de Direito é um sítio histórico abandonado pelas autoridades competentes do Município e do Estado,está localizado ao lado da PRAÇA DOS TRES PODERES.Vizinho da Assembléia Legislativa, Palácio do Governo e Tribunal do Justiça, Faculdade de Direito da UFPB - Universidade Federal, ( apoio cultural).

COMUNIDADE do BECO - Rua Gabriel Malagrida, portanto é o carro chefe para o grito de alerta geral desse descaso ( falta de higiene , não existe banheiros públicos na área e o povo mixa nas escadarias e paredes do beco, não existe policiamento noturno e diurno, portanto é sem segurança e saúde pública. Vale lembrar que a EMLUR - Autarquia MunicipalL, VARRE DIARIAMENTE mas não LAVA.
Sem a devida atenção dos: IPHAN Instituto Patrimônio Histórico Nacional ( já que um lado do beco é referência nacional A FACULDADE tombada como Patrimõnio Nacional ,da terceira cidade mais antiga do Brasil e do outro lado o beco , possui um casario ART-DECÓ , preservado pelos propietários e tombado pelo IPHAEP - Instituto Patrimônio Histórico Artístico do Estado , ambos envolvidos na falta de preservação ( desse sítio histórico que durante o dia vira estacionamento privê da Assembléia Legislativa e a noite,é local de vendas de drogas e marginália, como em todos os sítios históricos desse BRASIL , mas bem diferente do Pelourinho em Salvador que tem polícia dia e noite .

Os blocos carnavalescos ANJO AZUL e seu filhote AS ANJINHAS, desempenham papel importante para a nossa cultura e resgate do frevo, fantasia, artes plásticas, sincletismo , BARROCO , cidadania,orquestras, grupos percussionistas...

A SERENATA DOS ANJOS, a LAVAGEM da ESCADARIA, realizada sob as benções dos O DEUSE,ALÁ, GANDHY, ORIXÁS, símbolos de elevação aos espíritos escravos e boêmios das pessoas que outrora habitavam aquela área . A L AVAGEM da ESCADARIA sempre animada por alguma bateria de Escola de Samba.
Recentemente à Império do Samba, ( a minha escola CAMPEÃR DO CARNAVAL PARAIBANO 2008, e BI-CAMPEÃA DO CARNAVAL 2009),fez a festa, anteriormente foi a MALANDROS DO MORRO- BAULA.
ONG - ASTRAPAS - ASSOCIAÇÃO DAS TRAVESTIS DA PARAÍBA, ONG - MARIA QUITÉRIA, Grupo de MULHERES LÉSBICAS,
SACERDOTIZA GORETHE ,
MÃE MARIHÁ.
A GRANDE MÍDIA PARAIBANA , RÁDIO, JORNAL, TV,
BLOGs
ORKUT e toda mídia alternativa são parceiros do ANJO AZUL.

REISADO DO ANJO - evento destinado aos músicos-(as), atores, atrizes, arquitetos-((as) , advogados-(as) , jornalistas , turismólogos - (as), estudantes de todas as áreas ano após ano, sgrandes incentivadores intelectuais desse movimento carnavalesco .

REI DO ANJO AZUL, os múcsicos Kennedy Costa -( CAFUÇU), Marcos Fonseca, Gustavo Magno, Hugo Leão, ( LENDÁRIO MÚSICO DOS 4 LOUCOS E THE GENTHEMENS).

RAINHA DO ANJO - Glaucia Lima , Eleonora Falcone, Silvia Patriota, Neuza Flores , (terceira e últina viuva de Jackson do Pandeiro, habita entre nós aqui na paraíba e cuida do MEMORIAL JACKSON DO PANDEIRO em Alagoa Grande).

Em 2008 o destaque foi para a MADRINHA MAY GONÇALVES - Cantora radicada em Saõ Paulo e que adora nossa Prévia Carnavalesca.
Em 2009 o destaque foi para a MADRINHA CECÍCILA AVELINO - pela simpatia e dedicação ao BLOCO.

Ao som da Orquestra de Frevos do maestro João Lobo , ANJO AZUL, Hino do bloco de autoria de Mestre Fuba,leva a multidõ ao delírio , além do rítmo frevo, a letra é mais que uma declaração de amor é mesmo uma linda história pela cidade e seu Patrimônio Artístico e Cultural.

Ednamay Cirilo Leite, remanescente jornalista ativista dos movimentos culturais desde a época do Colégio Lins de Vasconcelos - anos 60 diz que ¨ o bloco faz parte da história da cidade que perdeu o nome PARAHYBA ,o bloco tem a proposta turística de mostar a beleza do Patrimônio Histórico e Arquitetônico, enquanto relíquia do Brasil, desta que já nasceu cidade , em NOVEMBRO de 1585 - Nossa Senhora das Neves, passou por várias mudanças de nomes ,e batalhas guerreiras , até ser conhecida como João Pessoa, em 1930, após a REVOLUÇÃO de 1930, ver sobre a Revolução no Google.
Atualmente em campanha para retomada do antigo nome PARAHYBA , nome ESSE, que reinou por 276 anos, como CAPITAL¨.

O bloco do resgate tem a fantasia de Colombina como traje oficial para suas foliãs e e PIERROT para os foliões,criando a identidade que é a cara do CARNAVAL,e abolindo de vez ABADÁS e outros modismos mais que assolam o país na épca de Momo. como homem se vestir de mulher e vice-versa, ou se vestir de matuto, cafona, brega, carnaval tem que vestir FANTASIA TRADICIONAL CLÁSSICA.Como faz os nossos vizinho estados RECIFE e OLINDA, exemplos para o mundo.

Sua ação social é voltada para as profissionais do sexo habitantes do Beco da Faculdade de Direito , Pavilhão do Chá, Rua Duque de Caxias - ou Rua Direita, Ponto de Cém Réis , Rua General Osório - ou Rua Nova, Rua da Areia e Praça Antenhor Navarro , buscando DIGNIDADE atravéz da arte e cidadania, para estas cidadãs.
do imortal Willes Leal ¨ o ANJO AZUL foi o primeiro bloco a levar alegria ao nosso centro histórico após ausência do corso e carnaval outrora existente nesta área , a falência do carnaval naquela área por total falta de políticas para a cultura carnavalesca, chegou a um abandono geral de atividades culturais no centro histórico, enquanto a cidade se transferia para a orla marítima levando junto o comércio famoso de bares, restaurantes, bingos, boites, shoppings, cinemas, esvaziando completamente o SÍTIO HISTÓRICO.¨. do livro NO TEMPO DO LANÇA PERFUME de sua autoria...

EM MEMORIA

A bateria da Escola MALANDROS DO MORRO - de Livardo Alves, e Balula , foram os pioneiros na parceria com o bloco ANJO AZUL , deram o ponta pé inicial em 1994 , juntamente com a OEQUETRA DO MAESTRO VILÓ, a alma do beco, juntaram-se outras como a do Maestro CHQUITO, CEFET - PB , sob a batuta do Maestro JOÃO LOBO, tivemos parcerias de cidades do interior do Estado como BANANEIRAS e sua fanfarra LIRA DOS ARTISTAS , do MARACATU NAÇÃO MARACAHYBA, Grupo de Percussão Quebra Quilos, e lançamos o Grupo BATICUMLATA - EMLUR...

HINO do ANJO AZUL

letra e música de Flávio Eduardo Maroja - FUBA
gravada no CD - DE BEM COM A VIDA,
quinta faixa - a venda na ONG PORTA DO SOL l - Praça Antenor Navarro
Varadouro

VEM VEM VER A LUA BRILHANDO
NA NOITE DE AQUARELA
TÃO BELA, TÃO BELA
COMO A LUZ DO AMOR

VEM, VEM NAVEGAR NA MEMÓRIA
DOS CASARÕES DA CIDADE
QUEM SABE, QUEM SABE
ESSA É UMA HISTÓRIA DE AMOR

UM ANJO AZUL PASSOU BEIJOU A NOITE
LAVANDO A ESCADARIA
UM BÊBADO TROPEÇAVA
NO BECO DA CONFRARIA

E ESSA ALEGRIA RAIOU POR TODA A NOITE
FEZ A CIDADE CANTAR
UM QUERUBIM QUE CHEGOU
PRO CARNAVAL COMEÇAR

VAI MEU AMOR
O ANJO AZUL É UMA FLOR NA MADRUGADA
DESCEU DO BECO E A CIDADE ACORDOU
FOI MAY DE COLOMBINA QUEM ME CONVIDOU

VAI MEU AMOR, O ANJO AZUL É UMA FLOR NA MADRUGADA
DESCEU DO BECO E A CIDADE ACORDOU
FOI DE COLOMBINA QUEM ME CONVIDOUUUUUUUUUU


FOLIA DE RUA ACORDE MIRAMAR

Atenção moradores do bairro do Miramar abram as portas, acendam as luzes e caiam na folia, está chegando as Muriçocas do Miramar. Este é o chamado do bloco Acorde Miramar, que sai mais uma vez percorrendo as ruas do bairro em uma grande serenata com centenas de vozes, ao som de dezenas de violões tocando antigas marchinhas carnavalescas anunciando a tão esperada 'quarta-feira de fogo'.

Os foliões de plantão já começam a se concentrar logo cedo no começo da noite da terça-feira sempre às 20h, na Praça da Rua Tito Silva, popularmente conhecida como Praça das Muriçocas. O 'Acorde' vai sair às ruas do bairro de Miramar, na Capital, à meia noite da quarta-feira de fogo.

Normalmente os foliões chegam de todos os cantos e há até quem pareça que, literalmente, deu um pulo da cama para cair na folia. Vestidos com pijamas, meias e arrastando lençóis e travesseiros avenida a fora, tudo o que a turma quer é aproveitar ao máximo o dia que está só começando e não tem hora para acabar.


História

O Acorde Miramar saiu às ruas do bairro pela primeira vez 1992, sem a pretensão de se tornar um bloco carnavalesco, mas não demorou muito. O que antes era apenas um grupinho de "muriçocas" ansiosas pela chegada da Quarta-feira de Fogo se transformou num bloco que hoje arrasta foliões de todos os bairros da cidade ao som de uma verdadeira orquestra de violões.

Fuba, o puxador oficial do Muriçocas do Miramar, é quem comanda a serenata. Juntamente com ALEX MADUREIRA, JAIRO MADRUGA, LIZ, JARBAS MARIZ, e todos os músicos da cidade . Uma das coisas mais legais do Acorde é essa simplicidade. As pessoas vão chegando, se juntando, trazendo seus violões, sem necessidade de muita estrutura", TUDO PELO AMOR A MAIOR PRÉVIA CARNAVALESCA FOLIA DE RUA.

INTERCAMBIAR

Estou a procura de intercâmbio cultural para estudar e realizar OFICINAS DE PANDEIRO e DANÇAS de COCO, SAMBA de RODA e FREVO,em outros países NO VELHO MUNDO de preferencia na França, Portugal, Espanha.

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domingo, 18 de julho de 2010

FELIZANIVERSÁRIO TANINHA

Pedro Almodóvar
07.novembro.2004

Almodóvar chega a maturidade

Tania Menai, de Nova York

“Muitas situações vividas pelos personagens dos meus filmes refletem as mudanças da minha vida”, confessa um Pedro Almodóvar cinqüentão e de cabelos brancos ao comentar seu 15º filme, “Má Educação”, que abriu o Festival de Cannes deste ano, foi exibido no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo e estréia no circuito comercial brasileiro na sexta-feira, dia 12. O último Almodóvar traz para a tela temas como a pedofilia na Igreja e o transexualismo, mas o diretor faz questão de dizer que ele e o filme são “anti-Mel Gibson”. E explica: “Meu filme é sobre o poder da fé, assim como o de Gibson, mas o meu objetivo como escritor é ter empatia com todos os personagens. Amo personagens que estão tremendamente apaixonados e que dariam sua vida pela paixão, mesmo que, para isso, tenham de se queimar no inferno.”

Rendendo-se ao cinema noir, Almodóvar escolheu o mexicano Gael García Bernal – o Che Guevara de “Diários de Motocicleta “ – para viver três personagens em seu novo filme. Um deles é um travesti, que exigia de Gael quatro horas diárias de paciente preparação na sala de maquiagem. Outro ator conhecido – ainda que debaixo de perucas, saias, cílios e salto alto - é Javier Cámara, um dos protagonistas de “Fale com Ela” (2002), vencedor do Oscar de melhor roteiro original. Ao contrário dos filmes anteriores de Almodóvar, “Má Educação” não tem protagonistas femininas. Nem precisa.

Com um roteiro que mistura passado e presente, realidade e fantasia, “Má Educação” conta a história dos meninos Ignácio e Enrique. As crianças freqüentavam a escola primária, católica, na Espanha do começo da década de 60. Ainda pequenos, descobriram o amor – um pelo outro. Mas suas vidas foram marcadas pelo medo. O diretor da escola, Padre Manolo, pedófilo, assombrava a vida de ambos. Crescido, Ignácio escreveu uma história sobre o assunto. Enrique adaptou-a para o cinema. No final dos anos 70 – quando o padre já havia deixado a Igreja, estava casado e era pai de um filho –, o triângulo se restabelece. E a confusão também.

Nesta entrevista, que o apaixonado e falante diretor concedeu durante o Festival de Filmes de Nova York, Almodóvar ressalta que “Má Educação” não é um filme anti-clerical, fala sobre a relação entre sua vida e suas obras e revela a única regra fixa que segue como diretor: “Nunca dormi com nenhum ator dos meus filmes”. E conserta a frase: “Nem com atrizes”. Depois que pipocaram notas na imprensa brasileira sobre um eventual interesse de Almodóvar - que teria gostado muito de “Carandiru” - no ator brasileiro Rodrigo Santoro para o elenco do seu próximo filme, a reportagem de NoMínimo tentou confirmar a informação, mas, em Madri, o relações-públicas Javier Giner, da produtora do diretor, El Deseo, simplesmente afirma: “Que eu saiba, Almodóvar não viu Carandiru.”


Apesar de ficção, “Má Educação” se passa em uma Espanha real se baseia em fatos da sua infância. O quanto da sua biografia faz parte do filme?

Estamos falando de uma família que migra no início dos anos setenta, numa situação econômica quase de pós-guerra. Havia muita pobreza na Espanha. Apenas na segunda metade da década, a economia mostrou sinais de revitalização e transformou o país. A família de Ignácio, o menino protagonista, muda-se para Valência em busca de prosperidade. Na Espanha daquela época, os movimentos migratórios rumavam para a Catalunha – a Andaluzia imigrou inteira para lá - ou para os países bascos, que já estavam com uma economia mais madura. Muita gente também foi para a Alemanha. A minha família migrou de Castilla La Mancha, no sul do país, para Extremadura, que era um pouco melhor economicamente. Na época, a Espanha era um país bastante sombrio, devastado por uma grande repressão e uma ditadura ainda muito presente. Levaram-se 20 anos para que essa ditadura terminasse. Como o menino do filme, recebemos uma educação religiosa. Esta era a única opção – e, no meu caso, ganhei uma bolsa de estudo. Quando isso acontecia, agarrávamos a chance – era a única oportunidade de estudar. Este é o momento em que entramos no filme. Para mim, esta foi uma maneira de explicar o tipo de educação que recebi dos padres.

E foi uma má educação?

Em espanhol, “educação” tem dois significados – a educação acadêmica e a educação que designa os bons modos. Dada a educação que recebi, passada exclusivamente sobre a forma de culpa e castigo, acredito que seja um milagre eu estar aqui hoje dando esta entrevista.

Por que o senhor escolheu a cidade de Valência para este filme?

A ditadura acabou em 1975, mas começamos a respirar ares de liberdade apenas por volta de 1977. Valência era uma das cidades espanholas mais divertidas e mais abertas. Assim como Barcelona, Valência também era muito receptiva a todas as diversas condutas sexuais. Por isso, Ignácio, agora com tetas, decide ficar em Valência. Por outro lado, sua mãe, quando ficou viúva, foi viver com uma irmã do marido na Galícia, bem longe de onde viviam seus dois filhos.

O personagem de Padre Manolo também se originou na vida real?

Sim. Também tirei este personagem da minha biografia. Não conte para ninguém, mas, no colégio onde estudei, havia um sacerdote que tinha um verdadeiro harém de meninos - ressalto que eu não estava incluído. A cidade inteira sabia daquilo. Era um escândalo tal que o diretor do colégio teve de transferi-lo para um lugar onde não havia meninos pequenos, apenas adolescentes e adultos. A igreja nunca demite, apenas transfere. Dez anos mais tarde, encontrei-me com este padre nas ruas de Madri. Ele disse que tinha deixado a igreja e, para a minha surpresa, havia casado e tinha um filho pequeno. Minha impressão é de que a primeira coisa que estes padres faziam, ao deixar a igreja, era casar e ter uma vida normal. Mas depois acho que seus instintos sexuais acabavam voltando à tona acentuadamente.

É esta a virada do filme?

Se eu deixasse o filme simplesmente mostrar o abuso de poder de Padre Manolo sobre o menino Ignácio, o filme acabaria caindo em um certo maniqueísmo. O que mais me interessou era voltar ao Padre Manolo quando ele já não era mais sacerdote, quando já era marido e pai de um filho pequeno. Sem dúvida, é aí que o filme ganha sua tensão dramática. Este senhor reencontra seus dois alunos - Ignácio, transexual, e o Enrique, que tinha se transformado em diretor de cinema. E ambos o odeiam. Um deles escreveu um conto sobre o assunto, e o outro adaptou este conto para o cinema.

Então, ao seu ver, a história não se completaria somente com os acontecimentos da infância dos meninos...

Acho que o filme encontra sua natureza quando eles formam novamente o triângulo que havia se criado no colégio, mas, desta vez com um novo elemento: o irmão mais novo de Ignácio, interpretado por Gael. Tratei de mostrá-lo o mais jovem possível, um adolescente. A beleza e a atração do personagem de Gael representam para o padre o que aquele menino de que ele gostava na época da escola poderia ter sido na adolescência. Na verdade, aquele menino se tornou um travesti, mas o ideal que ele tinha em mente era a imagem de Gael.

O senhor acha que o padre da sua infância viu “Má Educação”?

Esta é uma pergunta que me faço todos os dias. Mas acho que ele viu, sim.

A Igreja se manifestou sobre o filme?

Não. Ninguém me procurou.

A cinematografia de “Má Educação” parece retornar aos primeiros anos da sua carreira. O senhor concorda?

Acho que foi uma boa idéia ter chamado José Luis Alcaine, o fotógrafo de “Mulheres à beira de um ataque de nervos” e de “Ata-me”. Não estou certo de que voltei no tempo. Mas acho que “Má Educação” é uma espécie de antologia de todos os temas com os quais me preocupo e que fizeram parte dos meus filmes. Trata-se de uma nova visão sobre um tema que já desenvolvi em um filme chamado “A Lei do Desejo”. Precisei fazer os 14 filmes anteriores para poder fazer “Má Educação”. Para se fazer um filme tão duro, não se precisa ter passado por uma vida tão difícil. Mas se deve ter um certo amadurecimento. Até porque, o final deste filme foi, sem dúvida, o mais duro de todos os meus filmes.

Como este amadurecimento o influenciou como diretor?

Os filmes que dirigi durante a juventude podiam ser classificados como comédias urbanas. A idade adulta me levou a fazer dramas intensos, barrocos. E agora a idade está batendo na minha porta – ainda que eu não queira abri-la, ela bate insistentemente. E isso tem me levado ao cinema noir, um gênero de filme que adoro e já queria ter feito. Mas, até agora, não me sentia suficientemente maduro para isso.

No começo, o senhor sempre filmou em Madri. Quando foi a primeira vez em que saiu da cidade com os seus filmes?

Foi em “Tudo Sobre Minha Mãe”. Levei o personagem para Barcelona, onde fica o bairro Montserrat. Tratava-se de uma mulher que se sentiu acolhida naquele lugar, depois de uma imensa dor. Ela vai atrás do pai de seu filho – o pai era um travesti, chamado Lola. Na época em que Lola colocou os seios, no final dos anos 70, Barcelona, muito mais do que Madri, era o lugar onde os travestis começavam os tratamentos para tirar a barba. Depois iam a Paris, colocavam seios, e voltavam a Barcelona – trabalhavam no bairro chinês, que acolhia calorosamente todos os travestis que chegavam com seios novos. Inclusive, entre os adolescentes de Barcelona, há uma tradição que passa por ter visitado alguma vez el campo - não é um campo de verdade, mas é perto do estádio de futebol. Lá, eles têm uma iniciação chamada “mamada rápida”. Estou falando sério. Barcelona é uma cidade que oferece muito mais ao mercado transexual do que Madri – há uma grande clientela.

E Lola foi baseado em algum personagem real?

Sim. Tratava-se de um homem casado (com uma mulher), que foi para Paris, colocou seios enormes. Dois anos depois, retornou a Barcelona para os braços da mesma esposa. Ela levou alguns dias para se acostumar com os seios do marido, mas acabou se acostumando. Continuaram casados e chegaram a abrir um negócio juntos – um bar na praia. Ele desfilava de biquíni e atirava-se em todos os meninos que passavam. Mas, quando a esposa vestia minissaia, ele se irritava e a proibia. Este é o melhor exemplo de machismo que já vi.

[ by Tania Menai ]

domingo, 11 de julho de 2010

POETA MARIANO

Amigos, leitores, artistas, jornalistas:
Comunico, aos que ainda não sabem, a minha saída da editoria da revista de cultura Correio das Artes, suplemento do jornal A União, do governo do Estado da Paraíba.

De maio de 2009 a junho de 2010, foram 13 números que produzi com a equipe do corpo técnico de A União, mais a indispensável generosidade dos vários colaboradores do Brasil e do exterior (12 números da periodicidade mensal e um especial sobre Machado de Assis). Coube a mim a coordenar a edição histórica dos 60 anos do Correio das Artes, o mais antigo suplemento literário em circulação no país.
Caiu no meu colo o encargo também de coordenar os concursos literários Correio das Artes 60 anos (um de redação escolar em nível estadual e dois para livros de contos e poemas, em nível nacional), o que muito me sugou, pois eu ainda tinha que conciliar dois turnos de expediente no meu trabalho no INSS, funcionário público federal concursado que sou desde os 20 anos de idade.
Saio sem poder ter levado a cabo um projeto ambicioso que seria a digitalização de todos os números do Correio das Artes desde 1949 para disponibilizar online ao público, como o soube conduzir o editor Fabrício Marques do Suplemento Literário de Minas Gerais; saio sem ver um desejo mínino que seria testemunhar as 631 escolas estaduais da Paraíba receberem pelo menos um exemplar da revista, tornando o Correio das Artes um material pedagógico auxiliar para os alunos de ensino fundamental e médio; saio sem poder ter viabilizado a independência da revista como publicação, com assinaturas para todo o país, o que foi uma procura constante de leitores de outros estados. Como muitos de vocês sabem, quando se lida com o lado oficial, nem tudo que se quer é possível. Rotas de colisão existem. Poupemo-nos dos detalhes.
Fica, porém, a certeza de que primei pela democratização do espaço, sendo a publicação um bem público. Por isso mesmo, em momento nenhum deixei que minhas preferências por este ou aquele movimento estético interferisse neste processo. Sendo um bem público, como sempre enfatizei nos editoriais, o suplemento Correio das Artes esteve aberto da tradição e à experimentação, abrigando novos e veteranos.
Agradeço a todos a colaboração e me desculpo pelos muitos textos que estavam à espera que não pude levá-los a público. Agradeço as várias manifestações de solidariedade que tenho recebido, entre elas a dos amigos poetas Sérgio de Castro Pinto, André Ricardo Aguiar, Lau Siqueira e a do desembargador José Di Lorenzo Serpa, também poeta.
Pela parceria, fica um abraço a Linaldo Guedes, meu antecessor. Ao meu sucessor, Astier Basílio, boa sorte.
Recolho-me um pouco para a minha vida pessoal que estava prejudicada pelo acúmulo de trabalho e para cuidar de minha obra literária, também prejudicada.
Brevemente voltarei com o projeto Tome Poesia, Tome Prosa que criei e conduzia desde 2004, também interrompido por falta de tempo e de energia física.
Ficam meus contatos:
antoniomariano@yahoo.com
antoniomarian@gmail.com
Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=14145726454759270226
Twitter:
http://twitter.com/antonio_mariano

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A edição de junho de 2010, meu último trabalho de editor do Correio das Artes, traz em sua capa com o título "Memória Resgatada" uma homenagem a Antônio Barreto Neto, um dos grandes críticos cinematográficos da Paraíba.
Constam da edição, entre outros, Gonzaga Rodrigues, o próprio Barreto Neto com um ensaio sobre o cinema de Glauber Rocha, todos publicados no livro "Cinema por Escrito", que saiu sob a chancela de A União.
Esta edição consta também com colaborações de Márcia Maia que publica o conto "Cinema mudo";
Claudio Portela com a resenha sobre a biografia de Rimbaud escrita por Edmundo White; Walter Ramos de Arruda nos traz a crônica "A mulher invisível";
Amador Ribeiro Neto, em sua coluna Festas Semióticas, traz o texto "Vivacidade do Tropicalismo";
O poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira em 2004, nos presenteia com o um poema inédito: "Pequeno manual de retórica";
Ricardo Anísio está nas páginas duplas da revista com seis poemas de seu livro inédito "Florilégio";
O poeta e escritor português radicado no Brasil, Luís Estrela de Matos, comparece com três poemas";
Poemas de "Escritor no ônibus", livro de Jairo Cézar, selecionado pelo edital Novos Escritos, da Funjope;
Ronaldo Cagiano comparece com poemas traduzidos do argentino Rodolfo Alonso;
João Batista de Brito, na sua coluna Imagens Amadas, escreve sobre o lado ruim da cinematografia de Alfred Ritchcock;
Analice Pereira escreve sobre o filme argentino "O segredo dos seus olhos", vencedor do Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro;
O poeta pernambucano Ângelo Monteiro presta uma homenagem a um conterrâneo falecido recentemente, o também poeta José Manuel Capêlo;
Jomard Muniz de Britto escreve sobre a exposição do paraibano Raul Córdula;
Joacil de Brito Pereira faz uma incursão por um Brasil de outrora, embalado pela poética de Murilo Bernardo;
José Bezerra Cavalcante escreve sobre Aliados Poemas e Bola Brasil, novo livro de Jomar Morais Souto;
Hildeberto Barbosa Filho, em sua coluna Convivência Crítica, escreve sobre Joacil de Brito Pereira e José Américo de Almeida;
Rinaldo de Fernandes, em sua coluna Rodapé, Ponto de Vista Crítico dá continuidade ao tema "Machado de Assis e o Sadismo".
As ilustrações desta edição são asssinadas por Tônio, Nivaldo Araújo e João Lobo
A editoração eletrônica ficou a cargo de Júnior Damasceno e Ulisses Demétrio.
Esta e outras edições a meu encargo podem ser conferidas no site:
http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=58&Itemid=67

Muita poesia e boa prosa.
Antônio Mariano
(Editor de maio/2009 a junho/2010 do Correio das Artes)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

OFICINATEATRO

O trabalho do ator – eis o tema da oficina que será ministrada pelo especialista Alex Cassal, no dia 13/07, no Sesc Centro João Pessoa. Alex é ator e diretor radicado no Rio de Janeiro e virá a Paraiba por conta do Projeto Palco Giratório, desenvolvido em todas as regiões do Brasil pelo Sesc – Serviço Social do Comércio. Os horários de realizações da oficina será de 8h às 12h e 14h ás 18h, sendo que as inscrições já estão abertas no Setor de Cultura da entidade comerciária, mediante doação de 2Kg de alimentos não perecíveis para o Banco de Alimentos do SESC/SENAC.

Nesta oficina, compartilhamos com os alunos um pouco da nossa prática na criação do espetáculo "Ele precisa começar", com algumas das ferramentas desenvolvidas em nosso processo criativo, exercícios físicos, jogos teatrais, jogos de percepção, trabalhos com texto, estudo das relações cênicas entre ação e narração, e a técnica de improvisação "View Points", criada e desenvolvida pela diretora Anne Bogart. Afirma Alex Cassal, que também integra a equipe que traz à Paraiba o espetáculo "Ele precisa começar", com apresentação definida para o dia 14/07 em João Pessoa e 17/07, em Campina Grande.

Cassal reforça ainda que a oficina pretende estimular o material de trabalho e cada participante, seus próprios recursos corporais, vocais, e imaginativos, buscando abrir vias de acesso para novas abordagens criativas e artísticas.



Quem é o ministrante:

Alex Cassal nasceu em Porto Alegre em 1967, trabalhou nos anos 80 e 90 com os grupos teatrais gaúchos Oi Nóis Aqui Traveiz e Alcatéia. Foi um dos fundadores do Movimento de Grupos de Teatro de Rua de Porto Alegre, no qual contribuiu na busca de novas diretrizes para a arte em espaços públicos.
No Rio de Janeiro desde 1996, atua no território de cruzamento entre dança e teatro, performance e artes visuais, colaborando com artistas como Enrique Diaz, Dani Lima, Gustavo Ciríaco, Denise Stutz, Alice Ripoll e Felipe Rocha.

Em 2002, foi um dos dez artistas brasileiros selecionados para o projeto Dialogue Sessions RJ Springdance, com Thomas Lehmen, Jan Ritsema e Helena Katz. Em 2005, foi um dos realizadores do evento V::E::R - 1º Encontro de Live Art do Rio de Janeiro, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Foi selecionado pelo Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006/2007 com dois projetos: a coreografia “Gêmeos” e o videodança “Jornada ao umbigo do mundo”, já exibido em festivais de cinema ou dança em países como Uruguai, Argentina, Chile, México, Alemanha, Grécia, Espanha, Croácia, Itália e Japão.
Em 2008, foi selecionado para o Programa de Residências Artísticas para Criadores de Iberoamérica e passou três meses no México, coordenando um projeto de pesquisa coreográfica para espaços urbanos. Em 2009, participou dos projetos Estúdios e Cartões de Visita, em Lisboa, promovidos pelo coletivo Mundo Perfeito, do diretor Tiago Rodrigues.

Em 2010, colabora com o diretor carioca Enrique Diaz na nova produção do Coletivo Improviso, "Otro".